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Paulo Briguet

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“O Paulo Briguet é o Rubem Braga da presente geração. Não percam nunca as crônicas dele.” (Olavo de Carvalho, filósofo e escritor)

Regime PT-STF

O revolucionário Caim e a ditadura luloalexandrina

O Regime PT-STF é a traição de Caim sendo revivida todos os dias, diante dos nossos olhos. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

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Caim, personagem do Livro do Gênesis, possui várias primazias: é o primeiro homem nascido de mulher, o primeiro assassino, o primeiro igualitarista, o primeiro invejoso e o primeiro revolucionário da história.

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Todos se lembram do episódio de Caim e Abel, seu irmão mais novo. Caim era cultivador da terra; Abel, guardador de ovelhas. Ambos entregam suas oferendas a Deus: Caim, os frutos da terra; Abel, um animal sacrificado.

Acontece que Deus se agrada mais da oferta de Abel, por ser um sacrifício de sangue, simbolizando a entrega da própria vida nas mãos de Deus. Caim se enche de inveja, chama o irmão para um passeio no campo e o mata. O crime de Caim é uma consequência do Pecado Original de seus pais e pode ser considerado como a primeira rebelião metafísica contra Deus, ou seja, a primeira revolução.

“Acaso sou eu o vigia do meu irmão?” é a terrível resposta de Caim a Deus, quando indagado sobre o destino de Abel. Condenado a errar pelo mundo com a marca do assassínio na própria testa, Caim funda a primeira pólis, ou seja, a primeira sociedade política.

Isso nos leva a concluir que a política humana é fundada sobre um crime de sangue. Sua origem mais remota é a traição e o assassinato. Devemos, então, perder todas as esperanças? Evidentemente, não: porque além da Cidade do Homem, habitada por Caim, existe a Cidade de Deus, onde vive Abel, imagem do Bom Pastor e d’Aquele que sacrifica a própria vida para a salvação do mundo. Essa oposição entre a Cidade de Deus e a Cidade dos Homens prosseguirá até o fim dos tempos.

Os termos esquerda e direita surgem em 1789, durante a Assembleia Constituinte da Revolução Francesa. À direita do rei, ficavam os defensores de mudanças moderadas; à sua esquerda, ficavam os adeptos de transformações radicais.

De todo modo, a primeira distinção entre direita e esquerda surge em um contexto revolucionário e, portanto, cainita. Note-se que a obra considerada como fundadora do conservadorismo moderno — “Reflexões sobre a Revolução na França”, de Edmund Burke — não faz referências à distinção entre direita e esquerda, nem ao menos utiliza esses termos.

Em diversos períodos da história, os termos direita e esquerda foram usados em contextos revolucionários. Na Rússia soviética, Trotsky era considerado esquerdista; Bukharin, direitista; e Stálin, centrista. Isso não tornava nenhum deles menos comunista.

No Brasil, até outro dia o PSDB e o atual vice de Lula eram considerados “de direita”. E temos hoje, no Brasil, uma parte da direita que defende o nacional-desenvolvimentismo e a herança maldita de Getúlio Vargas, fazendo-nos concluir que por aqui a direita frequentemente é de esquerda, ou quer se parecer com a esquerda.

O “teatro das tesouras”, que caracterizou a política brasileira por mais de 30 anos, nada mais era do que a manutenção de um sistema de concentração de poder que podemos chamar de cainita e revolucionário, na medida em que se fundamenta no crime, na inveja e no ressentimento.

No livro “Nós que Lutamos com Deus”, Jordan Peterson afirma:

“Deus é o auge supremo do propósito elevado. O trabalho que de fato redime, que verdadeiramente agrada a Deus — é o sacrifício total de tudo em prol do que é legitimamente mais elevado. É esse o trabalho que Deus convoca Caim e Abel e todos nós a realizar: empreendemos esse trabalho de duas maneiras, que representam os irmãos adversários”.

Os males que afligem o mundo atual — e, portanto, o Brasil — decorrem de que as pessoas envolvidas com o sistema de poder se afastaram de Deus para seguir a doutrina de Caim. Como primeiro revolucionário, Caim rebelou-se contra a ordem criada por Deus; essa rebelião continua sendo operada hoje em dia por aqueles que controlam o Estado e as instituições. O Regime PT-STF — ou a ditadura luloalexandrina, como gosta de dizer meu amigo Flávio Gordon — é a traição de Caim sendo revivida todos os dias, diante dos nossos olhos.

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