Ao sair do hospital, Bolsonaro ficou seis minutos em silêncio diante de apoiadores; a Polícia terá que explicar por que o transporte imediato não ocorreu.| Foto: Andre Borges/EFE
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“Porque todo aquele que se exaltar será humilhado, e todo aquele que se humilhar será exaltado.”
(Lc 14, 11)

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Existe algo que une todos os psicopatas, tiranos e comunistas deste mundo: eles sempre exigem a humilhação de suas vítimas. Mora no cerne da alma revolucionária uma necessidade irresistível de regozijar-se com a desgraça do oponente. A história contemporânea nos mostra que, em todas as sociedades comandadas por criaturas em rebelião contra o Espírito, há rituais de humilhação pública dos inimigos.

Como bem observou meu amigo Carlos Maltz, o problema de quem diz “Eu desejo a morte de fulano” é que Deus, diligente como é, pode acabar escutando apenas a primeira parte da frase: “Eu desejo a morte...” Cedo ou tarde, ela virá, e não será um momento aprazível, pois não existem duas coisas mais diferentes do que a morte dos mártires e a dos monstros.

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Jair Bolsonaro foi condenado à morte por seus inimigos e está sendo executado aos olhos do país e do mundo. Tentaram criar um vilão; estão criando um mártir. A cada vez que Bolsonaro é submetido a uma nova humilhação, cresce no povo a certeza de que estamos diante de um homem inocente, um bode expiatório imolado pela inveja daqueles que nunca serão amados como ele.

Todos viram a cena do último domingo, quando Bolsonaro pediu autorização para receber atendimento no Hospital DF Star, em Brasília. Ao deixar o hospital, foi saudado por um grupo de apoiadores, que cantaram o Hino Nacional. Por seis minutos — 360 segundos — o ex-presidente permaneceu de pé, em silêncio.

Ao fim, alguns apoiadores gritaram: “Volta, Bolsonaro” e “Anistia já”. Bolsonaro, sem dizer uma palavra, entrou no carro da Polícia Penal e voltou para sua prisão domiciliar, cercado por mais de 20 homens armados com fuzis, como se fosse um criminoso de alta periculosidade.

Mais do que depressa, o Imperador Calvo exigiu explicações da Polícia Penal sobre aqueles seis minutos de silêncio. Como assim os agentes do regime não empurraram Bolsonaro, um homem doente de 70 anos, viatura adentro e permitiram que ele ficasse em pé diante de pessoas que o saudavam cantando o hino do país?

Ditadores sempre exigem obediência completa de seus subordinados. Todo tirano sabe que seu poder depende da execução de suas ordens, por mais abomináveis ou desumanas que pareçam.

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A partir do instante em que um subordinado deixa de cumprir uma ordem insana, todo o edifício da tirania está comprometido desde a base e, cedo ou tarde, irá desmoronar. Por isso, o silêncio de Bolsonaro é tão subversivo: ele significa que alguém ousou contrariar os desejos do Calvo.

Bolsonaro está preso e foi condenado à pena capital. Não pode falar, não pode se locomover, não pode sequer ficar em silêncio. Como um personagem de Beckett, o ex-presidente não pode sequer existir. Tudo o que seus algozes permitem é que ele morra em agonia.

Mas, se isso acontecer, sabemos quais mãos estarão manchadas pelo sangue da vítima sacrificial.

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