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Quando você estiver desanimado, cansado, deprimido, pensando em desistir de tudo e entregar os pontos, lembre-se de Frei Kolbe, que ofereceu a própria vida para salvar um pai de família. Lembre-se de que ele se aproximou do oficial nazista para dizer: “Sou um padre católico e quero morrer no lugar desse homem”.
Quando você achar que a maldade já venceu e não resta nada mais a fazer a não ser aderir a ela ou omitir-se, na precária expectativa de que os maus não reparem em você, pense em Frei Kolbe. Pense que ele foi jogado numa cela escura e fétida, sem água e sem comida, com mais nove prisioneiros, e que, onde os nazistas esperavam ouvir gemidos e gritos, ouviram cânticos e orações a Deus e à Virgem Maria.
Quando você sentir que não tem mais força para levar adiante os seus sonhos e ideais, pergunte a si mesmo: o que Frei Kolbe diria sobre isso? Na cela, com a fome e a sede, entre uma prece e um hino, Frei Kolbe poderia se lembrar do dia em que entrou para a Ordem dos Franciscanos, em 1910; dos seus estudos teológicos e filosóficos em Roma; do dia em que fundou a Militia Immaculatae (Milícia da Imaculada) para combater os males do mundo com as virtudes da pureza e da fortaleza.
Quando o mundo lhe parecer um lugar irremediavelmente hostil e irrespirável, imagine Frei Kolbe. Imagine-o vendo a agonia de seus companheiros de infortúnio sem deixar de glorificar a Deus, enquanto lhe vinham à mente as duas catedrais do espírito que construíra ao longo dos anos: Niepokalanów (a Cidade da Imaculada, na Polônia) e Mugenzai no Sono (o Jardim da Imaculada, no Japão, que sobreviveria à explosão da bomba atômica em Nagasaki). Imagine-o estender o braço para receber uma injeção de ácido carbólico, após 14 dias de sede e fome, perdoando seus algozes.
Quando achar que não existe mais chance de que a verdade triunfe, considere o exemplo de Frei Kolbe, o jornalista, o radialista, o radioamador, o editor, o escritor, o pregador que criou o maior complexo de comunicação católica da Europa em seu tempo e uma revista, a “Cavaleiro da Imaculada”, que circula até hoje, em vários países, inclusive o Brasil.
Quando supor que a justiça e a honradez não têm mais lugar nesta vida, mire-se em Frei Kolbe. O homem que transformou a cidade que construíra em refúgio para as famílias perseguidas pelo nacional-socialismo por sua raça, religião ou opinião política
O menino que, aos 12 anos, teve uma visão da Virgem Maria a lhe oferecer duas coroas de rosas, as vermelhas e as brancas, e escolheu ambas, ou seja, o martírio e a pureza.
Quando o peso das coisas lhe parecer absolutamente insustentável, e a vida se lhe afigurar o rochedo de Sísifo, levado até o topo da montanha para, em seguida, rolar de novo até o vale das sombras, inspire-se em Frei Kolbe. O homem que foi canonizado em 1982, sendo que o operário que ele salvou, Franciszek Gajowniczek, estava presente na cerimônia presidida por seu compatriota e companheiro de santidade, São João Paulo II.
E quando você se perguntar como é que Frei Kolbe conseguiu fazer tudo isso, pense que ele teve como modelo Aquele que é a própria inteligência de Deus, o Verbo em que todos estamos mergulhados, como definiu outro santo homem, o Patrício:
Cristo comigo,
Cristo à minha frente,
Cristo atrás de mim,
Cristo em mim,
Cristo abaixo de mim,
Cristo sobre mim,
Cristo à minha direita,
Cristo à minha esquerda,
Cristo quando me deito,
Cristo quando me sento,
Cristo quando me levanto,
Cristo no coração de todo homem que pensa em mim,
Cristo na boca de quem fale de mim,
Cristo em todo olho que me vê,
Cristo em todo ouvido que me ouve.
Nesta sexta-feira, 14 de agosto, completam-se 85 anos do martírio de São Maximiliano Kolbe no campo de extermínio de Auschwitz. Para honrar a sua memória, o cardeal Kazimierz Nycz, arcebispo emérito de Varsóvia, celebrará uma missa solene no chamado Bloco da Morte, hoje transformado em Casa da Vida — e Vida Eterna.
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Paulo Briguet é escritor, jornalista, palestrante e professor de literatura. Trabalhou em diversos jornais, revistas e assessorias de comunicação no Paraná. Foi colunista da Folha de Londrina e editor-chefe do jornal Brasil Sem Medo. Publicou diversos livros, dentre eles: “Nossa Senhora dos Ateus”, "Coração de mãe", “O Mínimo sobre Distopias” e “Diário de Moby Dick”. Já escreveu mais de 2 mil crônicas. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



