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Comissão Especial de Reforma Política aprovou o "distritão". Foto: Lucio Bernardo Jr./Câmara dos Deputados
Comissão Especial de Reforma Política aprovou o "distritão". Foto: Lucio Bernardo Jr./Câmara dos Deputados| Foto:

Caros deputados,

Por favor, aprovem a reforma da Previdência. Será melhor para o Brasil e melhor para vocês.

É hora de vocês tomarem a dianteira desse processo e votarem pelo fim de privilégios que aumentam o rombo fiscal e impedem que o país se recupere. É o momento em que vocês precisam agir com bravura e enfrentar uma votação difícil e delicada.

Duzentos milhões de brasileiros são hoje reféns dos senhores. Famílias de classe média que perderam o plano de saúde e a escola particular, famílias pobres que vem escassas economias minguarem e o desespero bater à porta, jovens que não encontram trabalho. O futuro de todos eles depende de vocês, deputados.

Eu sei, vocês são políticos: estão preocupados com a eleição de 2018. Mas será mesmo que votar a favor da reforma resultará em menos votos?

Se a Previdência não mudar, a economia vai seguir patinando, assim como a popularidade de Michel Temer. Talvez os eleitores se lembrem que vocês votaram para adiar a investigação das denúncias de Rodrigo Janot contra o presidente. Talvez os eleitores se lembrem que a maioria de vocês apoiou medidas do governo, como a reforma trabalhista e a Lei do Teto de Gastos.

Isso é, claro, se os brasileiros tiverem memória. Desculpem a sinceridade, mas os eleitores, em maioria, mal se lembram em quem votaram para deputado federal – o que dirá quais os votos de vocês no Congresso.

Vocês sabem que os brasileiros votam com a mão no bolso. Votarão pela continuidade se o otimismo soprar na economia. Votarão pela renovação se o marasmo prosseguir.

A economia do país está vivendo um gráfico em “L”: uma queda acentuada seguida por crescimento pífio. Se a reforma sair, o Brasil tem tudo para ingressar num gráfico em “V”: depois de uma queda intensa, uma alta na mesma medida. Talvez o otimismo chegue com a Copa de 2018: cabe a vocês deixar que isso aconteça.

Com a Lei do Teto de Gastos que vocês aprovaram há um ano, o governo não poderá aumentar o orçamento. A Previdência a cada ano consumirá uma parte maior dos recursos, tirando dinheiro de outras áreas. Se hoje já faltam verbas, imaginem nos próximos anos. Veremos em breve uma pane ainda mais desastrosa nos serviços públicos.

Qual será a reação popular diante disso do prolongamento ou do agravamento da crise econômica e das instituições? Duvido que os eleitores ficarão satisfeitos com vocês, caros deputados.

Por isso tudo, por favor, aprovem a reforma da Previdência. Será melhor para o Brasil e melhor para vocês.

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