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Ninguém mais gosta da seleção nem da Copa do Mundo. Ninguém mais gosta de futebol, que voltou a ser o ópio do povo e política do pão & circo, mas desta vez para a direita, que aprendeu com os professores de esquerda que “o futebol é fator alienante, blá, blá, blá”. Vai entender. Em compensação, todo mundo está assistindo à série “Brasil 70: A Saga do Tri”, da Netflix. Também vi. São 5 capítulos que dramatizam aquela Copa de que falavam nossos pais, sempre com água nos olhos. Outros tempos. Bons tempos.
Sobre a série em si, aqui vai minha impressão geral: tudo é muito. Muito dramático, muito em câmera lenta, muito épico, muito relevante, muito expressivo, muito emotivo, muito esforçado, muito supersticioso, muito politizado, muito histórico. Muito muito. E tudo bem. São recursos legítimos e um tanto quanto desesperados, feitos para tentar prender a atenção de espectadores cada vez mais distraídos. Sem falar que são opções narrativas e estéticas típicas de uma geração pouco afeita à sutileza e à ambiguidade. À ambição artística. E, mais uma vez, tá tudo bem. Vida que segue, como diria o João Saldanha.
Espírito-de-porco
Independentemente dos muitos problemas que vejo na série, “Brasil 70: A Saga do Tri” me fez pensar. E, nisso, me deprimiu um pouco. Minto, me deprimiu bastante. Afinal, é impossível ignorar a sensação de decadência. Nós que éramos tão bons jogando futebol. Assistindo ao futebol. Conversando sobre o futebol. Nós que nos preocupávamos em contar bem uma história. Nós que, a cada quatro anos, nesta época pintávamos as ruas, vestíamos a camisa da seleção, sentávamos a bunda no sofá por 90 minutos. E nos esquecíamos dos problemas políticos, econômicos e sociais para nos sentirmos parte de um povo unido em torno de um objetivo inútil: a conquista de uma taça.
Pensei mais. Pensei no espírito-de-porco que se apossa de alguns em época de Copa de Mundo. No meu espírito-de-porco. O espírito-de-porco presente nessa coisa de ficar ressaltando os defeitos da série. De querer convencer o outro (no caso, o tolerante Francisco Escorsim) de que “Brasil 70: A Saga do Tri” é ruim e de que gostar da série é quase uma falha de caráter. Uma bobagem pela qual peço desculpas, aliás. E também o espírito-de-porco presente nessa coisa de torcer contra, de politizar o jogador, o time e o campeonato, de dizer que não liga nem se importa. E, pior, de querer convencer quem torce e vibra de que ele está errado. Não está e, por falar nisso... bora vencer o Marrocos, Brasil!








