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A escala 6x1 acabou. Ou melhor, começou a acabar. Depois de muita discussão, lenga-lenga, argumentos demagógicos e mentiras, com direito a showzinho de um deputado todo paramentado de Village People e a discursinho de Hugo Motta bancando o estadista, a PEC foi aprovada na Câmara. E agora os brasileiros terão (finalmente) um dia a mais na semana para descansar ou ler um livro, hahahaha, ou cortar a grama ou atender aos apelos da patroa e trocar aquela lâmpada que está queimada há seis meses. Não tem mais desculpa, hein, Zé!
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Ótimo. Aconteceu o que a maioria do povo e dos políticos queriam. Assim, numa canetada, entramos para o seleto grupo de países que podem se dar ao luxo de curtir a vida por dois dias e passar os cinco restantes cumprindo a pena imposta a Adão. Quem poderia imaginar que fosse tão fácil? E agora te pergunto. É, a você que acreditou no canto da sereia: você está feliz? Abriu uma garrafa de champanhe para celebrar essa vitória? Já avisou ao chefe que não vai mais trabalhar na escala 6x1? Ah, você já não trabalhava nela. Entendo.
Post coitum triste
Assistindo às imagens que me chegava da Câmara dos Deputados, primeiro na Comissão Especial e depois no plenário, fiquei pensando no vazio que se sucede à vitória. Não a essa específica. A todas as vitórias. Fiquei pensando no post coitum triste da política. É o vazio que sente o homem depois de completar uma maratona. De ganhar o primeiro milhão (deve ser). De vencer uma discussão com a esposa, aquela que no primeiro parágrafo estava há seis meses te pedindo para trocar a lâmpada e você dizendo: “Semana que vem”. Se bem que essa última vitória é bem rara. E de defender uma mentira com potencial de desastre como se fosse uma conquista do trabalhador.
Bom. Nos próximos dias, acompanharemos o jogo de cartas marcadas do fim da escala 6x1, mas agora no Senado. Muito se falará e no final das contas a PEC provavelmente (nunca se esqueça do “provavelmente”, Paulo!) será aprovada e promulgada e celebrada e posta em prática. Depois teremos as consequências, como o aumento da inflação e fechamento de postos de trabalho. Imagine só o parque cheio de pessoas descansando de passar cinco dias por semana procurando empregos que não existem. Que lindo. E, assim, terá início um novo jogo: o da busca por culpados. É a esquerda! É a direita! É todo mundo. É qualquer um. É ninguém.




