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Eleições 2026

Por que Caiado, Zema e Renan não empolgam os eleitores de direita

Ronaldo Caiado é o único dos três pré-candidatos que aparece em pesquisa recente numericamente à frente de Lula em eventual segundo turno
Ronaldo Caiado é o único dos três pré-candidatos que aparece em pesquisa recente numericamente à frente de Lula em eventual segundo turno. (Foto: Fotomontagem Gazeta do Povo (Aluísio Eduardo/Digital MG | Divulgação/Governo de Goiás | Divulgação/Luiz Rebelato))

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Apesar de figurarem entre os presidenciáveis como opções da direita para 2026, Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) ainda não conseguiram empolgar os eleitores nem repetir nas pesquisas de intenção de voto a projeção política que conquistaram nos últimos anos. O que explica esse cenário? A Gazeta do Povo entrevistou analistas políticos para responder à pergunta.

Sondagens eleitorais recentes mostram que os três pré-candidatos ainda enfrentam dificuldades para converter projeção política em intenção de voto no primeiro turno. Por exemplo, um levantamento do instituto Real Time Big Data divulgado no último dia 21 coloca o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança no primeiro turno, com 40%, enquanto Renan Santos e Ronaldo Caiado aparecem tecnicamente empatados dentro da margem de erro, com 9% e 7%, respectivamente, e Romeu Zema, 2%.

Quando a sondagem se refere a um eventual segundo turno, o quadro é diferente. Caiado é o único dos três que aparece numericamente à frente de Lula (44% a 43%), em empate técnico dentro da margem de erro. Zema perderia do petista por 44% a 38%, se a eleição fosse hoje, enquanto Renan Santos registra 35% contra 44% de Lula — Flávio Bolsonaro (PL) soma 33% no cenário de primeiro turno e fica empatado dentro da margem de erro no segundo turno, com 42%, enquanto Lula tem 45%.

A sombra de Bolsonaro sobre a direita

Para o economista Alexandre Manoel, daGlobal Intelligence and Analytics, o principal obstáculo enfrentado por Caiado, Zema e Renan Santos é a força da liderança política construída pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na avaliação dele, Bolsonaro consolidou uma relação com o eleitorado que extrapola propostas de governo.

Um dos pilares dessa conexão é a identificação com o segmento evangélico que, segundo o Censo Demográfico de 2022, representa 26,9% da população brasileira com 10 anos ou mais e continua em expansão. "Trata-se de um contingente eleitoral extremamente relevante. Bolsonaro foi o primeiro candidato a construir uma identificação política e simbólica com esse segmento [evangélico], o que lhe conferiu uma vantagem competitiva difícil de ser reproduzida por outras lideranças da direita", afirmou o analista.

Além disso, segundo ele, a imagem de Bolsonaro ficou associada ao enfrentamento ao establishment político, além de o ex-presidente ter ficado marcado como um alvo de perseguição política e judicial. "Boa gestão, ideias consistentes e experiência administrativa são ativos importantes, sobretudo para conquistar o eleitor moderado. No entanto, esses atributos, por si sós, não parecem suficientes para substituir a liderança construída por Bolsonaro junto ao núcleo mais fiel do eleitorado de direita", pontuou.

Segundo ele, o desafio de Zema, Caiado e Renan Santos passa justamente pela construção de uma identidade própria sem romper com a base conservadora que continua enxergando Bolsonaro como sua principal referência política.

Prestígio político não garante eleição

Na avaliação de Juan Carlos Arruda, diretor-geral do Ranking dos Políticos, os três pré-candidatos possuem atributos expressivos, mas uma disputa presidencial exige muito mais do que boa reputação ou influência política. Ele observa que Zema consolidou uma imagem de gestor eficiente em Minas Gerais, Caiado reúne experiência política e administrativa, enquanto Renan Santos ganhou espaço no debate público e na articulação de pautas da direita.

"Existe uma diferença entre ser bem avaliado em um estado, liderar um movimento ou ter influência no debate político e conseguir construir uma candidatura nacional. Isso demanda tempo, presença em todo o país, alianças e uma narrativa capaz de dialogar com diferentes segmentos do eleitorado", pontua Arruda.

Para o analista, o momento também contribui para o baixo desempenho dos três nomes nas pesquisas. Como a direita ainda gravita em torno da figura de Bolsonaro, os pré-candidatos encontram dificuldades para ocupar um espaço próprio. Na avaliação dele, apenas quando o cenário eleitoral estiver mais definido será possível medir quem conseguirá transformar prestígio político em intenção de voto.

Falta de projeção nacional

O cientista político Paulo Kramer identifica outro fator importante: o desconhecimento dos pré-candidatos fora de seus estados de origem. Segundo ele, Bolsonaro continua sendo a principal referência do conservadorismo brasileiro, enquanto Zema e Caiado ainda enfrentam dificuldades para alcançar projeção — e até conhecimento, de fato — nacional.

No caso do ex-governador mineiro, Kramer afirma que a imagem positiva da gestão convive com problemas históricos de regiões pobres de Minas Gerais, como o Vale do Jequitinhonha, o que limita sua capacidade de expansão política. Em relação a Caiado, Kramer observa que boa parte da longa trajetória ocorreu no Congresso Nacional, uma instituição que, segundo ele, costuma ter pouca visibilidade para o eleitor comum.

Além disso, Kramer ressaltou que Goiás possui relevância econômica, especialmente pelo agronegócio, mas um peso demográfico relativamente pequeno no cenário nacional. Na avaliação de Kramer, Caiado deveria ter investido há mais tempo na projeção nacional da sua imagem. "Mas aí, é claro que a oposição o acusaria de descuidar dos problemas goianos em troca de suas ambições presidenciais", completou.

Caiado foi a escolha do PSD para disputar a Presidência da República em 2026 após a desistência do governador do Paraná, Ratinho Junior, que foi o nome inicialmente escolhido pelo presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, para a tarefa.

A mudança de rumo do paranaense surpreendeu porque foi um grande contraste com o que Ratinho Junior construiu ao longo de 2025 na tentativa de se mostrar ao Brasil, justamente para ganhar projeção para um projeto nacional.

  • Metodologia da pesquisa citada: O Real Time Big Data ouviu 2.000 pessoas nos dias 18 e 20 de julho. A pesquisa para presidente da República foi contratada pelo próprio instituto. O nível de confiança é de 95%. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. Registro no TSE nº BR-09247/2026.

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