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Polzonoff

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Pleonasmo vicioso

O comandante do Exército é frouxo e covarde?

TOMÁS PAIVA COMANDANTE EXÉRCITO
General Tomás Paixa: quem me chamou de frouxo e covarde foram aqueles dois ali, ó. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

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O deputado Marcel van Hatten (não eu!) disse que o comandante do Exército, general Tomás Paiva, é frouxo e covarde. As mesmas palavras, aliás, foram ditas por Silas Malafaia (não por mim!). Se bem que o pastor não se referia diretamente ao general Tomás Paiva, CPF tal e RG tal, e sim a “generais”, assim, num atacadão indefinido. Só que Alexandre de Moraes foi lá e tomou as dores do parça. Agora Silas Malafaia virou réu por injúria e, se duvidar, Van Hatten vai pelo mesmo caminho. Apesar da imunidade parlamentar e tal.

Mas a questão não é se o militar é frouxo e covarde nem se “frouxo” e “covarde” são palavras ofensivas o bastante para configurar injúria. A questão é que, ao ver aqui o vídeo do deputado Marcel van Hatten dizendo que o comandante do Exército é frouxo e covarde, fiquei me perguntando: tem como o general Tomás Paiva ou então o general Emílio, que foi intimidar o deputado no Congresso, ou qualquer outra pessoa, até eu mesmo, ser frouxo e não covarde ou covarde e não frouxo? As duas palavras não são sinônimo?

Pleonasmo vicioso

Fui pesquisar. Tirei a poeira do dicionário de etimologia e, sobre “frouxo”, encontrei o óbvio: vem do latim fluxus, que significa “solto” e “fluido”. Isto é, algo sem firmeza. Ou brio – palavra que adoro e que anda em desuso, nos textos e na vida. Já “covarde” vem do francês (claro) cuard, numa referência à cauda que os animais põem no meio das pernas quando amedrontados. Ou seja, se o frouxo é covarde e o covarde é frouxo, o general Tomás Paiva só pode ser frouxo OU covarde, não as duas coisas ao mesmo tempo.

O deputado Marcel Van Hatten e o pastor Silas Malafaia, portanto, cometeram um gravíssimo erro de português ao dizerem que o comandante do Exército, general Tomás Paiva, é “frouxo e covarde”. Não pode! Afinal, as duas palavras guardam sentidos muito próximos. Ambos os dois (sic) tropeçaram num pleonasmo vicioso. Fica, pois, a lição: daqui para frente, para evitar redundâncias condenáveis como essa, o correto é afirmar que o general Tomás Paiva ou é frouxo. Ou é covarde. Nunca as duas coisas ao mesmo tempo.

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