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André Mendonça pediu à PGR explicações sobre mensagens em que Daniel Vorcaro pedia a proteção de Alexandre de Moraes e citava Paulo Gonet e Andrei Rodrigues, procurador-geral da República e diretor da PF, respectivamente. Todos os envolvidos na frase acima participaram do convescote regado a uísque Macallan em Londres. Mas calma que melhora, porque a PF também descobriu que o próprio Moraes revisou e editou aquele contrato de R$131 milhões firmado entre o banqueiro e a Advogada Master. Moraes e Vivi negam irregularidades. Mas, até aí, morreu o Neves.
Diante dessas notícias, todas naturalmente escandalosas, absurdas, inadmissíveis e inaceitáveis, há algum entusiasmo. André Mendonça estaria até cogitando pedir a Edson Fachin, presidente do STF, autorização para investigar Alexandre de Moraes. Imagina uma coisa dessas! Seria bem divertido. E auspicioso. É, parece que, no momento, a situação de Moraes, Gonet e outros nomes do banco não é das mais confortáveis. E o problema é justamente esse. Afinal, nas outras situações em que esteve contra as cordas, Moraes já deu sinais de que recuar não é uma opção para ele. Quantas horas até ele começar a dizer que André Mendonça está atacando a democracia?
Agora vai
Quantas horas até Alexandre de Moraes se reunir com Paulo Gonet e Andrei Rodrigues? Talvez até com o Lula e as Forças Armadas... Quantas horas até Alexandre de Moraes determinar a quebra do sigilo da fonte de todos os veículos que estão noticiando esses fatos cuja gravidade não cabe num superlativo absoluto sintético, mas vai assim mesmo: gravíssimos. Quantas horas até Alexandre de Moraes incluir André Mendonça no Inquérito das Fake News, tacar-lhe uma tornozeleira eletrônica e até prendê-lo por ter respirado o mesmo ar que Jair Bolsonaro?
E agora uma pergunta que me faz arregalar os olhos: quantas horas até Alexandre de Moraes escancarar o golpe? Digo isso porque uma coisa aprendi nos últimos tempos: Alexandre de Moraes não recua nunca. Pelo contrário! Quando encurralado, ele instintivamente parte para o ataque. Ele não se contém. Pessoalmente, acho que essa incapacidade de autocontenção é que vai causar a ruína dele. Mas não vai ser sem muito sofrimento e sacrifício. Dedos e gritaria. De qualquer modo, encerro esta crônica com a constatação esperançosa de que a maré está mudando. Finalmente. Já não era sem tempo. Agora vai. E vai mesmo.

Paulo Polzonoff Jr. é jornalista e escritor, não necessariamente nessa ordem. Já foi também tradutor, mas agora não tem tempo. Na Gazeta do Povo, escreve sobre política, cultura, filosofia e assuntos da atualidade. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



