Semana passada, a esquerda se reuniu para construir e consolidar uma narrativa tão tão tão tão esdrúxula que tenho dificuldades para entender como alguém a levou a sério. Mas levou. Levaram. Estou falando da narrativa de que o deputado federal Nikolas Ferreira teria ajudado o PCC com aquele vídeo em que ele alertava para o perigo muito real de o Pix ser usado como meio de arrecadação de um governo insaciável.
Essa, porém, é a versão light da história. Porque alguns perfis nas redes sociais foram além. Vi gente tratando Nikolas Ferreira como viciado; outros trataram o deputado como um verdadeiro megatraficante de drogas. Não duvido nada que um ou outro tenha dito que Nikolas Ferreira é membro e chefão da facção criminosa. E tudo dito em tom de denúncia séria, como se a esquerda estivesse tratando com um criminoso perigoso, e não com um jovem deputado federal da oposição. Isto é, um adversário político digno.
Epidemia de desonestidade intelectual
Não pense você, porém, que foram apenas os bots e MAVs que usaram a operação da PF contra o Primeiro Comando da Capital para difamar Nikolas Ferreira. Teve gente graúda, desde os canalhas de sempre até políticos que posam de moderados. Sério, quando vi Tabata Amaral tendo a pachorra de reproduzir essa narrativa mentirosa (e ela sabe que é mentira), alguma coisa morreu dentro de mim. Não que Tabata Amaral fosse o suprassumo da honestidade intelectual, mas, sei lá, acho que eu nutria alguma esperança pela juventude.
Seja como for, o episódio chamou a minha atenção para a epidemia de desonestidade intelectual que assola o Brasil. E aqui, correndo o risco (quase certo) de ser xingado de isentão, sou obrigado a falar: a epidemia afeta tanto a esquerda quanto a direita. Aquela mais do que esta, mas ainda assim. É incrível: chegamos a tal ponto que palavras simples como honestidade e honra não significam absolutamente mais nada para nossos homens, mulheres públicos. Inclusive alguns que posam de intelectuais. A essa multidão ruidosa só importam o poder e as coisas toscas, mundanas e transitórias a ele atreladas, como dinheiro, fama, influência e voto, voto, voto.
Como?
O próprio julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, que a esta hora deve estar rolando, é um caso da desonestidade intelectual elevada ao estado de arte. O pessoal por aí diz que se trata de uma farsa. Qual o quê! É mais do que isso. É um épico da mentira, inclusive daquela mentira que a esquerda precisa contar para si mesma, a fim de justificar tudo o que ela sabe que é errado e que no momento lhe é circunstancialmente conveniente. Dá nojo, mas também dá pena. E é por isso que a lição não é apenas política, mas sobretudo moral.
Precisamos resgatar o apreço pela verdade. Minto! Precisamos resgatar a vergonha da mentira. Mesmo que isso custe votos, seguidores ou assinantes. Sabe aquele incômodo? Aquela queimação no estômago, aquele constrangimento, aquele calafrio? A auto-humilhação de se saber mentiroso, de estar dizendo isso ou aquilo apenas para agradar o público? De estar fazendo mal para alguém em troca de ganhos políticos? Precisamos e ninguém é louco de discordar que precisamos. Resta descobrir como. Não tenho a menor ideia. Mas aceito sugestões.
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