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Polzonoff

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Transformando em crônica heroica o noticiário de cada dia.

Alfabeto

Outro abecedário

ABECEDÁRIO
Versão da IA para o meu abecedário. (Foto: Gemini)

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O a se juntou com o h e ficou boquiaberto com mais um escândalo, uma polêmica, uma controvérsia vazia.

O b, com essa barriga aí, sempre me lembra uma criança com esquistossomose. Ou adulto depois do churrasco do domingo.

O c é um imã que só atrai coisa ruim. Deusolivre! E é também a ferradura a ornar os cascos das azêmolas que nos governam.

O d fez harmonização nas nádegas, não tá vendo?

O e eu consigo vê-lo em cima de uma motinha, todo paramentado com esse capacetinho aí.

Em geral, o f anda por aí todo elegante e só perde a pose quando alguém aponta e diz que é o s de quem tem língua presa. Maldade.

O g está gritando no meu ouvido: depende da tipografia! Na usada aqui na Gazeta do Povo, ele parece um o resgatando outro o que caiu de um penhasco. Em outras tipografias, é um 9 que transicionou e agora se identifica como letra.

Mas, pera! Quem vem lá? Ah, se não é o h com dois us, um na frente e outro atrás, fazendo hang loose, todo empolgado.

O i continua inconformado, pondo os devidos pingos nos distraídos.

O j fisgou o leitor que chegou até aqui e agora não tem jeito: vai ter que continuar.

O k chamou outro k e outro k e outro k e outro k e estão todos rindo até agora, ninguém sabe bem do quê. Ah, é de mim? Safadinhos!

O l tá ali num canto da parede, todo escondidinho, com medo de que peçam para ele fazer o L.

Em meio a essa crise toda, as portas do m estão para alugar.

Ops, uma delas foi alugada e agora só resta o n.

O o se pergunta: o que vai ser de mim se eu tomar Mounjaro?

O p e o q passaram o dia todo discutindo em frente ao espelho. Até que chegou outro p, virou pqp e foi uma confusão dos diabos.

O Q abana o rabo para qualquer um que lhe dê trela.

O r, quando bota as garrinhas pra fora... Cuidado! Sai daí, senão ele te arranha!

O s serpenteia o texto. Passa primeiro pelo T, depois pelo F. Tentação!

Por falar em T, o minúsculo (t) está lá, de braços abertos e estatelado no chão.

O u esclarece que não, não é n capotado. Mas que parece, parece.

O v conseguiu se separar do w; eram trigêmeos siameses.

O x anda macambúzio. Dizem que está numa encruzilhada.

O y é pura malícia. Vai ter que usar a imaginação.

Enquanto isso, o z se lamenta: por que sou sempre o último? Ninguém responde.

A crônica de hoje, assim como esta, publicada em 2021, foi inspirada num texto antológico do grande e saudoso Millôr Fernandes.

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