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Neutralidade simbólica

“Ponte da Vitória”: nome de obra histórica no Paraná é uma derrota

PONTE DE GUARATUBA
A Ponte da Vitória, ligando Caiobá a Guaratuba, bem que merecia um nome melhorzinho, vai. (Foto: Jonathan Campos/AEN)

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Na boa. Chamar a ponte que liga Matinhos (Caiobá) a Guaratuba de “Ponte da Vitória” é uma derrota. Uma derrota DA HUMANIDADE. Não é possível que uma obra dessas, uma pequena maravilha da engenharia (como, aliás, são todas as pontes) e a realização de algo que minha geração e as gerações anteriores consideravam um sonho distante e impossível, receba um nome tão mequetrefe, é, vamos chamar de mequetrefe, como esse.

Ponte da Vitória. Que vitória? A do Coxa contra o Bangu na final do Brasileiro de 1985? Uma vitória na Guerra do Contestado, talvez? Ou seria o nome da ponte uma homenagem velada à Rainha Vitória, que em 1871 se encontrou com D. Pedro II a bordo do navio Imlying bem ali, na baía de Guaratuba? Que nada! A explicação oficial é a de que o nome faz referência “à vitória dos paranaenses que há décadas sonharam com essa ligação, a superação de dificuldades e a conquista de um objetivo”.

Ah, faça-me o favor!

Ah, faça-me o favor! Um nome desses. Uma explicação dessas. E eu até entendo que qualquer outro nome, mesmo que homenageasse o mico-leão-dourado ou as ostras ou o menino Evandro ou Afonso Botelho de San Payo e Souza ou mesmo o coitado do Padre do Balão, geraria alguma controvérsia. Ai, porque fulano era branco ou escravagista ou “ostra é comida de rico” ou qualquer outra bobagem do tipo. Claro que, qualquer que fosse o nome, haveria alguém para chiar.

Como, aliás, estou fazendo agora (de brincadeirinha, claro) com esse nome simbolicamente pobre, paupérrimo, miserável. Nome dado por um burocrata sem imaginação ou ambição para além do próximo ciclo eleitoral. Por um barnabé sem visão de futuro. Afinal, mais cedo ou mais tarde essa exigência de neutralidade simbólica, mais uma bobagem do politicamente correto, vai passar. E, quando passar, espero que este texto seja resgatado por alguém que terá a brilhante ideia: por que não damos à ponte o nome do Paulo Polzonoff Jr.? Obrigado.

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