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Uma moradora foi fazer exercício na academia do prédio, que dá para um bosque, e se deparou com uma enorme aranha-armadeira. Mas que também atende pelos nomes de aranha-macaco ou aranha-de-bananeira. Escandalizada com a presença do artrópode aracnídeo (dã, todo aracnídeo é um artrópode) “desse tamanhão assim, ó”, a moradora foi reclamar com o síndico, que prometeu uma dedetização mais eficiente e aproveitou para dar uma bronca em quem deixou a janela da academia aberta durante a noite. Foi aí que o caos se instalou.
De um lado ficaram os defensores de um ambiente livre de aranhas, sejam elas armadeiras ou não. É o grupo dos aracnofóbicos, entre os quais me incluo. E desde já reconheço: somos hipócritas. Afinal, gostamos de viver bem perto do mato, com suas árvores lindas, passarinhos (de vez em quando tem até tucano!), esquilos e saguis. Mas não com suas aranhas e outros bichos nojentos/perigosos. Sem falar no marimbondo-cavalo gigantesco que outro dia inventou de fazer ninho aqui na janela. Nada que um lança-chamas não resolvesse, claro.
Viagra natural
Do outro lado, como você já deve ter intuído, ficaram os defensores da pobre aranha. E, por extensão, dos demais artrópodes, sejam eles aracnídeos, crustáceos, quilópodes, diplópodes ou insetos. Inclusive do assustador marimbondo-cavalo. É o grupo dos que acham que os animais não têm culpa. Nós é que estamos invadindo o espaço deles, tadinhos. Dos que são contra o uso de inseticidas que, “além de tudo, fazem mal à nossa saúde, sabia?”. Não vou me espantar se alguém recorrer ao Ibama, ou melhor, ao STF para garantir a presença de aranhas na academia do prédio.
Alheia à discussão no grupo do condomínio, a aranha-armadeira se escondeu atrás de um espelho bem pesado. Foram necessárias a força e principalmente a coragem de vários homens para, com jeito e delicadeza, tirar a aranha da academia. Ou será que eles a mataram aos gritinhos eufóricos e pulinhos de medo? Sobre a dedetização, não sei se os aracnofóbicos venceram os aracnófilos. Tomara que sim. Só sei que, ao escrever esta crônica, aprendi que a aranha-armadeira é uma das mais agressivas do mundo. E que o veneno dela é uma espécie de Viagra natural e está sendo estudado para uso no tratamento de disfunção erétil. Ou seja.

Paulo Polzonoff Jr. é jornalista e escritor, não necessariamente nessa ordem. Já foi também tradutor, mas agora não tem tempo. Na Gazeta do Povo, escreve sobre política, cultura, filosofia e assuntos da atualidade. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.


