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Na semana passada ministrei um curso em São Paulo para pessoas que desejam conhecer mais profundamente as possibilidades de investimentos em renda fixa. Dentre todas as explicações e dúvidas, o que me chamou mais atenção foi a falta de entendimento sobre qual modelo de aplicação é melhor: pós-fixados ou prefixado?

Claro que todos os tipos de questionamentos existem em cursos presenciais, o que é absolutamente natural. No entanto, pelas conversas do dia a dia com investidores ou entrantes neste segmento, muitas vezes me surpreendo com o desconhecimento sobre onde aplicam seus recursos, qual o indexador, quais taxas pagam, entre outros.

Sempre que levanto a discussão sobre taxas de administração pagas aos fundos de investimento, por exemplo, cerca de 95% dos questionados, ao menos, não sabem responder com exatidão. Algo que me espanta é que desconhecer esse fato é deixar de lado seu próprio benefício, seja ele de curto ou longo prazo. Voltando ao tema principal deste texto, gostaria de chamar atenção a quais características compõem uma aplicação pré ou pós-fixada. Este é outro ponto importante na tomada de decisão.

Na prática, quando falamos que aplicações de renda fixa atraem pela previsibilidade é porque, em parte, representam aquele investimento em que as condições de rentabilidade são determinadas já no momento da aplicação, como as prefixadas. Também há aplicações que são pós-fixadas, ou seja, dependem do indexador a que estiverem atreladas. E quais são estes indicadores?

Atualmente a correção das aplicações pós-fixadas é, em sua maioria, dada pela taxa básica de juros (Selic), pelo CDI (taxa de juros interbancário) e pelo índice de inflação denominado IPCA. Alguns exemplos desta modalidade de investimento podem ser os títulos do Tesouro Selic, CDBs, Letras de Câmbio, entre outros. O IGP-M, outro indicador bem conhecido do público em geral, não tem sido muito utilizado como indexador dada sua volatilidade ao longo do tempo, sendo assim, tem trazido baixa previsibilidade.

Nos prefixados, a remuneração do investidor já é conhecida na data da aplicação. Ou seja, no momento da contratação daquele investimento, você deverá saber qual será o valor de resgate. Exemplo: um CDB que pague 10% no período de 18 meses. No caso dos pós-fixados, podemos citar como exemplo o Tesouro IPCA, no qual o investidor vai receber um “prêmio”, o que podemos considerar um número determinado pelo Tesouro Nacional, que atualmente está próximo de 3,5% ao ano, somado à inflação medida pelo IPCA no período. Dessa forma, como é possível haver variação na rentabilidade proporcionada pelo IPCA, esse é considerado um ativo pós-fixado.

Avaliação de terreno

Consideradas as particularidades, não podemos classificar um ativo sendo mais atrativo que o outro. O que o investidor deve observar é o momento de cada um deles, qual a oportunidade que está sendo apresentada e a necessidade da utilização dos recursos pós vencimento.

Recomendo os ativos prefixados em situações de maiores riscos de mercado, pois nessa perspectiva costumam apresentar boas opções. Antes mesmo do período eleitoral, havia oportunidades que beiravam taxas de retorno de 12% ao ano. Nesse caso, acrescento que a Selic está em 6,5% ao ano, o que caracterizou ótimo investimento, se realizado à época. Atualmente, é difícil encontrar algo acima dos 8,5% ao ano com vencimentos inferiores a dois anos. Caso visualize oportunidades acima dessa última rentabilidade informada, verifique os riscos embutidos na operação.

No caso dos ativos pós-fixados, momentos de risco também podem ser promissores, como ocorreu em 2015, antes do impeachment de Dilma Rousseff. Naquele momento, o Tesouro Nacional ofertava títulos públicos que pagavam quase 8% ao ano, mais inflação no período da aplicação. Atualmente estes mesmos títulos apresentam taxas abaixo dos 4%,  somados ao IPCA. Por outro lado, para quem este ativo é mais sugerido? Na minha visão, para os investidores que têm o longo prazo como objetivo. Estar indexado  à inflação é o mesmo que estar assegurado de movimentos bruscos na economia, como já estamos acostumados em nosso país. Vale ressaltar que prazos, valores mínimos de investimento e riscos também devem ser levados em consideração para esse tipo de aplicação.

Dessa forma, é fácil concluir que não há certo ou errado no mundo dos investimentos brasileiro. Há diversas oportunidades para perfis de investidor diferentes e o principal é saber/poder identificar as melhores oportunidades, no timing correto e de acordo com os seus objetivos.

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