Joaquim Levy confirmou o pedido de demissão neste domingo (16) após receber duras críticas de Bolsonaro.| Foto: Marcos Corrêa/PR

Mais uma vez iniciamos a semana discutindo temas espinhosos. Desta vez é a saída de Joaquim Levy da presidência do BNDES. Até agora, pouco se sabe quais seriam as reais razões para o presidente Jair Bolsonaro colocar a cabeça de Levy a prêmio, a ponto dele pedir sua demissão horas após escutar tal declaração.

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Some-se a isso que o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, mencionou no final da semana anterior que o atual governo é uma “usina de crises”, logo após declarações do Ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre o relatório da Reforma da Previdência.

Guedes teria ficado insatisfeito, em especial, com a exclusão da capitalização e dito que o Congresso não pensa nas próximas gerações.

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Apesar de todo este vaivém, o que de fato o mercado busca neste momento? Sem dúvida não seriam declarações, posts em redes sociais, demissões de secretários, ou até mesmo da alta cúpula do BNDES. Obviamente que a somatória desses fatos acaba tendo repercussão e possível impacto de curto prazo na bolsa de valores, no câmbio e nas perspectivas para a taxa de juros futura do país.

Por outro lado, a possibilidade cada vez mais próxima de uma aprovação da Reforma da Previdência, apesar de todos os percalços e independentemente dos meios, tem trazido ânimo aos ativos, dado que o Ibovespa sobe 1% no mês de junho, enquanto o dólar deprecia em relação ao real e os juros parecem querer chegar em patamares nunca antes visto na história deste país.

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Por falar em juros, o boletim Focus do Banco Central trouxe perspectivas de que a Selic encerre o ano em 5,75%. Para quem está acostumado com juros altos e país de rentistas, é possível afirmar que esta situação nos parece para lá de confortável visando a retomada da economia.

Mudança de trajetória não será repentina

Claro que essa mudança de trajetória não será repentina, mas podemos sonhar com voos mais altos no futuro próximo. Nesta semana, inclusive, teremos decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), e a expectativa segue sendo a manutenção da Selic.

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No mesmo relatório divulgado nesta segunda, as expectativas para inflação estão em 3,8%, bem abaixo do centro da meta estipulado em 4,25% ao ano. Aqui também é importante ressaltar que este dado é impactado pela fraqueza da economia atual, que sugere crescimento abaixo de 1% em 2019.

O fato é que, até aqui, esta é a grande realidade: bolsa próxima dos 100 mil pontos, juros poderão recuar ainda mais das mínimas históricas e dólar na expectativa pelo principal evento do ano, a votação da Nova Previdência.

Sendo assim, com Selic em 5,75%, podemos imaginar a poupança rentabilizando seus “investidores” em 4% ao ano! Ou seja, caso todas estas expectativas se concretizem, ficará evidente que os poupadores não terão ganho algum em 2019.

Já em outros investimentos de renda fixa, como CDB e Letras de Câmbio (LC), ainda é possível encontrar alguns com retorno próximo dos 115% do CDI e que sugerem encerrar o ano rendendo 6,5%. Nesse caso, vale levar em consideração que a liquidez não é imediata, mas pode compensar para quem não precisa dos recursos no curtíssimo prazo.

Nos fundos de investimento considerados mais conservadores podemos afirmar que a taxa de administração será cada vez mais pesada para os investidores. Com os juros podendo recuar, um fundo conservador que cobra 1% ou acima disso ao ano poderá também ter retorno próximo da inflação.

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Por que não falar em Petrobras?

No mercado de renda variável, porque não falar em Petrobras? Que mesmo diante de todo este cenário descrito acima, anunciou a maior descoberta desde o pré-sal, em Sergipe e Alagoas e, segundo Paulo Guedes, essa conquista poderia ajudar em eventual “choque de energia barata”, sendo os custos de gás natural diminuídos e visando a reindustrialização do país.

A aposta do governo é que, no curto prazo, poderá sair de Sergipe o gás mais barato do Brasil. Ademais, e apesar do momento ruim da economia, o que os analistas, investidores, gestores e afins querem de fato é observar se as empresas estão crescendo, mesmo em um cenário desafiador e se os resultados seguem consistentes ou deverão apresentar melhora de acordo com a estratégia de cada uma.

Portanto, notícias, fatos, ruídos, tuitadas desnecessárias, demissões de membros do governo, entre outros, estão e seguem no radar do mercado. No entanto, há outras questões que devem ser levadas em consideração para analisar aquilo que o brasileiro deseja: prosperidade, emprego e bons investimentos.