
Ouça este conteúdo
Esquerda e direita são termos usados para descrever posições ideológicas e políticas. Esses termos se originaram durante a Revolução Francesa. Nas reuniões da Assembleia Nacional Constituinte os parlamentares favoráveis a mudanças radicais sentavam-se à esquerda do presidente da Assembleia, enquanto os favoráveis à preservação e melhoria da ordem existente sentavam-se à direita.
Se alguém disser que esquerda e direita são termos vazios, que não descrevem nada, essa pessoa está certa.
Se alguém disser que esquerda e direita são termos importantes, porque são usados para designar conjuntos de ideias e posições políticas e filosóficas relevantes, essa pessoa também está certa.
Os termos direita e esquerda, por si só, não descrevem nada. Assim como outras expressões, eles são apenas símbolos que facilitam (ou atrapalham) a discussão sobre política. Esses termos podem ser usados de forma errada e, muitas vezes, até as ideias por trás desses termos são esquecidas.
Alerta importante: é lógico que alguém pode se declarar de direita ou de esquerda sem ter a mínima noção do que isso significa. Para muitos, a posição ideológica é principalmente uma resposta a pressões sociais
Não há nenhum problema na decisão de ignorar os termos esquerda e direita, desde que não se ignore também as escolhas que sempre são feitas em sistemas político ou de governo. Não importa se você acredita em esquerda e direita – o que importa é que os detentores do poder acreditam. Não é possível ignorar a associação entre esses termos e determinados conjuntos de ideias, nem o impacto dessas ideias em nossa vida.
Esquerda e direita – assim como socialismo, capitalismo e conservadorismo – são termos imperfeitos, frequentemente usados de forma indevida. Isso não é razão para que os abandonemos, sob pena de nos desconectarmos da realidade. Isso também vale quando tentamos classificar sistemas políticos e ideologias como sendo “de esquerda” ou “de direita”. Esse é um exercício que requer bom senso.
As ideologias de esquerda são o marxismo, o comunismo, o socialismo e o progressismo (também conhecido nos EUA como a ideologia “woke”). As ideologias de direita são o conservadorismo, o liberalismo e o libertarianismo.
Existe uma importante diferença: as ideologias de esquerda são, ao mesmo tempo, sistemas políticos e modelos econômicos. Elas não só prescrevem uma forma de organizar a sociedade e o Estado, mas também um sistema de organização da economia, baseado no fim da propriedade privada e no planejamento central pelo Estado.
As ideologias de direita pressupõem um modelo econômico de livre iniciativa e livre mercado, mas não impõem modelos de organização política. Um país que adota as ideias conservadoras ou liberais pode ser organizado como uma república federativa – caso dos EUA – ou como uma monarquia constitucional, como no Reino Unido.
Alerta importante: é lógico que alguém pode se declarar de direita ou de esquerda sem ter a mínima noção do que isso significa. Para muitos, a posição ideológica é principalmente uma resposta a pressões sociais. Isso se aplica especialmente no caso da ideologia de esquerda, que conquistou hegemonia nos ambientes sociais e em todas as manifestações culturais do Brasil.
Em seu livro Descobrindo Deus, o escritor Rodney Stark explica que a conversão religiosa é um fenômeno social. Ninguém estuda os fundamentos doutrinários de uma religião antes de se converter. Segundo Stark, a principal motivação da conversão é o desejo de pertencer a um grupo.
O paralelo com as ideologias políticas é grande. Muita gente se diz de esquerda porque essa é a posição que traz menos chance de conflito e garante a aceitação na maioria dos ambientes (cultural, escolar, midiático, musical, literário, jurídico e muitos outros). Da mesma forma, alguns se consideram “de direita” como consequência da prática religiosa cristã ou por uma preferência por regimes políticos que enfatizam a ordem, sem entender – ou mesmo conhecer – outros aspectos fundamentais da posição política de direita, como a ênfase na liberdade política e a defesa do livre mercado.
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos








