Essa é uma semana difícil. Uma das pessoas que mais respeito e admiro, um cidadão brasileiro, carioca, morador do Rio de Janeiro, me disse que está indo embora. Suas palavras foram: “Roberto, estou de mudança para o exterior. Tenho dois filhos pequenos e desisti do Rio de Janeiro e do Brasil”.
Levei um choque. Essa pessoa – cujo nome não revelarei – é um dos maiores empreendedores do país, um fenômeno de criatividade, inteligência e habilidade em usar tecnologia para desenvolver novos negócios. Se ela vivesse nos Estados Unidos provavelmente teria alcançado projeção equivalente à de Elon Musk e seria conhecida em todo o mundo. Mas aqui tudo é difícil e complicado, tudo exige pedágio e paciência. Aqui, além de talento e trabalho duro – ou seria melhor dizer, no lugar de talento e trabalho duro – você precisa de muita sorte e dos amigos certos, e, ainda assim, coisas terríveis podem acontecer com você. Por isso meu amigo está partindo.
Querido amigo: eu lhe desejo todo o sucesso. Que Deus te abençoe e você prospere no lugar para onde está indo. Eu espero que um dia você possa voltar. Nesse meio tempo, reze pelos que ficam
Ele reuniu os filhos, a esposa e outros parentes e vão embora. Levarão na mala ideias, sonhos, projetos e oportunidades de investimento e criação de empregos. Ele leva muita coisa boa que poderia acontecer no Brasil, mas que agora vai acontecer no país para o qual ele vai se mudar. As coisas que ele criaria aqui agora serão criadas lá.
Não sei qual foi a gota d’água que o fez partir, mas não é difícil pensar em possibilidades. Pode ter sido um crime do qual ele, ou um familiar, foi vítima. O Brasil é um país que flerta com a possibilidade de se tornar um Estado dominado por facções. Pode ter sido insegurança jurídica: ninguém sabe quais leis valem hoje ou valerão amanhã, e ninguém sabe quando aquela jurisprudência tributária que seguimos há décadas ou anos será anulada, com cobrança retroativa de impostos. Vivemos um UFC jurídico.
A razão da partida pode ter sido o renascimento da censura. Dar uma opinião virou atividade perigosa. Pessoas são punidas por palavras com severidade desconhecida por traficantes e sequestradores. O Estado debocha dos seus servos, exigindo impostos cada vez maiores para bancar gastos sem controle. Como a arrecadação nunca mata sua fome, o Estado produz a inflação que corrói o dinheiro. O Estado interventor em tudo interfere, enquanto se nega a cumprir sua missão principal: proteger os direitos fundamentais. O direito de ir e vir, o direito de falar e o direito de propriedade se tornaram favores que o Estado brasileiro faz e que podem cessar a qualquer momento.
Pessoas de bem, cansadas disso tudo, compram uma passagem para um lugar civilizado e vão embora. Morei cinco anos nos Estados Unidos e nunca conheci um brasileiro que tivesse se mudado para lá e que não tivesse prosperado. Nos Estados Unidos não existe CLT, ninguém tem “carteira assinada” e as leis não determinam trinta dias de férias – mas as pessoas prosperam. Os americanos começam uma nova era. Trump chamou para si a missão de reduzir o Estado. Começa um ciclo virtuoso: um Estado menor estimulará a iniciativa privada, serão gerados novos empregos, os salários serão melhores e as pessoas vão comprar mais, o que criará mais empregos. Enquanto isso, no Brasil, discutimos ideias de 50 anos atrás e a lei é colocada, mais uma vez, a serviço dos poderosos. Os EUA avançam na repressão ao crime enquanto o Estado brasileiro continua oferecendo proteção quase sagrada aos criminosos.
Não sei por qual dessas razões meu amigo está indo embora do Brasil. Sei que ele vai e eu fico – desanimado com sua partida, mas trabalhando para que um dia o Brasil se torne um país decente, onde prosperaremos com nosso trabalho, livres dos parasitas criminosos e estatais.
Querido amigo: eu lhe desejo todo o sucesso. Que Deus te abençoe e você prospere no lugar para onde está indo. Eu espero que um dia você possa voltar. Nesse meio tempo, reze pelos que ficam.
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