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Não é de hoje. Há quem garanta que bar (também) é cultura. E informação. Tangido pelas circunstâncias, na tarde de sábado passado Natureza Morta viu-se obrigado a buscar refúgio no Bar VIP da Vila Piroquinha.
Chovia a cântaros – ou a píncaros, como preferia dizer e escrever um famoso colunista social do passado – e ventava pra chuchu. E eis que topa com o Beronha, que diz frequentar o distinto estabelecimento “só ocasionalmente todos os dias”. Nosso anti-herói de plantão estava acompanhado do professor Afronsius, outro cliente “ocasional, esporádico”.

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Dedo de prosa junto ao balcão

Conversando no escuro, posto que o vendaval não se limitou a inundações e quedas de árvores, Natureza contou ter testemunhado um contraste.
– Um simpático e sintomático contraste.
Ao comparecer ao açougue, enquanto aguardava a vez teve sua atenção atraída pela balança. Modernosa. Corria uma mensagem pela telinha: “Toledo do Brasil – alta tecnologia em pesagem”.
Ao receber o produto, alterou o recado: “700 gramas de linguiça Bizinelli”.
– Fantástico.
Diante da desinformação de Beronha, explicou ao nosso anti-herói de plantão que a linguiça Bizinelli era, foi e continua sendo uma das referências de Curitiba.
Foi em 1932 que Ângelo Bizinelli e a esposa criaram a fábrica de linguiças que leva seu sobrenome. Foi no bairro Campo Comprido. Em 1948, mudou a razão social, passando para Ângelo Bizinelli e filhos, virando Frigorífico Bizinelli. Como a qualidade dos produtos, o endereço continua o mesmo, Rua Maria Bizinelli, 530.

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A pomba (não a da paz)

Com a turma ainda no escuro, de olho no temporal, mas preocupada com a cerveja no freezer desligado, eis que uma pomba invade a bodega, buscando abrigo.
Alguém, preocupado, aproxima-se do trio.
Queria saber “como é mesmo o nome daquela doença transmitida pelos pombos?”.
Professor Afronsius, do alto do Himalaia de seus conhecimentos, soltou o verbo: de acordo com os médicos infectologistas, esses pássaros transmitem uma doença que pode matar.
– É a criptococose, transmitida por fungos (Cryptococcus neoformans) encontrados nas fezes secas, mas a doença é muito rara.
Diante do espanto do interlocutor, brincou:
– Mas temos ainda, a escolher: histoplasmose, salmonelose, ornitose, dermatites, alergias, toxoplasmose, sitacose e tuberculose avícola.
Como, a depender da chuva, a conversa iria longe, o solitário da Vila Piroquinha decidiu tirar o time. Tirou, não sem antes ouvir a cutucada de Beronha:
– É, com esse tempo a turma já vem e chega na água

ENQUANTO ISSO…