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Um dos tormentos (para muita gente) é o uso, ou emprego correto, da crase. Ou seja, a contração ou fusão de duas vogais idênticas em uma só. Derruba até imortais da ABL, Academia Brasileira de Letras. Tanto que o poeta Ferreira Gullar chegou a escrever:

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– A crase não foi feita para humilhar ninguém.

Mas, além da crase, há outros percalços quanto ao exercício da língua pátria.

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Com este cenário ao fundo, agora no caso a ABLAcademia Brasileira de Litros -, o Água de Valeta, amigo do Beronha, ficou feliz da vida, dia desses, ao ser classificado numa roda do boteco de asinino. Aliás, um baita asinino, para ser mais exato. Ele quis saber o real sentido do enfático elogio. Recorreu ao Beronha, que, de bobo, não tem nada. Passou o abacaxi para o professor Afronsius.

Este, adepto do provérbio chinês “Não dê o peixe, ensine a pescar”, recomendou ao Valeta que consultasse um dicionário.

– Não adiantou. Não achei nada.

– Nada? Qual dicionário?

– O Mini Aurélio…

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– Mini? Recorra ao Aurelião.

– Não, esse é muito grandão, recheado de letrinhas, pesado, cansativo, e até difícil de folhear…

O jeito foi retirar da estante o dicionário e dar o peixe. Frito, no capricho:

– Asinino. Adjetivo. De, ou pertencente ou relativo ao asinino, ou próprio dele. V. burro. S.m. Animal mamífero, da ordem dos perissodáctilos, equídeos, subfamília Asininal. São os jumentos, os mulos e os burros.

– Pombas! Uma palavra tão estranha que eu pensei que fosse um baita elogio. Vou dar o troco, chamando os caras de equídeos. Nas categorias ouro, prata e bronze…

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O jeito foi recorrer novamente a Ferreira Gullar:

– Como a crase, o adjetivo não foi feito para humilhar ninguém.

ENQUANTO ISSO…

 

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