1970 – Copa do Mundo, México. A imprensa brasileira faz o que pode para oferecer a melhor cobertura. Na época, apesar dos avanços, inclusive com a estreia da televisão com transmissão a cores, a disputa não era fácil, principalmente diante do aparato dos jornais do Rio e São Paulo.

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Mas, como se dizia na época, O Estado do Paraná lavrou um tento. Sob a batuta do jornalista Mussa José Assis, a equipe de esportes não deixou barato: convidou Djalma Santos para assinar uma coluna, comentando os jogos e as chances do Brasil.

Modesto e humilde como sempre, a princípio o lateral do Atlético Paranaense relutou: era muita responsabilidade e pouca, ou nenhuma prática o campo do jornalismo esportivo. Mas, diante da insistência, aceitou a missão. Tremendo sucesso.

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Djalma Santos, que tinha vindo para o Furacão de Jofre Cabral no ano anterior (formando dupla com Bellini), fazia anotações em casa, durante as partidas, e mandava as laudas manuscritas para a redação do jornal, já nas Mercês. Um redator burilava o texto e da máquina de escrever Olivetti saía a coluna do maior lateral-direito do mundo e um dos melhores jogadores de todos os tempos.

Suprema glória

Aniversário do jornal. Como mandava a tradição, havia uma festa de confraternização. Com torneio de futebol, é claro. Para enfrentar o time dos gráficos, do pessoal das TVs Iguaçu e Tibagi e da Rádio Guairacá (depois Iguaçu), do setor administrativo, da expedição, da diretoria e das sucursais, a redação esnobou.

Foi a campo com Djalma Santos – e mais 10. Houve reclamação:

– Djalma? Isso é covardia…

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Assim, os privilegiados jornalistas tiveram a honra, mesmo cabeças-de-bagre, de jogar ao lado do craque. Para esquentar ainda mais as partidas, houve uma decisão por pênaltis. Não é preciso dizer quem foi o escalado para executar as cobranças do time da redação. Nem qual foi o resultado.

Um dos goleiros adversários, o Miudinho, fez o que pôde, mas sem a mínima chance de sucesso. Na saída, porém, até comemorava do alto de seu corpanzil com quase 1,80 metro:

– Levar gol do Djalma Santos é uma honra.

Duplo motivo de orgulho

Djalma Santos entrou para a história do futebol ao conquistar o bicampeonato Mundial pela Seleção Brasileira em 1958 e 1962. Atuou no Atlético durante três anos, de 1969 a 1971, e conquistou o Campeonato Paranaense em 1970.

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Mas não escondia outro motivo para alegria:

– Fizemos bonito no futebol de pelada do jornal.

E assim, aos 84 anos, na terça-feira, partiu Djalma Santos, com seu ímpeto de gladiador e olhar de menino.

ENQUANTO ISSO…

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