
Bom, ninguém havia perguntado a minha opinião e eu resolvi não dizer nada, então o assunto meio que morreu e eu esqueci o que iria dizer aqui. Sorry!
Mentira, eu lembro: era sobre a proibição dos livros do Eisner nas escolas públicas. Olha, mais obsceno do que um livro de história em quadrinhos, com suas meia-dúzia de palavras e imagens “impróprias”, é a censura a um livro. Qualquer livro, qualquer livro que se proponha a discutir ideias, que mostre um universo diferente daquele que estamos habituados, qualquer livro. Até a biografia do Fresno. Censura e ignorância é que deveriam servir de exemplo de atitudes e comportamentos a não serem seguidos. A hipocrisia é a coisa mais obscena nessa história toda.
No mais, eu mesmo sou um exemplo vivo de que ler revistas em quadrinhos adultas não vai tornar a criança um ser destrambelhado. Bem, talvez um pouquinho. No máximo elas viram cartunistas. Vejamos: aos 12 anos comecei a ler Chiclete com Banana. Tomei contato com palavras como swing, suruba, heroína, uísque, corrupção e políticos bananas.
Agora que sou adulto, NÃO faço swing (desculpe aí, pessoal), não pratico suruba (nunca fui convidado), não uso heroína, não bebo uísque (no máximo vinho), não sou corrupto e odeio políticos bananas. Especialmente aqueles que se acham no direito de dizer o que os outros devem ler. That’s it.
Legal, um site que permite você fazer tiras em quadrinhos sem saber desenhar.
É o WittyComics. Fiz mais algumas coisas aqui.

Eu tenho Homer no coração
Desde quando vi pela primeira vez um episódio de Os Simpsons, nas distantes manhãs de domingo, nos anos 90, quando a Globo começou a exibir a série no Brasil. Lembro que fui conquistado com uma paródia de Os Flintstones que eles fizeram: na abertura de um episódio, Homer sai do trabalho correndo para o carro, exatamente como Fred Flinstone (seu antecessor natural) cantando “Homer, Homer Simpson/ ele é o maior sujeito da história/ da cidade de Springfield/ e está quase batendo na castanheira/D’uh…” até seu carro se espatifar numa árvore.
Depois disso Os Simpsons nunca mais saíram de minha vida. Cada episódio é uma pequena obra-prima quase ilimitada de referências, paródias, citações e um tipo de humor que une o melhor de Woody Allen, Monty Python, Apertem os Cintos o Piloto Sumiu e Mel Brooks. Como não gostar de um desenho em que mostra o seguinte diálogo?
– Prazer, eu sou Michael Jackson, dos Jacksons.
– Prazer, eu sou Homer Simpson, dos Simpsons.
Enfim, Os Simpsons representam tudo o que eu gostaria de poder fazer: humor inteligente e crítico, acessível e engraçado. Eu daria um braço para criar frases como estas, que os roteiristas botaram na boca do Homer:
“Tentar é o primeiro passo para o fracasso”.
“Eu não devia estar dirigindo…. espera um momento, eu não tenho que me dar ouvidos: eu estou bêbado!”.
“Deus, porque tenho que gastar duas horas do domingo na Igreja, ouvindo as diferentes maneiras que irei para o inferno?”.
“E pelo menos se as paredes falassem, as pessoas iriam pagar para ver minhas paredes falantes!”
O que Shakespeare estaria fazendo se estivesse vivo hoje em dia? Alguém respondeu que escrevendo roteiros para Os Sopranos. Eu discordo. Para mim, ele certamente optaria pelos Simpsons. Bem, no final das contas, o que importa é o que o Homer pensa disso: “Desenhos são apenas uns rabiscos estúpidos feitos para você dar umas risadas baratas”. Eu amo rabiscos estúpidos feitos para dar umas risadas baratas.
(texto publicado na Gazeta do Povo)
Ei, participo da últma edição da Revista Inventa. Quer fazer o donwload dela? Clica aqui!
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