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Samia Marsili

Samia Marsili

Saúde mental

Contra a ansiedade ou o “burnout”, busque saúde e salvação

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Brasil está entre os líderes mundiais em casos de depressão, ansiedade e burnout. (Foto: Imagem criada utilizando Google Flow/Gazeta do Povo)

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“Não, as coisas não vão bem lá em casa...” Ouçamos a voz de uma pessoa comum, de qualquer um de nós, ou de um dos nossos amigos e conhecidos.

“Pois é, meu chapa. Eu tenho me sentido extremamente cansado, exausto mesmo, de um cansaço que nem mesmo uma longa noite de sono é capaz de curar. Não importa quanto eu durma! E olha que já tem um tempo que eu venho caindo pelas tabelas, me recostando em qualquer canto, sempre com vontade de deitar e pronto a tirar um cochilo.”

E, embora algumas pessoas não sejam capazes de se expressar com muita precisão, se pudessem, diriam também algo como: “O que eu vivo é, na verdade, uma exaustão emocional profunda. Eu me sinto sempre julgada, perseguida, criticada. Sinto uma tristeza difusa, como se, em qualquer momento do dia, eu estivesse no lugar errado ou fazendo algo de errado. Então, para me defender, começo a tratar as pessoas e as minhas próprias tarefas, domésticas e profissionais, com um certo cinismo, descontando nelas uma vingança por ser tão pressionada. Afinal, no fim das contas, nada basta mesmo. Não me realizo mais nem sou eficaz no meu desempenho”.

Outras pessoas, homens ou mulheres, poderiam expressar-se assim: “Eu olho para a minha vida e parece que não consigo me encaixar nela. Parece que sou um personagem na peça errada, que essa vida não é ou não deveria ser minha: essa rotina, essa casa, esse emprego, essa esposa ou esse marido, esses filhos! De repente, eu me vejo aqui em meio a tudo isso, mas ontem mesmo eu... eu não sei como eu vim parar aqui”.

E também: “Estou sempre irritada. A pressão é muito grande, eu não aguento, não aguento não poder parar um segundo sequer. Meus filhos parecem estar sempre dificultando o andamento das coisas, não me obedecem, se dispersam, desfazem o que eu havia acabado de fazer... Eu sinto uma desconexão emocional completa, e isso me faz sentir sozinha, sem quem me ouça, sem quem me compreenda, sem quem me ajude – talvez eu devesse voltar para a terapia? talvez iniciar o tratamento com o remédio? –, e isso me leva às vezes até a pensar, meu Deus!, meu Deus!, que a minha vida não vale nada, que era deveria acabar logo. Eu não vejo mais nenhuma luz, nenhum caminho aberto para melhora, eu não tenho mais... esperança”.

O Brasil tornou-se um caso curiosíssimo de uma grande epidemia de burnout e ansiedade

Grave. Preocupante. E pensar que isso está acontecendo ao nosso redor, com pessoas que nós amamos, e que, na verdade, quero dizer, objetivamente, são repletas de bênçãos dos Céus, vivem uma vida materialmente confortável e estável... Não deveriam, em tese, estar sofrendo tanto. Ou pensar que isso esteja acontecendo conosco mesmos, e talvez estejamos demorando a nos dar conta do problema, ou a compreender sua anatomia.

Esta é, aliás, a primeira ilusão a ser desfeita, o primeiro engodo que precisa ser decifrado para que alguma coisa possa ser feita a essa situação. Admitir esse quadro, aceitar a sua existência, para assim podermos olhá-lo de frente, analisá-lo, buscar suas causas e seus remédios, este é o primeiríssimo passo. E isso exige driblar, muitas vezes, o próprio sentimento de culpa e de autocobrança excessiva que ele mesmo traz em seu bojo – e por isso é tantas vezes necessária a ajuda de um observador externo, de uma pessoa que nos ajude a enxergar, seja o cônjuge, uma amiga ou um profissional. Olhar de frente e admitir que uma tal situação se instaurou significa, muitas vezes, como eu disse, compreender que isso não é sinônimo de ingratidão.

“Eu não deveria me sentir assim, já que eu tenho um esposo maravilhoso, que é trabalhador e carinhoso comigo, e tão companheiro e compreensivo etc., e filhos lindos e perfeitos, saudáveis, inteligentes, e que levo uma vida confortável, nesta casa boa, comendo boa comida, numa cama quente próxima a um chuveiro quente, ao passo que tanta gente enfrenta tantas dificuldades maiores, e doenças, e a pobreza, e a solidão, e...”

Bem, pois então, esta é a primeira saudável constatação: este é o problema que você enfrenta, e você pode chamá-lo de “sua doença”, se preferir (não entro aqui em dificuldades profissionais desnecessárias, faço uma generalização). Dentro da sua circunstância, é isso o que você precisa enfrentar, resolver, deslindar, sanar. Diz o velho ditado que “cada um sabe onde seu calo aperta”. Isso não é ingratidão ou capricho com relação ao que há de bom em sua vida, ao contrário: é um modo objetivo de olhar para ela e de bem vivê-la. Ignorar o problema é fazê-lo perdurar mais no tempo – nada bom.

Ora, o Brasil tornou-se mesmo um caso curiosíssimo de uma grande epidemia de burnout e ansiedade. Segundo os órgãos de pesquisa, o Brasil é o país mais ansioso do mundo, o segundo no número de casos de burnout (perdemos para o Japão) e o quarto país mais estressado do mundo. Por quê? Bem, há uma porção de teorias e hipóteses, advindas de observações recortadas desde os mais variados pontos de vista: condições de trabalho adversas ou precárias, a pobreza e as dificuldades sociais, a pressão da economia instável e dos impostos, os hábitos sedentários e o consumo excessivo de açúcares e gorduras, tensão gerada pelo crime e pela violência urbana, desestruturação social e emocional, a diluição das relações familiares e relacionamentos duradouros, exposição massiva à propaganda e aos algoritmos das redes sociais.

É fácil admitir que todos esses fatores são verdadeiros, e pior, que eles se entrelaçam e se articulam, às vezes um sendo causa do outro, e alimentando-se retroativamente, formando um quadro geral da vida comum brasileira que não é nada bonito.

E algum deles é causa primeira, o foco número um, gerador dos demais, o vilão inconteste do estresse, do esgotamento e da ansiedade? O Brasil tem, no fundo, um problema só? Não sei. Creio que não, visto ser geralmente ingênua e redutora essa busca por um simples culpado. Seja como for, o objetivo deste artigo não é investigar nem muito menos concluir qual seja a causa fundamental. O que desejo, digo desde logo, é observar dois caminhos que geralmente se toma, e que são também redutores e ineficazes para uma melhora na nossa situação particular, concreta, de falta de esperança e angústia dessa ordem de coisas.

Há dois extremos, duas concepções ou visões de mundo que não me parece incorreto chamar de fundamentalistas, se entendermos esta palavra como a atitude de quem toma algumas proposições e as assume como absolutas; proposições que, embora possam ser verdadeiras em si mesmas, precisariam ser amparadas por um contexto mais amplo, e matizadas, entendidas no contato com cada situação particular e concreta – o que não as torna menos verdadeiras, ao contrário, permite captar a sua verdade. E quais seriam essas duas concepções?

A primeira, a de que todos os nossos problemas são corporais e químicos. Essa concepção advém de algo chamado, em outros cenários, de cientificismo. Essa concepção aproxima o ser humano dos animais e, como afirmava, por exemplo, Freud, seus desejos seriam pulsões animais sofisticadas, quase nada além disso. Para quem enxerga o ser humano dessa forma, a resposta imediata a uma mãe ou pai de família que esteja vivendo uma situação parecida com aquela que descrevi no início é, em suma: “É claro que você está assim, não está tendo prazer”. “Corra imediatamente ao psiquiatra para que ele lhe receite um bom remédio, sem muita prosa. Tem que tomar, todo mundo toma!” Ou: “Realmente é uma tolice ter tantos filhos, ninguém te avisou? Nossa, e com tantos métodos hoje em dia... É preciso terceirizar. Dê-se alguns luxos, é preciso ter prazer. Se sua mulher, seu esposo, não te compreende e não te valoriza assim, talvez seu relacionamento tenha acabado mesmo. Não é errado partir para outra...”

Essa resposta fácil – o problema é o corpo, é preciso ter saúde e prazer – desconsidera inteiramente aspectos e camadas mais elevadas e, ao mesmo tempo, mais profundas do ser humano. Somos animais, mas não apenas animais: somos um animal distinto entre todos, um que tem um espírito imortal, como o têm os anjos.

O extremo cientificista julga que todos os nossos problemas são corporais e químicos, e que a resposta para eles é buscar o prazer

Nossa dignidade é inteiramente superior, e isso nos coloca em situações em que, embora a cultura moderna e contemporânea o tenham esquecido, podemos escolher livremente ir contra o nosso prazer, o nosso desejo, a nossa alegria mais imediata, podemos negar a sacrificar a nossa própria saúde (e em última instância nossa vida mesma) em prol de um objetivo mais elevado – no contexto de um caminho espiritual de vivência intensa, como sempre fizeram os religiosos, ou no contexto de um serviço e de um sacrifício pelo bem do próximo, como vivem muitos sacerdotes e como vivemos, neste contexto tão conhecido de todos nós, os pais e mães de família. Não, nem sempre a resposta é que precisamos atender a algum desejo do nosso corpo, e mesmo um justo e sensato apelo da saúde. Em alguns casos, considerando os nossos propósitos e objetivos que transcendem o corpo e este mundo, aquilo de que nós precisamos é de mais oração, de mais meditação, de mais luz sobrenatural que nos faça enxergar o que é invisível e nos dê consolo e força para enfrentar os desafios.

Muito bonito. E tudo isso é verdadeiro, é mesmo. Mas, ai!... Não é justamente essa resposta que encerra, em si, o germe da outra concepção, do outro fundamentalismo? Não é novidade o que vou dizer em seguida; mas talvez seja urgente chamar a atenção para este ponto, para aliviar a carga de muitas famílias.

O outro fundamentalismo simplista que responde a essa nossa angustiante situação de hoje em dia é uma espécie de “angelismo”, de ignorância do corpo, de pouco caso para com as limitações dos pobres mortais, e um achatamento de todos os suportes intermediários para o nosso sucesso, mesmo como pessoas de oração. A pessoa está comendo mal, dormindo muito mal ou quase nada, sobrecarregada de tarefas domésticas e profissionais, isso já prejudicou a tal ponto seu humor que ela não consegue mais se conectar consigo mesma, com seu companheiro ou companheira, nem mesmo com amigas ou amigos – que dirá com Deus? Ela está esgotada, quem sabe esteja de fato desregulada quimicamente, e ocorre que seu espírito imortal não existe sem o corpo, porque não somos anjos, somos também animais.

Entretanto, a resposta que muita gente dá a essa situação (e por vezes com boa intenção, de modo algum o rejeito) é tão somente: “Reze mais. Tenha confiança. Sacrifique-se. Tem recitado o terço todos os dias?” Não, a pessoa está num ponto em que é incapaz de simplesmente convencer-se de que deve tomar o terço ou a Bíblia na mão. Aos seus olhos, já nada faz sentido. Como dizia o teatrólogo francês Jacques Copeau, “para o ator, doar-se é tudo. Mas, para doar-se, é preciso primeiro possuir-se” – e aqui podemos simplesmente trocar ator por ser humano, com proveito.

Para fazer sacrifícios e doações no nosso estado de vida, é preciso possuir-se, é preciso estar capaz de, por assim dizer, interagir com nossa dimensão corporal. E para algumas pessoas exaustas, estressadas, em situação de burnout ou extremamente ansiosas, deprimidas, ou para alguns que talvez estejam realmente depressivas, digo clinicamente depressivas, nada vai funcionar enquanto ela não sanar as necessidades básicas do seu corpo. Do contrário, será como ensinar latim a quem está faminto e gravemente desnutrido.

Alguns, inclusive, supõem causas sobrenaturais mais graves, como ataques demoníacos, obsessões e infestações. O cientificista vai rir dessas coisas, como absolutamente inexistentes, fruto da fantasia religiosa. O outro fundamentalista, porém, o desse “angelismo” contemporâneo, vai desde logo estar muito certo do pior, e conectar toda depressão a uma opressão diabólica. O bom senso, este que estou propondo aqui, é a ponderação da situação particular.

Para nós, cristãos (amparados, diga-se de passagem, numa massa de fatos e evidências quase impossíveis de contestar), o Diabo existe? Sim, existe. E existem, segundo nos ensina a teologia, essas formas de ação demoníaca: a opressão, a obsessão, a infestação, e até mesmo a possessão? Sim, existem. “Oh, mas é verdade?!” Lamento, sim, elas de fato existem. Mas são comuns, acontecem todos os dias, em toda parte, com todo mundo? Não. É a própria teologia, e é a mesma experiência dos padres exorcistas que nos informam do contrário: essas ações são raras, especialmente porque colocam o agente maligno em evidência, e dão certeza da sua existência. O medo pode fazer as pessoas se converterem e correrem para o socorro do Salvador. O melhor embuste do demônio é deixar crer que ele não existe.

A ação ordinária dos agentes demoníacos é sutil e insistente: é a tentação, é a manipulação que visa a nos conduzir ao orgulho, ao egoísmo, e também ao tédio, ao desgosto, à tristeza. Não devemos excluir essa ação, e é verdade que devemos estar sempre em guarda espiritualmente, e rezar com fé firme para que esses inimigos se afastem de nós e de nossa família. Mas devemos lutar contra o mal com todas as armas de que dispomos, e não dar sopa para o adversário. Quero dizer, é preciso cuidar da saúde e do corpo, e de disposições básicas que, se negligenciadas, nos fragilizam também espiritualmente.

É preciso ter em conta, como pano de fundo, que o ser humano é essa criatura intermediária, o centro da Criação, e que, como um microcosmo, ampara em si mesmo pelo menos esses três grandes níveis ou patamares de existência: o corporal, o psíquico e o espiritual. E que, verdade seja dita, esse equilíbrio é muito difícil. Não à toa diz a tradição que, aos nossos primeiros pais, Adão e Eva, o Senhor Deus havia dado dons preternaturais, de integridade, para que esses níveis fossem neles ordenados; e pela mesma razão devemos nós, cristãos, viver sob os influxos da graça habitual.

Essa compreensão de que o ser humano vive simultaneamente nesses três planos é muito antiga, e remonta particularmente ao filósofo grego Aristóteles e, depois, ao seu grande discípulo e continuador, o sábio Tomás de Aquino. O estudo da física, da psicologia e da teologia, para esses filósofos, era uma espécie de mapeamento profundo, de descrição dos limites e interações entre esses planos. E, hoje, os avanços científicos e a massa de informações que esses estudos nos trazem ajudam ainda mais a corroborar e a explorar essas relações (e não à toa há toda uma corrente de pensamento neoaristotélica-tomista que dá muito fruto dentro da ciência, e praticamente salva a própria ciência de desentender-se de si mesma).

É muito curioso que as nossas palavras saúde e salvação tenham uma profunda ligação etimológica entre si, numa origem latina comum. Salvar é “tornar são, preservar”

Reparem que o ser humano carrega em si a vida mineral, a vida animal (que busca o prazer e foge da dor, que quer perpetuar a espécie etc.), mas também a vida espiritual partilhada com os anjos, dotados como somos de uma inteligência capaz de captar as essências imateriais das coisas e de uma vontade livre capaz de agir para o bem o para o mal, capaz de amar e odiar. Só que, em nós, e somente em nós, humanos!, esses níveis se interpenetram. Há uma zona intermediária difícil de definir, em que os humores e impulsos do corpo alteram nossos pensamentos, às vezes nossos sonhos. O nosso cérebro é como um limite do corpo, em que a química influencia a alma, mas também a alma influencia a química retroativamente, e nossas atitudes mentais podem amoldar o corpo. Nossas escolhas espirituais francamente rebatem-se em nossa psique, plasmando sentimentos e emoções. E os sentimentos e emoções, provocados por meio do corpo (com a música, por exemplo), nos predispõem a ações espirituais, da inteligência ou da vontade, para o bem ou para o mal. As redes sociais, por exemplo, afetam nossa química cerebral ativando mecanismos animais de caça e recompensa, mas fisgam-nos com interesses culturais, de gostos, hábitos, e às vezes com temas pretensamente espirituais e, enfim, têm consequências em todos os âmbitos. É um jogo complexo e dinâmico, a vida humana, que uma visão ingenuamente “holística”, incapaz de distinguir a natureza de cada patamar, também só torna mais confuso. Jogo complexo e dinâmico, a vida humana!

É muito curioso que as nossas palavras saúde e salvação tenham uma profunda ligação etimológica entre si, numa origem latina comum. Salvar é “tornar são, preservar”, e a tradição chama Jesus Cristo, de fato, de “médico da alma”. Lembra-nos também o velho provérbio latino, segundo o qual “mente sã em corpo são”. E é curioso como São Paulo distingue, mais de uma vez em suas cartas, a carne do corpo. “As obras da carne são manifestas: fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, feitiçaria, inimizades, contendas, ciúmes, iras, rivalidades, dissensões, facções, invejas, bebedeiras, orgias...” (Gl 5, 19-21). Mas o corpo, “não sabeis que é templo do Espírito Santo, que habita em vós, que recebestes de Deus? [...] Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo” (Cf. 1Cor 6, 19-20).

O termo carne designa a natureza decaída do ser humano. E os desejos da carne, que contradizem as aspirações do espírito, estes sim devem ser combatidos, transformados, regenerados em nós. E nesse sentido entregamos a natureza corrompida em sacrifício, fazendo mais do que gostaríamos de suportar, doando-nos, ou jejuando – ou, considerando o caso extremo, entregando-nos em martírio, se necessário for. E isso tem sentido. Mas o corpo, que recebemos de Deus, o corpo é o templo do Espírito, e será também salvo e ressuscitado no último dia. E por isso merece respeito e cuidado – e essa sapiência contribui com o espírito.

É preciso ponderar todos os fatores. É preciso ter um grande bom senso, uma grande prudência na ordenação das causas. É preciso clemência com nossos maridos e esposas, que não são os grandes santos das biografias e dos filmes. É preciso considerar com muita objetividade o estado de exaustão, de esgotamento, talvez de ansiedade, depressão, burnout, estresse extremo. Nós ou os membros da nossa família podem estar entre os que fazem do Brasil um campeão nesses rankings, afinal. É preciso rezar, sim, é absolutamente necessário ter sentido espiritual, ter senso transcendente para qualquer coisa em nossa vida. Inclusive é preciso compreender que, muitas vezes, a mão salvadora de Deus ou a Sua vontade esteja justamente na humildade de pedirmos ajuda, de procurarmos um profissional competente e igualmente ponderado que nos dê suporte numa situação de recuperação. É preciso dormir, comer bem, exercitar-se, e se essas coisas são ontologicamente menos nobres do que meditar, rezar e jejuar, nem sempre são praticamente menos importantes, pois podem ter-se tornado condições concretas para as segundas. São contingências necessárias.

Nem cientificismo, nem angelismo: a busca prudente e serena de quem, “de todas as coisas, toma o que é bom e rejeita o que não presta”.

Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

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