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Ela não gosta da alcunha de “Paulo Guedes de Saias”, mas Daniella Marques é percebida por líderes políticos e pelo mercado financeiro como a ministra da economia em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL), retomando a agenda liberal de PG, seu mentor e ex-ministro de Jair Bolsonaro (PL).
Anteriormente cotada para ser a vice na chapa de Flávio, Daniella segue como figura presente ao lado dele na corrida presidencial. Seja em eventos de campanha, na mídia e nas redes sociais, ela se apresenta na condição de formuladora e porta-voz dos planos econômicos do candidato da direita.
Na voz dela, propostas de cortes de gastos se mesclam com promessas de incentivo à mobilidade social por meio do empreendedorismo, sobretudo de mulheres. Seu protagonismo consolida função desde junho, quando Flávio chamou Dani, como ele a trata, para coordenar seu plano de governo.
Ex-braço direito de Guedes, Daniella assume na campanha de Flávio papel semelhante ao de “Posto Ipiranga” de Jair em 2018, embora ela rejeite comparações. Fora da vice após a escolha de Alfredo Gaspar no começo do mês, segue cotada para a Economia ou Casa Civil, como gerente do governo.
Plano promete duro ajuste de R$ 190 bilhões nas contas públicas da União
A função de “Posto Ipiranga” se confirmou com o início da campanha. Flávio mostra que tem equipe e projeto para enfrentar dívida pública recorde, rombos fiscais crescentes e baixo crescimento. Daniella é a tradutora dessa plataforma para os agentes econômicos e para o eleitor comum.
A proposta de maior impacto apresentada por Daniella é reduzir despesas em 1,5% do PIB, algo próximo de R$ 190 bilhões. A equipe pretende ainda alterar a governança fiscal, estabelecendo mecanismos que controlem a trajetória da dívida e imponham maior disciplina ao crescimento dos gastos.
O desenho inclui a adoção do chamado orçamento base zero, pelo qual despesas seriam reavaliadas em vez de simplesmente reproduzidas a cada exercício. Daniella também defende reduzir a máquina administrativa e rever gastos, cargos e privilégios antes de mexer em políticas aos mais pobres.
Outra frente é melhorar a gestão dos ativos da União. Entre as ideias estão securitização da dívida ativa, exploração do patrimônio imobiliário federal, concessões com o setor privado. O objetivo é converter o patrimônio ocioso e os créditos a receber em recursos para reorganizar as contas públicas.
Com carreira no mercado financeiro, Daniella assessorou Paulo Guedes
Administradora pela PUC-Rio e especialista em finanças, Daniella Marques fez carreira no mercado financeiro e trabalhou com Paulo Guedes antes de acompanhá-lo no governo Bolsonaro. Foi assessora especial, secretária de Produtividade e Competitividade e, em 2022, presidente da Caixa.
Filiada ao Republicanos, agregou dimensão política ao perfil técnico e virou ponte com empresários e a centro-direita. Mãe e dona de casa, também busca traduzir a economia para o cotidiano das famílias, tratando de inflação, juros, renda, emprego, supermercado, escola e contas mensais.
Um movimento recente reforçou a condição de Daniella como chefe do núcleo econômico. Flávio incorporou à equipe Adolfo Sachsida, ex-ministro de Minas e Energia e ex-secretário de Política Econômica de Paulo Guedes. Sachsida trabalhará na equipe econômica sob o comando de Daniella.
Também vieram para o grupo o economista Adriano Pires e o advogado Alexandre Chequer para as áreas de energia e infraestrutura. Para formular propostas dirigidas às mulheres, foram incorporadas Carolina Ragazzi, ex-vice-presidente do Goldman Sachs no país, e a ativista Lyvia Montezano.
Daniella nega ter recebido convite para comandar a Economia, mas já ocupa politicamente parte desse espaço na campanha. Se chegar ao cargo, seria a segunda mulher a chefiar a equipe econômica, após Zélia Cardoso de Mello, cujo traumático Plano Collor não conseguiu estabilizar a economia.

Jornalista de política e economia com foco na cobertura do Congresso Nacional. Passou pelos jornais Diário do Comércio (MG), Gazeta Mercantil, Estado de Minas, Brasil Econômico, Correio Braziliense e A Tarde (BA). **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.




