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Sílvio Ribas

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Eleições 2026

Flávio reafirma compromisso com o fim da reeleição para reforçar a votação e alianças

Flávio Bolsonaro participou da convenção da Federação União Progressista em São Paulo ao lado de Tarcísio de Freitas em julho.
Flávio Bolsonaro participou da convenção da Federação União Progressista em São Paulo ao lado de Tarcísio de Freitas em julho. (Foto: Caiuá Maia/Divulgação Campanha Tarcísio)

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Flávio Bolsonaro (PL) reafirmou nesta quinta-feira (8) que quer ver aprovada pelo Congresso uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para acabar com a reeleição presidencial, válida já para o próprio mandato, caso vença. A promessa favorece aliados interessados em buscar a Presidência em 2030 e tenta reduzir resistências de eleitores à continuidade familiar no poder.

Apoiado por dirigentes do Centrão após vencer o primeiro turno, o senador promete empregar o capital político de uma vitória definitiva para aprovar a mudança. Dizendo querer disputar “o futuro do Brasil e não o poder”, ele indica renúncia à possibilidade de recondução ao cargo após o primeiro mandato como compromisso com a alternância e com o fim do “estatuto que provou não dar certo no país”.

A iniciativa de Flávio aconteceu antes da oficialização de sua candidatura neste ano. Apresentada em 2 de março, a PEC 4/2026, de sua própria autoria, impede a candidatura imediata do presidente para um segundo mandato. O texto resguarda os quatro anos de mandato e não estende a proibição a governadores e prefeitos, reduzindo focos potenciais de resistência entre os aliados. Ele ressalta que a decisão é do Congresso.

Há diferença entre a proposta protocolada e o compromisso renovado a dias do segundo turno. A PEC dele não traz veto específico a familiares. Flávio passou a defender a restrição a parentes até terceiro grau, ponto que dependerá da redação negociada com deputados e senadores, dos quais seu eventual governo terá maioria, sem vir como algo previsto.

Caminho aberto para 2030 aproxima Flávio de Tarcísio e do Centrão

O gesto procura organizar a sucessão dentro da direita. Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito governador de São Paulo, poderá disputar o Palácio do Planalto em 2030, ao concluir o segundo mandato como governador. Em setembro, ambos prometeram apoio mútuo mesmo sem qualquer acordo público anunciado envolvendo a chance de Flávio buscar a reeleição após eventual vitória.

A sinalização ganhou força com o apoio do Republicanos, anunciado na quarta-feira (7), após articulação de Tarcísio. O Podemos aderiu nesta quinta-feira (8) à campanha de Flávio, ampliando o arco que inclui a Federação de União Brasil e PP. A abertura da sucessão aproxima projetos pessoais e partidários da candidatura à Presidência. O acordo ainda espelha o recuo do Centrão na nova Câmara.

Por fim, ao excluir familiares da sucessão, Flávio anula uma declaração de Valdemar Costa Neto, presidente do PL, que aventara a volta de Jair Bolsonaro ao Palácio do Planalto em 2030. A resposta procura afastar a leitura de que o mandato do filho seria apenas uma passagem de bastão, embora essa restrição ainda precise estar expressa em uma lei.

Mandato único oferece argumento para reformas, mas exige garantias

A promessa do fim da reeleição enfrenta o desgaste causado por precedentes. Jair Bolsonaro admitiu abrir mão da reeleição, mas concorreu em 2022; Lula disse na campanha que governaria por um mandato e voltou à disputa. Flávio tenta diferenciar um compromisso ao vinculá-lo desde já a uma mudança constitucional efetiva.

Na economia, o programa de Flávio associa o mandato único à liberdade para enfrentar com firmeza e determinação graves problemas estruturais sem calcular ganhos eleitorais imediatos. A tese pode favorecer um ajuste fiscal duro: o presidente assumiria o desgaste de medidas impopulares sem medir esforços e sem preparar a campanha própria à reeleição.

A ausência de candidatura em 2030 poderia ampliar a disposição para enfrentar resistências em 2026. Ela não elimina, porém, a pressão de aliados, que seguirão disputando eleições e podem resistir ao custo político dos cortes.

O teste será converter o discurso em regra: uma PEC exige o apoio de 308 deputados e 49 senadores, em dois turnos em cada Casa. Flávio admite discutir a duração do mandato e deixa em aberto a extensão da PEC a governadores e prefeitos. Para conquistar indecisos, precisa esclarecer o alcance da mudança e provar que a renúncia não virá acompanhada de compensações.

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