Publicidade
Sílvio Ribas

Sílvio Ribas

Investigações da PF

Lulinha estabelece o modelo de tráfico de influência e de corrupção no governo Lula

Advogado de Lulinha afirma que acusações de Roberta Luchsinger contrariam depoimentos prestados às autoridades; empresária pretende fazer delação premiada
Advogado de Lulinha afirma que acusações de Roberta Luchsinger contrariam depoimentos prestados às autoridades; empresária pretende fazer delação premiada (Foto: EFE/Fernando Bizerra Jr./Arquivo; Ricardo Stuckert/PT)

Ouça este conteúdo

A atuação dos amigos Roberta Luchsinger e Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, pode descrever o esquema padrão para facilitar negócios obscuros com o atual governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Seus detalhes mostram uma rede que alia relações pessoais com nenhuma transparência.

Diálogos captados pela Polícia Federal (PF) revelam que acessos ao governo eram pagos com dinheiro vivo, beneficiando o ex-chefe de gabinete presidencial, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. A PF investiga Lulinha em três inquéritos focados em tráfico de influência, cannabis medicinal e serviço de tecnologia.

A principal suspeita envolve tentativa de favorecer Antônio Carlos Antunes, o Careca do INSS, em contratos na Saúde que somariam R$ 627 milhões em medicamentos. Mensagens mostram Roberta pedindo agendas oficiais com autoridades enquanto fazia pagamentos de contas pessoais para Marcola.

A defesa alega que os valores eram empréstimos pessoais quitados, sem intermediação ou favorecimento para entes privados. Roberta relatou à CNN Brasil uma rotina de reuniões de Lulinha com ministros do governo e até o curioso expediente deles de recorrerem a ela e ao amigo para ter acesso direto a Lula.

Encontros informais em mansão se juntam a agendas em ministérios

A dinâmica mediada por Marcola revela um canal informal de negociação no coração do poder federal, cuja legalidade e trocas de favores são apuradas. As reuniões ocorriam numa mansão no Lago Sul, em Brasília. Visitantes adotavam codinomes e o contrato do imóvel foi assinado por um terceiro.

A operação encabeçada por Lulinha tem paralelos às relações do Banco Master com Lula. O presidente recebeu o banqueiro Daniel Vorcaro fora da agenda oficial no final de 2024, encaminhando demandas ao Banco Central. Esse trânsito livre reforça as suspeitas de privilégios para o setor privado.

O interesse do grupo nas grandes verbas da Saúde repete também o modus operandi de escândalos passados, como a Operação Sanguessuga, de 2006, que fraudou compra de ambulâncias. A PF mapeia se a estrutura atual usa os mesmos métodos de pressão política para a liberação de verbas públicas.

Na arena política, a ala governista no Congresso agiu para conter os danos. Em dezembro de 2025, a CPMI rejeitou a convocação de Lulinha por 19 votos a 12. Logo depois, em março, o Supremo Tribunal Federal (STF) sustou quebras de sigilo aprovadas em bloco, com clara blindagem de autoridades.

Delação de Roberta pode acelerar investigações que têm poupado Lulinha

Lulinha mudou-se para Madri, na Espanha, de forma definitiva em junho de 2025. Roberta, alvo de inquéritos da PF no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura fraudes e desvios bilionários no INSS, cumpre medidas cautelares da Justiça que exigem que ela use uma tornozeleira eletrônica.

Lulinha nega as acusações e afirma que os seus contatos com ministros são estritamente pessoais. Os seus advogados sustentam que as declarações de Roberta à imprensa contradizem depoimentos oficiais. O Palácio do Planalto declarou que Lula não sabia das ações e que o governo não tem contratos com os investigados.

Questionado, o presidente reagiu de forma incisiva, classificando Roberta de “mentirosa” e “pilantra”, mesmo ela tendo integrado o círculo familiar dos Lula da Silva. Ela diz que Lula se provou “covarde” e “mau caráter” para proteger Lulinha e que os gestos dele ameaçam a vida dela e das filhas.

O clima de desconfiança evoca as investigações da Lava Jato sobre repasses ao Instituto Lula e a ocultação de patrimônio por terceiros. Mesmo com as anulações de condenações anteriores pelo STF devido a falhas processuais, os novos inquéritos desgastam profundamente a imagem ética do governo.

O desfecho depende da validação das provas e de uma possível delação premiada desejada por Roberta Luchsinger. Enquanto o governo tenta isolar o presidente do escândalo em plena corrida presidencial, a PF aprofunda as perícias nas mensagens para determinar o real alcance da corrupção.

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.