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A renovação de dois terços do Senado nas eleições de 4 de outubro poderá dar um novo e conservador perfil à Casa, o que já interfere decisivamente nas negociações para escolher seu presidente em fevereiro de 2027. Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição e coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), articula sua candidatura em paralelo à disputa presidencial.
Na sua primeira tentativa de comandar o Congresso, Marinho obteve 32 votos contra 49 de Rodrigo Pacheco (então no PSD), candidato à reeleição, em 2023. Agora, o senador acompanha de perto uma eleição que renovará 54 das 81 cadeiras. A maioria necessária para se eleger presidente do Senado é de 41 votos, o que exige negociação de bastidores com grupos políticos.
Tereza Cristina (PP-MS), primeiro nome da direita a se colocar na corrida para comandar o Senado, continua formalmente na disputa, mas já iniciou intensas conversas com Marinho para um acerto prévio em torno da eleição interna e secreta. O senador potiguar mantém ainda, em meio aos desafios da briga pelo Palácio do Planalto, a interlocução com diferentes bancadas.
Até o dia da votação para a Presidência do Senado, na primeira sessão da nova legislatura, em fevereiro de 2027, o PL e a direita no geral veem a escolha do sucessor de Davi Alcolumbre (União-AP), que tudo fará para continuar no posto, como tão ou até mais importante para o cenário político futuro do país. A principal razão disso está na crise institucional centrada no Supremo Tribunal Federal (STF).
Pauta do impeachment de ministros do STF e eventual eleição de Flávio pesam
A agenda da depuração do plenário do STF pesa diretamente na disputa pelo domínio do Senado. Levantamento da Gazeta do Povo identificou 103 candidatos a senador favoráveis ao impeachment de ministros, além de 18 contrários e 81 sem posição identificada. Essa manifestação não garante compromisso de voto para o comando do Senado, mas é um forte indicativo.
Marinho sabe que o apoio de Flávio Bolsonaro, após eventual vitória nas urnas para a Presidência da República, tem peso estratégico nas articulações para vencer Alcolumbre em 2027. Ele entende que a troca da chefia do Executivo injeta fôlego à ala conservadora e atrai votos do Centrão, mas o fator determinante para seu sucesso vem de uma nova maioria de direita.
A composição das bancadas partidárias será relevante para os pedidos de impeachment. A abertura dos processos, com afastamento imediato do processado, tem se prendido à decisão pessoal do presidente do Senado. Após liminar expedida em 3 de dezembro de 2025 pelo ministro Gilmar Mendes, do STF, a exigência para condenação subiu de 41 para 54 votos.
A manobra de Gilmar para elevar o quórum foi logo vista como um esforço para dificultar o impeachment de magistrados de tribunais superiores e do procurador-geral da República (PGR), atuando em causa própria. A medida teve o efeito de legislar sobre o tema, atropelando o Congresso, mexendo na Lei de Impeachment de 1950 e exigindo o aval de dois terços do Senado.
Caso Master expõe a incapacidade do STF de resolver a sua própria crise
Após fortes reações no Congresso e da sociedade, o decano do STF recuou parcialmente de sua decisão monocrática no dia 10 de dezembro de 2025. O ministro optou por manter o chamado quórum qualificado, mas derrubou o trecho que limitava à PGR a iniciativa das denúncias, devolvendo a todo cidadão o direito de fazer os pedidos. Todo ano, dezenas são engavetados.
O escândalo do Banco Master e as suas conexões com ministros do STF aceleraram o debate nacional sobre a necessidade de controle externo da Corte. Revelações da Polícia Federal (PF) sobre pagamentos a escritórios de parentes e mensagens impróprias do ex-banqueiro Daniel Vorcaro trocadas com juízes revoltaram o público e estão cobrando uma reação do Legislativo.
No topo da lista do desgaste, o ministro Alexandre de Moraes segue como o principal alvo de pedidos de cassação. O tribunal rachou ao tentar gerir sua blindagem e o andamento de investigações tocadas pela PF. Duelos de competência, decisões individuais sobre sigilos e suspeições travadas no plenário escancararam que a tentativa de autogestão da Corte colapsou.
Com o consenso destruído e o corporativismo jurídico esgotado, analistas indicam que a saída da maior crise da história do STF será mesmo pela via política. Caberá, então, ao novo Senado de 2027 usar pela primeira vez as suas prerrogativas constitucionais de freios e contrapesos para ditar o desfecho de capítulo histórico, que definirá rumos da democracia brasileira.

Jornalista de política e economia com foco na cobertura do Congresso Nacional. Passou pelos jornais Diário do Comércio (MG), Gazeta Mercantil, Estado de Minas, Brasil Econômico, Correio Braziliense e A Tarde (BA). **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.




