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Empatia e juventude
| Foto: Divulgação Pequeno Príncipe

Nos últimos tempos, estamos acompanhando uma forte crítica à juventude de todo o país, por teimar em se aglomerar em festas clandestinas, locais que se transformam em verdadeiros laboratórios de reprodução do coronavírus. Por outro lado, não se pode generalizar, pois grande parte dos jovens não pode ser taxado de irresponsável.

Porém, é necessário que o mundo adulto faça uma reflexão se perguntando: como estou educando minhas crianças, netos e adolescentes para que, no futuro, não sejam jovens irresponsáveis, incapazes de se colocarem no lugar do outro? Talvez a resposta não lhe agrade porque a essência do problema pode justamente não estar na juventude, mas na fase que antecede essa vida adulta ou mesmo no modo que se trata o jovem na sociedade.

Trazendo para o universo corporativo, empresas, instituições, universidades também têm parcela significativa para a formação destes futuros homens e mulheres. Embora existam muitos programas voltados para a inserção no mercado de trabalho, ainda são deficitárias ações que realmente formem esse jovem para uma consciência de que todos somos um e que todos habitamos o mesmo ambiente e o mesmo planeta.

Além de oportunizar a entrada da juventude no mercado de trabalho, é socialmente responsável proporcionar a esses colaboradores uma vivência em grupo, o despertar para o senso crítico, sensibilizar para se colocarem sempre no lugar do outro. Isso vai gerar cidadãos mais conscientes e ambientes corporativos mais digestos.

A vida universitária também é um ambiente onde esse senso pode ser aguçado. Um dos exemplos que gosto de citar quando falo sobre este assunto é da Estácio, uma das maiores faculdades do Brasil, que mantém há oito anos o programa  ‘Boas-Vindas’. A ação ‘Trote Solidário’ consiste em incentivar o calouro de todos os cursos a participarem de uma ação beneficente em sua região, substituindo aquele retrógrado trote em que muitos alunos em instituições Brasil afora acabavam ridicularizados pelos veteranos no primeiro dia de aula.

Neste ano, por exemplo, mesmo com a pandemia, alunos calouros estão sendo motivados a ajudar o Pequeno Príncipe, um dos maiores hospitais pediátricos do Brasil, que fica em Curitiba, reconhecido por transformar a vida de crianças e adolescentes de todos os estados brasileiros. Veteranos, calouros e seus familiares são convidados a entenderem a situação de quem precisa deste tipo de atendimento e, consequentemente, serão levados a se colocarem no lugar de quem passa por uma doença grave na família e precisa de apoio financeiro, emocional e profissional.

São ações deste porte que fazem nossa juventude abrir os olhos. Não estou querendo aqui dizer que o jovem é irresponsável. O que friso é que precisamos ajudá-lo a ter outras motivações, a ampliar o leque de possibilidades, a olhar ao seu redor e aproveitar sua imensa energia e disposição para transformar o mundo em um lugar melhor para se viver. E isso está nas mãos de empresas, instituições e das próprias famílias. O jovem também precisa desta atenção. Façamos a nossa parte!

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