Para fechar nossa saga em defesa dos pobres medievais, hoje vamos falar sobre um dos mitos mais fedorentos sobre a Idade Média: “os casamentos eram realizados em junho, pois maio era o mês em que as noivas tomavam mais banho. E como o fedorzinho já começava a aparecer, inventaram o buquê de flores. Assim, a noiva disfarçaria o cheirinho de um mês sem banho.”
Sabe qual é o único problema desse argumento? É que ele é uma besteira total!
Casamentos eram realizados em junho porque o pessoal lá gostava de casar em junho: era uma época de clima mais agradável, especialmente para a agricultura, e estava associada à deusa da fertilidade romana Juno — uma tradição herdada do Império Romano.
Eu falo, e eu provo. Olha só este artigo aqui, escrito pela medievalista Melissa Snell, autora de múltiplos artigos especializados, enterrando essa baboseira: “Casamentos e higiene na Idade Média” (Middle Ages Weddings and Hygiene).
Já na introdução do artigo, a professora descreve essa desinformação exatamente como vemos nesses vídeos nojentos do TikTok: “A maioria das pessoas se casava em junho porque tomavam seu banho anual em maio e ainda cheiravam muito bem em junho. No entanto, elas estavam começando a cheirar mal, então as noivas carregavam um buquê de flores para esconder o odor corporal. Daí o costume hoje de carregar um buquê ao se casar.”
Viu? Uma especialista no assunto, que conhece esses absurdos sobre os medievais e os expõe de maneira bem clara.
Olha a conclusão dela sobre essa besteira: “Em suma, havia inúmeras oportunidades para as pessoas medievais limparem seus corpos. Assim, a perspectiva de passar um mês inteiro sem se lavar, e então aparecer em seu casamento com um buquê de flores para esconder seu fedor, não é algo que uma noiva medieval provavelmente consideraria mais do que uma noiva moderna.”
Então, vamos parar com essa besteira do buquezinho também. Nem no casamento os tiktokers deixam as noivas em paz
Encerrando nossa odisseia para fazer justiça à higiene medieval, deixo aqui as conclusões do medievalista Albrecht Klassen, no seu artigo publicado em 2017, “Vida cotidiana e cultural no final da Idade Média: a evidência do Tacuinum Sanitatis” (Everyday Life and Culture in the Late Middle Ages: The Evidence of the Tacuinum Sanitatis).
Falando especificamente da vida nas idades medievais, na página 227, ele afirma: “Podemos estar certos de que tomar banhos regulares, lavar-se, mudar de roupas, ficar envergonhado por ser visto nu por outros etc. já era muito espalhado na maior parte, padronizado em monastérios, em habitações urbanas, castelos e palácios.”
Podem ter certeza: tem muito tiktoker hoje que se preocupa menos com a higiene do que os medievais de mil anos atrás.
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