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A apresentadora Bela Gil na Pedreira Paulo Leminski, em junho. Foto: Paulo Lisbôa/Gazeta do Povo
A apresentadora Bela Gil na Pedreira Paulo Leminski, em junho. Foto: Paulo Lisbôa/Gazeta do Povo| Foto:
Post polêmico da Bela Gil tem rendido. Imagem: Reprodução/Facebook

Post polêmico da Bela Gil tem rendido. Imagem: Reprodução/Facebook

O cidadão mal sabe a diferença entre cúrcuma e açafrão, mas é claro que não deixaria passar batido: Bela Gil contou nas redes sociais que o bulbo da primeira (porque a segunda é a parte de uma flor) é anti-inflamatório e o escambau e que usa o pó para escovar os dentes. Bastou isso e a gritaceira começou. Não sei se me sinto mais constrangida pelas pessoas acharem que ela insistiu para abandonarem a Sorriso ou se pelas piadas que ignoram a informação contida naquele post de facebook.

Porque o que interessava ali não era se você também quer testar e, de vez em quando, escovar os dentes com cúrcuma ou óleo de coco com bicarbonato de sódio (funciona também, viu?, mas continue com a sua pasta tripla-ação e não me aborreça). Era sobre como a indústria entope qualquer produto que compramos sem pensar muito com “porcaritos”, para usar uma das palavras da própria Bela. Mesmo que metade da população brasileira decidisse trocar definitivamente a pasta de dente por cúrcuma em pó, muitos desistiriam na primeira escovada. Sabe por quê? Porque não faz espuma. Porque a língua não fica com aquele sabor mentolado, meio anestesiada. Porque o gosto não é doce. A gente não tá acostumado a higiene sem espuma, sem gostinho bom, sem uma leve adormecida na boca.

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E quando eu disse “qualquer produto que compramos sem pensar muito” digo: bolachinhas, shampoos, snacks sem glúten, esfoliante, patê “natural”, pão com fibras, etc etc. E, mais do que todas, suspeito, as pastas de dente. Escreva aqui nos comentários qual sua pasta de dente preferida e por quê. Ou você também é um reles mortal que, como eu, compra pelo preço? A título de curiosidade, compro a Contente, que é vegan. Gostaria de escovar meus dentes com aquela pasta de dente orgânica que chega a custar R$ 18 o tubo. Mas não dá.

A apresentadora Bela Gil na Pedreira Paulo Leminski, em junho. Foto: Paulo Lisbôa/Gazeta do Povo

A apresentadora Bela Gil na Pedreira Paulo Leminski, em junho. Foto: Paulo Lisbôa/Gazeta do Povo

Se esse povo que esculacha nas redes sociais furasse a bolha um pouquinho (só um pouquinho), veria que a briga contra o flúor é antiga. Apareça em qualquer evento vegetariano que uma parcela poderá falar sobre isso com muito ou pouco assombro – e a maioria não vai ver problema algum nisso. Tem pra todos. Vá tomar um refresco em qualquer casa natural e apure os ouvidos. O assunto está lá, muito antes da Bela aparecer na tevê pela primeira vez. Tem cursos de uma tarde, às vezes de graça, que vão tocar no assunto. Já vi e ouvi tudo isso. Às vezes, tem informações (como esta: de que a água mineral não presta) que entram por um ouvido e saem pelo outro. É bem fácil, eu faço assim: ouço, pondero, anoto se me interessar pesquisar depois para refutar ou aceitar ou apenas faço cara de paisagem. Se for on-line, dou um scroll e não leio o post até o final. Se é irresponsabilidade da pessoa ou não, não fui eu quem a autorizei; portanto, o problema não é meu. Se formos gritar contra cada bobagem que lemos por aí, teríamos um dia bastante improdutivo. Não recomendo.

>>> Leia também: Viver Bem ouviu dentistas sobre o uso da cúrcuma na higiene bucal

Bela Gil é uma moça famosa de jeito simples e sorriso aberto. É tímida. É idealista. Tem suas esquisitices como todo natureba – atire a primeira pedra-pomes quem não lançou um olhar julgador ao ver alguém discursar sobre os malefícios do açúcar refinado. Tudo o que ela faz ou diz, aliás, já foi contemplado de alguma maneira por outras pessoas. Já leram Sonia Hirsch? Pois deveriam, mesmo que ignorem tudo o que ela diz e disse desde os anos 1980. É bom ler coisas que nos tirem do nosso conforto. Tá muito fácil comprar comida pronta e tomar qualquer comprimido que o especialista receitou. Mas tá difícil, cada vez mais, ver as pessoas que tanto condenam nossa granola tentarem ter um pouco de autonomia.

Então eu sugiro uma campanha de fácil adesão tanto nas redes sociais quanto na vida real: boicotem a cúrcuma. Sobra mais pra nós.

 

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