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Uma família brasileira na China

Enviado por christianedumont, 30/12/15 5:45:33 AM

你们好,

Ni men hao,

Todo mundo que vai visitar um novo país trata logo de aprender algumas palavrinhas básicas na língua local. “Obrigado” é certamente a primeira delas. Como não dizer obrigado ao motorista de taxi que se esforçou para entender onde fica seu hotel? Ou ao porteiro que carrega suas malas? Ou à garçonete que anotou aquele pedido confuso, típico de quem não está entendendo nada do que está escrito no cardápio? A gente queria, na realidade, dizer muito mais. A sua cidade é linda, a sua comida é deliciosa, como estamos felizes de estar aqui. Mas só nos resta um simples, porém honesto, obrigado.

Aqui na China, até o mais desinteressado expatriado que conheço sabe dizer Xie Xie que, em mandarim, significa obrigado. Ou melhor, obrigado, obrigado. A repetição de palavras em mandarim funciona como uma forma de gentileza. Por isso, quando abrimos uma porta para um chinês, eles nos dizem agradecidos “thank you, thank you”.

Os caracteres para escrever Xie Xie não são nem tão fáceis, nem tão bonitos. Mas os chineses sabem melhor do que ninguém como transformar escrita em obra de arte.

Obrigado escrito em mandarim.

Obrigado escrito em mandarim.

O que os chineses não fazem muito bem é dizer obrigado uns para os outros, principalmente quando se trata de classes sociais distintas. A Aijiao, minha empregada-amiga que come comigo à mesa todos os dias, tem uma outra patroa na parte da tarde. Essa patroa não diz nem “olá” quando ela chega para trabalhar. Requícios da Revolução Cultural, penso eu.

Também no Brasil, venho reparando que as pessoas estão se esquecendo de agradecer. Talvez seja apenas um novo comportamento de quem já nasceu tendo um Google à disposição para responder qualquer pergunta, sem que se precise agradecer a ninguém pela resposta. Vejo isso muito claramente no Dudu, meu filho de 13 anos. Se eu demoro mais do que cinco segundos para responder alguma de suas perguntas, ele fica logo impaciente, como se a minha tecla “Enter” não estivesse funcionado.

– Eduardo, estou dando Control-Alt-Del. Volta mais tarde!

Enfim, este é o último post de 2015 e, em vez de fazer uma retrospectiva dos melhores momentos do ano, resolvi agradecer ao pessoal da Gazeta que hospeda o “Família Brasileira na China” desde 2011 e aos que me lêem aqui há tanto tempo. Apesar de não conhecer pessoalmente a grande maioria de vocês, obrigada pelo carinho e por darem “Enter” nos meus posts durante todos esses anos!

 

Feliz 2016 para todos!

 

Escrito por mim especialmente para vocês!

Escrito por mim especialmente para vocês!

christianedumont@hotmail.com

 

Enviado por christianedumont, 18/12/15 11:43:59 AM

Ni hao,

Hoje tive uma conversa multicultural com minha empregada, a Aijiao. Como já mencionei anteriormente, Aijiao é muito mais do que minha empregada. Ela é minha amiga e por isso almoçamos juntas todos os dias, quando aproveito para praticar o mandarim. A conversa começou por conta de um resfriado pelo qual estou passando.

_Aijiao, você pode me fazer um chá verde?

_ Você não pode tomar chá verde enquanto estiver tomando remédio para gripe.

_ Por que não?

_ Por que não, oras!

_ De gengibre pode?

_ Pode de limão com um pouquinho de gengibre.

_ Ok. Ok. Por falar nisso, hoje no almoço acho que hoje vou abrir uma exceção na minha dieta vegetariana e comer um ovo para me curar logo desta gripe.

_ Quem está gripado não pode comer ovo.

_ Por que não?

_ Por que não, oras!

_ Um filé de frango pode?

_ Pooooode!

Enquanto esperava o chá de limão com gengibre e o filé de frango ficarem prontos, passei pela cozinha e roubei um pedacinho de pão. Aijiao gritou:

_ Tinha formiga no pão!

_ Não tem problema, Aijiao! Era só uma e eu já tirei.

_ Mas você disse que no Brasil não se come barata.

_ Barata é barata, formiga é formiga.

_ Como assim?

_ Formiga é limpa, barata é suja.

_ As baratas que a gente come na China são limpas.

_ Você já comeu barata!? Aff, esquece, me passa um pedacinho de bolo.

_ O bolo está preto!

_ E daí? Esta queimadinho por fora, mas por dentro está gostoso.

_ Mas você não pode comer o preto!

_ Aijiao, vocês chineses comem até rato!

_ Mas rato não é preto!!!

Gente, rato é preto?

Um Feliz Natal para todos vocês e na ceia evitem comer… deixa para lá!

 

Aijiao e sua sabedoria chinesa

Aijiao e sua sabedoria chinesa

Enviado por christianedumont, 24/11/15 5:34:56 AM

你好,

Ni hao,

Hoje, quero apresentar para vocês uma típica balada chinesa. Se vocês acham que estou falando de um karaokê ou algum show de Tai chi chuan (que, curiosamente em mandarim se pronuncia Tàijí quán), estão redondamente enganados. Estou falando de uma nova boate que abriu aqui perto de casa chamada Boom Boom Room. Pelo nome, já dá para perceber que não tem muito a ver com aquela China meio zen do nosso imaginário.

Quando a nova balada foi lançanda, a imprensa a desceveu como “um clube de 1.200 metros quadrados, cujo pé direito mede 12 metros, decorado com lustres gigantescos e poltronas de veludo ao estilo chinês. O clube serve cerveja importada e oferece jazz ao vivo. Boom Boom Room é uma combinação misteriosa de entreterimento, negócios, cultura e música”.

A tirar pelo anúncio, a balada é realmente muito enigmática! A logomarca, no entanto, poderia ser do antigo Noites Cariocas no morro do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro.

 

Logo Boom Boom Room Shenzhen China

Logo Boom Boom Room Shenzhen China

 

 Poster promocional Boom Boom Room Shenzhen


Poster promocional Boom Boom Room Shenzhen

“O Boom Boom Room clube preenche a fantasia de todas as mulheres e o sonhos de todos os homens”. Detalhe, “fulfills” está escrito errado, como sempre acontece quando os chineses se aventuram no inglês.

O Boom Boom Room, que é realmente uma balada fantástica, é frequentado praticamente só por chineses e apenas alguns pouco ocidentais já mais aculturados como nós. Ah, já ia me esquecendo,e por algumas prostitutas russas, de quase dois metros de altura, que povoam quase todas as baladas da China.

 Terno, gravata, calca justa boca fina, sapato esporte e, logico, celular


Terno, gravata, calca justa boca fina, sapato esporte e, logico, celular

 

 Cabelos bem cortados, mini saias super curtas e, logico, celular.


Cabelos bem cortados, mini saias super curtas e, logico, celular.

 

 

Grande parte dos chineses parece querer exibir sua saúde financeira através da profusão de garrafas de champagne, em cima das mesas dos super aconchegantes lounges que substitutem as mesas-com-cadeiras das baladas tradicionais. Volta e meia rola um “ganbei” que significa copo vazio ou, em brasileiro, vira, vira, vira.

 Mesa com muitas frutas e pelo menos um que não aguentou o tranco da bebida


Mesa com muitas frutas e pelo menos um que não aguentou o tranco da bebida

 

A quantidade de bebida que, aliás se consome quente, não incomoda ninguém. A cerveja vem acompanhada de um copo com gelo e sai espuminha quando a gente abre a tampa. Eca! Já o cigarro e o charuto, consumidos livremente por quase todo mundo, gera uma cortina de fumaça mal cheirosa que é lembrada até a noite do dia seguinte por nossas roupas e cabelos. A China, que é muito parecida com o Brasil também tem essa coisa da “lei que pega e lei que não pega”. Apesar de ser proíbido fumar em bares e restaurantes, infelizmente essa lei ainda não pegou.

 Vai um charuto aí


Vai um charuto aí

 

Alguns detalhes fazem do Boom Boom Room uma balada tipicamente chinesa.

. Casais de namorado e azaração até existem, mas absolutamente ninguém está beijando ninguém na boca. Neste quesito, o Boom Boom Room parece mais um convento se comparado com as baladas brasileiras.

. Os garçons se comportam como clientes dançando, fumando e conversando com a galera. De vez em quando, eles desfilam carregando baldes de gelo iluminados piscantes por entre as mesas, na tentativa de vender mais um Moet Chandon.

. Frutas são o snack mais consumido para acompanhar as bebidas alcóolicas.

. A todo momento rolam pequenos shows de mais ou menos quinze minutos no palco central que sobe e desce. Os shows são sempre protagonizados por chineses, mas os dançarinos são em sua maioria ocidentais. No palco, rola de tudo! Certa vez, umas americanas bem nutridas, com shortinhos enfiados no bum bum, dançaram uma espécie de strip dance que, como disse um amigo nosso, “não deve ter sido aprovada pelo Xi Jinping”.

. No meio da noite, rola sorteio de celular e aqueles que escaneiam o QR Code têm suas fotos exibidas no telão e podem ganhar um prêmio.

. O Boom Boom Room é a única balada na China onde vi homessexuais se assumindo sem constrangimento. Lembrando que aqui está longe de ser o Brasil no que diz respeito a aceitar o diferente, principalmente negros e homessexuais.

. A balada é gratuita, ou seja, a gente só paga o que consome. Se quiser ficar a noite toda a seco, assintindo ao shows, não tem problema.

 

Semana passada foi aniversário do Luiz, meu marido para quem está não está familiarizado com este blog, e fomos comemorar lá. Esse tipo de lugar com música eletrônica não é muito minha praia, mas o maridão, a cada ano que passa, se sente mais jovem, então só resta me fantasiar de adolescente e acompanhá-lo.

Feliz Aniversário!

Feliz Aniversário!

Postei um video no Youtube com os melhores momentos da noitada para vocês sentirem o clima do local. E quem quiser, é só escanear o QR Code e acompanhar as últimas novidades do Boom Boom Room no Wechat. Vai que você balança o celular e ganha algum charuto?

 

 

 QR Code Boom Boom Room Shenzhen China Wechat


QR Code Boom Boom Room Shenzhen China Wechat

 

 

 

 

 

 

再见

Zai jian!

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Enviado por christianedumont, 02/11/15 5:03:55 AM

你好,

Ni hao,

Como todos vocês já devem ter tomado conhecimento pela imprensa brasileira, a China revogou a política do filho único estabelecida em 1979 que evitou o nascimento de 400 milhões de novos chineses, simplesmente, 2 Brasis em 30 anos. Comenta-se que as indústrias de fraldas, leite e cuidados infantis já estão sentindo os efeitos da novidade, assim como os menos sortudos fabricantes de camisinhas. Num país de um bilhão e quatrocentos milhões de habitantes, qualquer pedrinha jogada ao mar se transforma rapidamente numa tsunami.

Ao saber da notícia, meu pai me ligou para perguntar como estavam as comemorações aqui do outro lado do mundo, provavelmente fantasiando uma China muito feliz por conta da importância desta decisão. A verdade é que nenhum dos nosso amigos chineses sequer mencionou o assunto conosco. Nas ruas, vida normal. Na imprensa, os comentários não são nada empolgantes. Primeiro, por que a decisão só deve ser formalizada em março e, ao que parece, a burocracia vai ser grande (o casal vai ter que pedir permissão, haverá um intervalo entre os 2 filhos a ser seguido e por aí vai). Segundo, por que os chineses são muito racionais e focados em dinheiro e ter mais um filho vem acompanhado de uma contabilidade assustadora. Terceiro, por que as mulheres não estão gostando nada de acumularem a função de profissionais e mães de dois filhos sem a ajuda dos maridos, discussão já muito antiga no Brasil e no resto do mundo ocidental.

Materia do ChinaWire

Materia do ChinaWire

Confesso que, assim como meu pai, esperava mais entusiasmo por parte dos chineses sobre a novidade, uma vez que a política do filho único causou muita tristeza, para não dizer, tragédias nas famílias chinesas nos últimos trinta anos. Resgatei dois posts antigos que escrevi sobre este assunto, Filhos da China e Um é bom Dois é Demais, e voltei a me emocionar com eles. Recomendo a leitura para entender, na vida real, as consequências de uma política como esta.

Clair, a segunda filha que foi separada da mãe na infância

Clair, a segunda filha que foi separada da mãe na infância

Recentemente, minha empregada/amiga/enfermeira-na-época-da-quimioterapia de 43 anos, a Aijiao, me confessou que havia engravidado cinco vezes. Ela tem dois filhos, o primogénito de 23 anos e uma “filha negra” 黑户 (heihu), que é como eles chamam as pessoas sem registro no governo por serem ilegais (no sentido de mercado negro, mercado paralelo). A filha de 15 anos mora com a irmã da Aijiao em outra província e as duas se falam pelo telefone sempre, ou melhor, discutem já que a adolescente, além de ser adolescente, tem motivos de sobra para reclamar da vida. Os outros três bebês foram abortados bem tarde, dois meninos e uma menina, pois a Aijiao tentou tê-los até o fim, mas foi impedida pelos oficiais do governo. Difícil olhar para a minha Aijiaozinha e não imaginar por quanto sofrimento ela já passou, embora seja uma mulher risonha e de altíssimo astral.

 Eu, Ajiao e sua filha nas férias da adolescente em Shenzhen


Eu, Ajiao e sua filha nas férias da adolescente em Shenzhen

Na China, o filho homem herda a propriedades dos pais e é com a família do primogênito que passarão a viver na velhice, quando o filho se casar. Portanto, uma filha mulher não serve para muita coisa; é como queimar a única bala do revolver. Não é por outro motivo que a China tem hoje uma diferença de 34 milhões de homens em relação ao número de mulheres e que é vedado aos médicos informar o sexo do bebê aos futuros papais.

Essas histórias muito tristes que se misturam às nossas quando colocamos os pés na China, estão relatadas num dos livros mais angustiantes que já li: Mensagem de uma Mãe Chinesa Desconhecida. Uma jormalista, com base em cartas que recebia na emissora de rádio em que trabalhava, decidiu contar dez histórias sobre a relação mãe-filha que foram desfeitas por conta da política do filho único. Às vezes, a mãe era obrigada a matar o própria filha, assim que dava à luz, afogada na bacia de água que seria usada para lavar o bebê depois do parto. Às vezes, a menina era abandonada na plataforma de uma estação de trem por uma mãe desesperada, mas sem opção. O objetivo do livro é deixar um pedido de desculpas anônimo das mães que foram obrigadas a abandonar suas filhas, para filhas que não conseguem entender ou aceitar o abandono. Leiam com uma caixa de lenços de papel do lado.

 Livro sobre mães e filhas que tiveram sua relação interrompida antes ou depois do nascimento


Livro sobre mães e filhas que tiveram sua relação interrompida antes ou depois do nascimento

Enfim, fico feliz de ver a China dando mais um passo na sua evolução e me sinto privilegiada de poder participar destes momentos que, com certeza, farão parte da história da humanidade.

 

再见

Zai jian

Chris

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Enviado por christianedumont, 20/10/15 6:05:57 AM

你好,

A China vem atraindo cada vez mais estrangeiros para trabalhar, estudar ou fazer turismo por aqui. Todos dizem, ao sair do Brasil, que estão cientes das diferenças culturais que separam os dois países, mas ao chegar nessas terras longínquas, acabam descobrindo que o buraco é bem mais embaixo.

Se você está pensando em dar um pulinho na China por esses dias, aí vão algumas dicas importantes para não deixar que as diferenças culturais estraguem a sua viagem.

1. Apesar de a China ter uma cultura milenar, as últimas décadas sob o regime de Mao Tse Tung fizeram um estrago gigantesco na vida deste povo. Famílias desfeitas, universidades e escolas fechadas, professores execrados em praça pública, livros queimados, monumentos e objetos históricos destruídos, tudo isso causou um grande hiato na história deste país. Quem vê hoje pessoas escarrando no chão, furando fila ou olhando para nós estrangeiros como se fôssemos ETs, não pode se esquecer de que essas são apenas algumas pequenas consequências de muitos anos de privações. Tenha consciência disso e exercite sua tolerância.

Livro Cisnes Selvagens.

Livro Cisnes Selvagens.

2. Ainda na linha de entender um pouco da história recente da China, antes de vir para cá, recomendo ler o livro Cisnes Selvagens de Jung Chang que conta a saga de três gerações de mulheres. As histórias são reais, mas o livro é um romance delicioso de se ler.

3. Comer na China é realmente um problema. Por dois motivos. Primeiro, por que eles comem qualquer coisa que ande, nade, voe ou rasteje. Segundo, por que a gente não consegue distinguir os vegetais das coisas que andam, nadam, voam ou rastejam. Nós olhamos para um prato de comida chinês e não sabemos se é um guisadinho de cogumelos shiitake, polvo ou minhocas. E, como a imaginação acaba sendo nossa pior inimiga nessas horas, a gente acaba indo para a cantina italiana mais próxima. Para ser capaz de comer comida chinesa e realmente apreciar sabores diferentes e deliciosos, abra sua mente e sua boca e feche os olhos para as aparências.

Que tal um pezinho de galinha no próximo coffe break?

Que tal um pezinho de galinha no próximo coffe break?

 

5. Beber na China, apesar de em menores proporções, também pode ser um problema para os brasileiros. Primeiro, é preciso entender que os chineses vão ao restaurante para comer e ao bar para beber. Então, a maioria dos restaurantes vai lhe servir um copo de água ou chá quente para acompanhar a comida. Nada de cervejinha ou chopinho. Mas, na hora do chopinho para valer, saiba que a cerveja estará a pelo menos 10 graus a mais do que tomamos no Brasil. E não adianta reclamar que a cerveja está quente por que eles não vão entender.

6. Chinês não sabe ler em inglês. Ponto. Jamais entre num taxi sem ter o endereço do seu hotel ou do lugar aonde quer ir sem que ele esteja escrito em caracteres. Essa é a única forma do motorista entendê-lo. De preferência, tenha o telefone do local aonde vai caso ele se perca no caminho e desande a falar com você em chinês, ignorando solenemente o fato de você ser estrangeiro.

7. Os chineses gritam por que o mandarim é uma língua tonal. Não tente apartar a briga por que ela, na verdade, não existe. Mas brasileiro também grita pacas, né?

8. Oito é o número da sorte para os chineses e quatro o do azar. A maioria das senhas de wifi nos restaurantes são “oito oitos”. Ao comprar um chip de telefone (o que você deve fazer assim que colocar os pés na China), saiba que os números mais caros são aqueles que possuem mais oitos em sua composição. Como brasileiro não está nem aí para isso, economize seu dinheiro e peça o chip mais barato que virá cheio de quatros.

E, como já estou há muito tempo morando na China, eu pulei o número 4 de propósito, como acontece em certos elevadores chineses, e termino este post no oitavo item para garantir um lugarzinho para minha sorte! Vai que é verdade!

 

 Vai ter sorte assim lá na China!

leadtochina.com

Vai ter sorte assim lá na China!

再见

Zai jian

 

 

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Enviado por christianedumont, 09/10/15 11:35:16 PM

Você é do tamanho dos seus sonhos!

你们好!

Você já ouviu alguma vez a frase “Você é do tamanho dos seus sonhos”? Eu garanto que pelo menos três pessoas ouviram e tiveram a coragem de sonhar grande, muito grande. São elas: Diego, Gustavo e Letícia, brasileiros da gema que acabaram de chegar à China onde vieram estudar mandarim. Eu tive o prazer de recebê-los e ajudá-los nesta fase de adpatação ao novo país o que meu deu a oportunidade de conhecer um pouco melhor suas histórias de vida. Deixe-se inspirar pela determinação e força de vontade desta galera que não teve medo de romper as fronteiras do mundo. Com vocês, os mais novos estudantes da Universidade de Shenzhen.

Diego

Diego

 

 

A primeira vez que pisou na China, Diego estava trabalhando para uma multinacional da área de informática. Dois meses vivendo em Shenzhen foram suficientes para que este campineiro de 28 anos tomasse a decisão de, um dia, ir morar definitivamente naquele país. A paixão foi tamanha que Diego preferiu pedir demissão do seu antigo emprego e voltou a ser estudante na universidade de Shenzhen. E o que exatamente causou esta paixão incontrolável pela China? Em primeiro lugar, os chineses e sua cultura. Depois a forma como a cidade de Shenzhen está organizada e sua extraordinária infraestrutura e, mais importante de tudo, a profusão de oportunidades que são oferecidas aos estrangeiros a toda hora. Oportunidade de conhecer novas pessoas com novas formas de pensar; oportunidade de praticar coisas que nunca se pensou fazer antes como, por exemplo, jogar badminton; oportunidade de entender novas religiões como o budismo e, obviamente, oportunidade de trabalhar em novas áreas nunca antes aventadas. Há menos de um mês morando em Shenzhen na casa de um amigo brasileiro, Diego já fez muitos programas, sempre acompanhado de amigos chineses, sendo o preferido se aventurar na culinária chinesa.

Almoçando no restaurante dos chineses muçulmanos

Almoçando no restaurante dos chineses muçulmanos

 

 

 Em 4 anos de China eu nunca comi isso que o Diego já comeu


Em 4 anos de China eu nunca comi isso que o Diego já comeu

 

Gustavo

Gustavo

Gustavo

Gustavo, 33 anos, nunca foi um cara de pensar dentro da caixa, ou melhor, de viver dentro de uma única caixa. Conhecer apenas um país, o Brasil, e não saber o que o mundo tinha a oferecer além das lindas praias da sua cidade de Balneário Camboriú, não faziam parte dos seus planos. Por isso, depois de terminar a faculdade de direito, Gustavo foi se aventurar na Europa onde morou em Londres e Barcelona. Foi lá que ele descobriu o mundo do trading e decidiu voltar ao Brasil para cursar Comércio Exterior, já pensando na China como seu próximo destino. E aqui está ele, vivendo numa China totalmente diferente daquela que ele imaginava. Uma China que, segundo ele, é moderna, grandiosa e sensacional, na qual, apesar de ser estrangeiro, ele se sente acolhido e amparado pelo povo. Muito mais do que trabalhar com comércio exterior, o que Gustavo quer é melhorar seu mandarim e poder se aculturar a ponto de ter, no futuro, um sócio chinês. Não falei que esse trio pensava grande?

Ninguém resiste à balada do Sea World em Shekou.

Ninguém resiste à balada do Sea World em Shekou.

 

Letícia

Leticia.

Leticia.

Essa não é a primeira vez que Letícia vem à China. Aos 16 anos, seus pais lhe ofereceram a oportunidade de fazer um intercâmbio pelo Rotary. Como não havia mais disponibilidade para o país que ela gostaria de ir, a Alemanha, Letícia resolveu optar pelo destino menos óbvio para uma menina da sua idade: Taiwan. Foi lá que ela viveu durante onze meses na casa de três famílias chinesas diferentes e aprendeu a gostar da cultura milenar daquele país. De volta ao Brasil, Letícia se formou em Relações Internacionais e começou a planejar sua volta à China para trabalhar. Depois de escrever diversos e-mails para todas as pessoas que ela achava que poderiam ajudá-la nesta empreitada, Letícia recebeu a sugestão de primeiro aprimorar o mandarim e depois partir em busca de um emprego. Foi aí que ela começou a trabalhar como tradutora e intérprete para angariar fundos para sua viagem e descobriu sua paixão por este trabalho. Hoje, aos 23 anos, já matriculada na Universidade de Shenzhen, estudar mandarim ganhou um novo sentido: o de prepará-la ainda melhor para sua futura carreira. Em sua primeira semana em terras longínquas, Letíca foi à praia, ao karaokê e ainda fez uma aula de caligrafia. Como vocês podem ver, o fuso horário de 11 horas não abalou em nada a disposição de Letícia de se adaptar logo à cultura chinesa.

 

 Praia de chinês tem que ter boia e sombrinha para se proteger do sol


Praia de chinês tem que ter boia e sombrinha para se proteger do sol

 

 

 

 Os karaokês da China lembram os motéis do Brasil


Os karaokês da China lembram os motéis do Brasil

 

Aprender caligrafia é exercitar a arte da paciência em qualquer idade

Aprender caligrafia é exercitar a arte da paciência em qualquer idade

Fico muito feliz de fazer, de certa forma, parte da história de vida desses jovens brasileiros que querem mudar o mundo. Se você também quer, mas não sabe por onde começar, deixo aqui mais um “momento inspiração” retirado dos dizeres escritos no relógio de sol da universidade de Shenzhen: “Estude perseverantemente. Estude qualquer coisa. Em qualquer lugar. A qualquer tempo.”

 

Estude, estude, estude!

Estude, estude, estude!

再见!

Zai jian

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Leia outros posts da Chris sobre a China:

Brazi Connections

 

 

 

 

 

 

 

 

Enviado por christianedumont, 27/06/15 10:51:51 PM

你们好,

Ni men hao,

Esta e a época do ano em que vamos de férias para o Brasil, portanto este será meu último post até agosto, quando voltarei a escrever sobre a China com força total. Enquanto isso, a Família mais Bonita da China segue sua viagem rumo ao sucesso! Na realidade, acho que as coisas estão saindo um pouco fora de controle. Nossa visibilidade aumenta a cada semana e não sei ao certo onde isso vai parar.

Vejam só, nesta segunda-feira, fomos matéria de um dos principais jornais de Shenzhen, o Shenzhen Special Zone Daily. Aliás, nós e o Felipão que agora é o treinador do time Guangzhou Evergrande e meu vizinho (Shenzhen fica a 30 minutos de trem rápido de Guangzhou).

 

Felipao é treinador do Guangzhou Evergrande

Felipao é treinador do Guangzhou Evergrande

Como sempre, a tradução do Google é uma maluquice só, mas pelo e-mail que a jornalista Susanna gentilmente me enviou com os principais pontos da reportagem traduzidos para o inglês, o foco desta vez foi a forma com a qual educamos nossos filhos. Por quê?

Por que, enquanto no Brasil, nossos menores abandonados vagam pelas ruas pedindo esmola, vendendo balinha nos sinais de trânsito ou se drogando em cracolândias, na China, os pais migram da área rural para as grandes cidades e deixam as crianças por conta dos avós. Os avós velhinhos não conseguem tomar conta direito das crianças que acabam sofrendo acidentes fatais ou até cometendo suicídio pelo sentimento de rejeição e abandono.

Uma história que li na Internet impactou particularmente a Susanna que a reproduziu integralmente. Um pai e um filho de uns 10 anos viviam sozinhos. O pai saía muito cedo para trabalhar e voltava muito tarde, portanto não conseguia ver o filho durante a semana. No entanto, todas as noites ele passava no quarto do garoto e dava um nó na ponta do lençol sinalizando que esteve ali. Um dia o pai foi chamado à escola para conversar sobre o comportamento do filho. Esperando pelo pior, ele se surpreendeu com que os professores tinham a dizer: “Seu filho é uma criança muito feliz! Ele é o melhor aluno da sala e está sempre pronto a ajudar os colegas. Parabéns pela linda família que vocês construíram”. Moral da história: a presença emocional é muito mais importante do que a física.

O que venho percebendo cada vez mais é que este concurso, aparentemente, de beleza, tem objetivos bem mais sérios e profundos. A China, preocupada com as futuras gerações e o rumo desta nova sociedade mais competitiva, busca informação e inspiração em outras culturas. Eu e Luiz estamos muito honrados de estarmos sendo usados como exemplo de família unida e feliz.

 Familia brasileira e exemplo de uniao na China


Familia brasileira e exemplo de uniao na China

Hoje à noite, sairemos para jantar com a jornalista do Shenzhen Daily, um dos três jornais chineses publicados diariamente em língua inglesa. Mas essa matéria vai ter que ficar para quando voltarmos do Brasil!

Até breve!

christianedumont@hotmail.com

 

Enviado por christianedumont, 14/06/15 6:46:03 AM

你们好,

Ni men hao,

Sábado, dia 20 de junho, a China celebrará o feriado do Dragon Boat Festival. Na realidade, o feriado cai no quinto dia, do quinto mês do calendário lunar, ou seja, a gente vai vivendo nossa vidinha tranquilamente até que alguém avisa “o dragon boat tá chegando”.

Muitos acreditam que o Dragon Boat Festival se originou na China antiga, com base no suicídio do poeta e estadista do reino Chu, em 278 AC. Qu Yuan se jogou no rio com 61 anos de idade. O povo de Chu tentou salvá-lo procurando-o desesperadamente em seus barcos, mas não conseguiram. Todos os anos, a Dragon Boat Festival é celebrado para comemorar essa tentativa de resgate de Qu Yuan.

As duas principais tradições e simbolismos desta data são uma corrida de barco, que acontecem em locais variados, e comer zong zi. Zong zi se parece com uma pamonha, só que é feito de arroz envolto em folha de bambu. Dizem que o povo de Chu jogava zong zi ao mar para evitar que os peixinhos comessem o corpo de Qu Yuan.

 

Tradicional corrida de barcos em Hong Kong

Tradicional corrida de barcos em Hong Kong

http://www.travelblat.com/

E como nós expatriados vivenciamos esta data do calendário chinês?

Como o feriado cai num sábado, segunda-feira não haverá trabalho, pelo menos para o Luiz na IBM. As crianças já estarão de férias, então para elas não acontecerá nada de especial. Um desperdício de feriado, segundo o Dudu.

A IBM dá de presente para seus funcionários uma caixa cheia de zong zi, 6 ovos de pato e 6 kiwis. Luiz, só de sacanagem, fez um pratinho para as crianças e disse que esse seria o almoço de domingo. Reclamação geral!

Os ovos de pato são tidos na China como poderoso remédio contra tosse, dor de garganta e dente e, segunda a medicina chinesa, devem ser comidos no verão.

O kiwi, apesar de quase ninguém saber, é uma fruta típica da China.

Ovo de pato, kiwui e zong zi para celebrar o Dragon Boat Festival

Ovo de pato, kiwui e zong zi para celebrar o Dragon Boat Festival

Este ano, no entanto, meu Dragon Boat foi muito especial. A Nora convidou um grupo de expatriados para um evento comunitário, no qual as chinesas do Lady’ School nos ensinaram a fazer zong zi. Esses eventos são muito legais pela troca cultural entre países do mundo inteiro tendo a China como anfitriã. Olhem só:

 

Para fazer zong zi você precisará de:

 

Depois é só fazer uma cestinha de bambu, colocar o arroz e a carne de porco lá dentro, dobrar, fechar e amarrar bem amarradinho. Super simples para pessoas normais. Eu juro que tive a maior boa vontade e tentei fazer um lindo zong zi, mas só consegui fazer meio. Tive que pedir a uma das chinesas da Lady’ School para terminar para mim. Mas essa deficiência para trabalhos manuais é um probleminha particular meu. Minhas amigas Valéria, Dora e Marília fizeram vários zong zi perfeitos!

 

 Brasil!!!!


Brasil!!!!

O vídeo abaixo foi uma tentativa minha de gravar o processo do início ao fim. Só que os chineses possuem muito de brasileiro e tudo é meio zoneado, sem muita ordem ou lógica. Portanto, infelizmente só vai dar para ver a primeira parte do preparo.

No final do evento, como era de se esperar, sentamos para comer os zong zi que eles gentilmente preparam previamente para a gente. O gosto é bastante suave e com mel fica uma delícia!

 

Provando o zongzi

Provando o zongzi

Já que estamos no mês das festas juninas no Brasil, que tal fazer uns zong zi no lugar da pamonha? Segundo os chineses, vocês terão sorte o resto do ano!

Feliz Dragon Boat Festival

Feliz Dragon Boat Festival

 

christianedumont@hotmail.com

Enviado por christianedumont, 25/05/15 8:32:46 AM

你们好,

Ni men hao,

Dando continuidade ao post “Gazeta do Povo na China”, na semana passada a Nora me telefonou dizendo que nós havíamos ficado entre as dez famílias mais bonitas da China. Uau! De quinze, eles selecionaram dez! Que honra!

Mas isso não era tudo. Eu deveria participar de uma entrevista com o pessoal do Governo na sexta pela manhã e ela, infelizmente, não poderia ir comigo. A roubada do ano!

Obviamente que minha curiosidade inata não me permitiria negar o convite então, pedi uma tradutora e fui encarar a entrevista com unhas e dentes. Só que, como já era de se esperar, o evento não era exatamente uma entrevista, mas uma cerimônia em praça pública, com direito a palco e plateia. E eu lá, imaginando um plano de como fugir sem ser capturada pelo pessoal do Governo.

No entanto, o que tinha para ser a grande roubada do ano, foi a grande descoberta do ano! Olhem só que interessante.

A cerimônia começou com a apresentação dos ganhadores que subiram ao palco para a foto oficial e a tal entrevista. Eu e mais um casal fomos entrevistados: _ “Você gosta daqui; por que escreve seu blog; como se diz “oi” em português” e só. Eu caprichei no mandarim e fiz meu número direitinho.

 

Eu e os outros candidatos

Eu e os outros candidatos

 

Arranhando o mandarim durante a entrevista

Arranhando o mandarim durante a entrevista

Em seguida, um grupo de senhores e senhoras de mais de 60 anos subiram ao palco para apresentar um número de dança que estava muito bem ensaiado. Agora entendo por que há tantos velhinhos nos parques aprendendo a dançar. Não é só por prazer, mas também em alguns casos para efetivamente se apresentar em eventos organizados pelo Governo.

 

Grupo da terceira idade

Grupo da terceira idade

Dando sequência à cerimônia, um membro do governo subiu ao palco para fazer o discurso oficial. A tradutora estava meio sem graça por eu ter que aguentar todo aquele blá, blá, blá em chinês, mas eu estava muito curiosa para saber o que ele tanto dizia. E sabem o que era?

Ele falou sobre a importância de se constituir uma família; da responsabilidade social que isso implica e em como devemos lutar pela felicidade de nossos familiares, cuidar da saúde, não jogar e não beber. Além disso, e talvez principalmente, que as pessoas que trabalham para o Governo (que, na China, é grande parte da população) não deviam usar o dinheiro público em benefício próprio nem serem corruptos.

Depois que ele terminou o discurso que não passou de dez minutos, um grupo de teatro muito divertido se apresentou no palco. E sabem do que se tratava a peça? De um funcionário do governo que tinha um carro oficial, mas voltava para casa de transporte público. A esposa, o pai, a mãe e o vizinho ficavam pressionando o rapaz para usar o carro para passear, mas ele não se deixou corromper.

Em seguida, a apresentadora dá uma de Sílvio Santos e faz um quiz com as pessoas da plateia: _ Quem deve cuidar do dinheiro público? O funcionário do governo? A esposa? Os filhos? Os pais? Todo mundo?”. As respostas estão nos papéis distribuídos antes do evento e os acertadores ganham prêmios.

 

grupo de teatro

grupo de teatro

 

Material distribuído à plateia

Material distribuído à plateia

A cerimônia termina com mais um discurso de um dos casais ganhadores (que são policiais – olha que coincidência!) e com uma cantora de música tradicional chinesa.

Leitores, vocês entenderam o que eu entendi?

O concurso A Família Mais Bonita da China é uma grande estratégia de marketing para o Governo educar o povo em relação a valores sociais. A gringa, no caso eu, sou apenas mais um chamariz para reunir o maior número de pessoas em praça pública. Este concurso começa elegendo a família mais bonita do bairro, depois a da província até chegar à China inteira. Sacaram o trabalho de formiguinha, doutrinando do micro ao macro cosmos?

E quem, no Brasil, faz este trabalho de educar o povo com relação a valores básicos como não jogar e não beber? A igreja. Mas será que está certo “terceirizar” a educação do povo usando um suposto deus como juiz do que está certo ou errado? (Eu acredito em Deus, leitores).

Enfim, sei que fui usada pelo Governo como atração especial para o evento deles, mas não fiquei nem um pouco chateada. E sabem por quê? Por que eles deram a mim e às outras 9 famílias 1.000 rmb (350 reais!), um diploma de participação e um livro sobre educação familiar (infelizmente, escrito em mandarim).

Certificao de Participacao

Certificao de Participacao

Para quem tiver curiosidade, fiz um filminho editado dos melhores momentos deste evento. E tomara que me chamem para as próximas etapas para eu continuar tendo a oportunidade de ver uma China que quase nenhum expatriado conhece.

christianedumont@hotmail.com

 

Enviado por christianedumont, 10/05/15 4:30:17 AM

你们好,

Ni men hao,

Certa vez aprendi num curso chamado “Gerenciamento de Equipes de Alta Performance” que, se você quiser ser realmente entendido, precisa falar cinco vezes a mesma coisa, para a mesma pessoa, em situações diferentes. Não é preciso ser gerente para saber que isso é verdade. Basta ser mãe para imediatamente virar o papagaio da família. Aproveitando o gancho: Feliz Dia das Mães!

Aqui na China, como a nossa comunicação com os chineses está sempre envolta numa nuvem escura de incompreensões devido às diferenças culturais e à língua, a gente precisa falar e ouvir não cinco, mas dez vezes a mesma coisa para começar a entender.

Vejam só. Minha professora de chinês e parceira profissional, a Nora, disse que ia nos colocar num concurso chamado a “Família mais Bonita da China”. Hum, que cheiro de roubada! Aqui em casa ninguém é nenhuma beldade para participar de concurso de beleza, então acho que não entendi muito bem. Além do mais, lembrei-me do programa de TV do qual participamos no ano passado: eu achando que ia dar uma entrevista inteligente sobre a Copa do Mundo no Brasil, e eles, na verdade, nos convidando para participar de uma gincana de futebol.

Bom, diante da empolgação da Nora, eu concordei em participar do concurso sem pedir maiores detalhes e mudei de assunto. No dia seguinte, ela me liga dizendo que o repórter estava vindo aqui em casa fazer uma entrevista comigo. “Como assim? Que entrevista? Em que língua? O que eu tenho que dizer? O que eu visto?”

“O que eu visto” foi um capítulo à parte. Eu separei alguns vestidinhos casual-chic que me pareceram adequados para uma entrevista às 3 da tarde, mas eles foram sendo reprovados um a um pela Nora e pela Aijiao (nossa ayi).

_ Esse é sexy demais! Esse é curto demais! Na sua idade, não se coloca perna e braço de fora. Preto é muito escuro. Esse vestido rosa é muito colado no corpo.

Sentindo que aquilo ia acabar comigo vestida num qipao (vestido tradicional chinês), me enfiei num pretinho básico e entreguei para Deus.

O repórter, Song Wen Fei, pelo qual senti uma afinidade imensa desde o primeiro momento, me entrevistou por mais de três horas seguidas. _ Você gosta da China? Você tem um blog sobre Shenzhen? Conte-me algo que seu marido fez de especial para você. E seus filhos, como você os educa? Nos dê uma dica de educação ocidental.

 

Reporter chinês Song Wen Fei

Reporter chinês Song Wen Fei

Song Wen Fei por Chris Dumont

O bombardeio de perguntas foi seguindo até que ele viu uma foto minha do inicio do ano passado e perguntou: Essa aqui é a sua filha? Eu disse rindo: _Não, sou eu antes de perder o cabelo na quimioterapia.

Pronto, a partir daí, a entrevista foi crescendo em emoção e virou uma grande catarse. Ele me fez refletir sobre como as crianças me apoiaram durante o meu tratamento, me fez lembrar de um bilhete do Marcos no qual ele dizia que eu era “a única pessoa do mundo a fazer um câncer passar despercebido” e, principalmente, de como o Luiz foi e ainda é o meu grande esteio nesta vida.

Eu falava com os olhos cheios d’água para Nora que traduzia com os olhos cheios d’água para o Song Wen Fei. Ele, por sua vez, ia anotando tudo, empolgadamente, num bloquinho de pouco mais de dez centímetros, preenchendo as folhas com caracteres lindos e bem desenhados.

Nora e Song Wen Fei

Nora e Song Wen Fei

Nora e Song Wen Fei, meus queridos chineses.

Quando voltei de uma pausa para ir ao banheiro, encontrei-o fotografando todos os porta-retratos aqui de casa. Um deles, da Imaginarium, diz “As coisas mais importantes da vida não são coisas…” . Pois saibam que ele conseguiu traduzir e publicou como legenda de uma das fotos!

 

 As coisas mais importantes da vida não são coisas


As coisas mais importantes da vida não são coisas

Nesta mesma noite, depois de ter traduzido vários dos posts que escrevi para a Gazeta, ele me enviou mais perguntas. Entre elas, uma que mostrou todo seu profissionalismo: “Se você conheceu o Luiz há 23 anos, como pode ter um filho de 25?”, fazendo referência ao meu enteado, Fernando, o qual chamei de filho durante toda a entrevista por que é assim que me sinto em relação a ele.

Conversa pelo Wechat traduzida pelo Baidu

Conversa pelo Wechat traduzida pelo Baidu

Obrigada, Google e Baidu translators!

Dois dias depois, eu recebo um link da matéria online que, rapidamente, atingiu mais de 4000 views. Eu não consegui ler nem 1% do que estava escrito. Pedi ajuda a Nora que me disse apenas “Ele escreveu absolutamente tudo que você disse”. A matéria online foi para o jornal impresso e foi aí que eu comecei a entender que a coisa é realmente séria.

http://mp.weixin.qq.com/s?__biz=MzAwMzMxMTI3Mw==&mid=204796394&idx=1&sn=1da4de743ae7d8ddbe81780b596c8f60&scene=1&from=singlemessage&isappinstalled=0#rd

Parece que este concurso é para escolher a família chinesa mais bonita (não de beleza física, mas emocional) de toda a China e que eles querem ter um representante estrangeiro entre os concorrentes. A competição começa pelos bairros e vai evoluindo até chegar ao país inteiro. O jornal circula nos centros comunitários e os funcionários colam adesivos na foto da família preferida. Também é possível votar online e a gente já está cheio de votos.

As 15 famiías mais bonitas do bairro

As 15 famiías mais bonitas do bairro

Conheçam os nossos concorrentes.

Hoje a Nora pediu cópia dos nossos passaportes e falou que seremos chamados para uma entrevista na TV. Em resumo: só mesmo na China para se participar de um concurso sem saber muito bem do que se trata e sem entender o que escreveram sobre você.

Eu estou achando tudo isso muito divertido e adorei ter conhecido meu companheiro de profissão, o Song Wen Fei. 宋文飞,我很高兴认识你!

Além, é óbvio, de ter divulgado a Gazeta do Povo e o Muffato por toda Shenzhen!!!!

Manterei vocês a par dos próximos acontecimentos!

再见!

 

 Muffato na China


Muffato na China

O reporter publicou o meu post sobre o Sea World onde havia um banner do Muffato.

 

 Gazeta do Povo na China


Gazeta do Povo na China

christianedumont@hotmail.com

 

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