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Uma família brasileira na China

Enviado por christianedumont, 12/04/15 7:53:56 AM

你们好,

Ni men hao,

Quinta-feira passada, de volta à minha deliciosa rotina de levantar cedo, despachar as crianças para escola e ir para minha aula de yoga (sim, gente, rotina pode ser algo delicioso!), aconteceu algo muito inspirador. Bom, pelo menos para mim que estou numa fase muito espiritual que, aliás, espero que dure para sempre!

Eu saí de casa com tempo suficiente para pegar o metrô e chegar à yoga cinco minutos antes da aula começar. Só que, pela primeira na vez nos meus quase quatro anos de China, fiquei esperando o metrô por oito longos minutos e mais uns dois para ele finalmente sair da estação. Conclusão: em vez de chegar cinco minutos adiantada, cheguei dez minutos atrasada e fui barrada na porta da sala de aula!

Painel do metrô de Shenzhen

Painel do metrô de Shenzhen

Eu, aluna exemplar, há 3 anos frequentando o Yogalife, sem nunca ter chegado atrasada uma vez sequer; EU!!! fui barrada na porta da sala de aula! Como assim? Que injustiça é esta? Isso é prepotência, abuso de poder e implicância!

Minha indignação, ou melhor, arrogância era tamanha que eu desandei a reclamar com a recepcionista da academia.

_ Eu não sou aluna nova, eu conheço as regras, essa foi a única vez que cheguei atrasada, eu estudo aqui há três anos, eu falo com o professor! Pleeeeeease, me deixa entrar!!!!!!!!!!

A recepcionista, muito calmamente, me disse:

_ Olha, não tem nada a ver com o fato de você estudar aqui há anos ou nunca ter chegado atrasada antes. A questão é que você chegou muito tarde e vai atrapalhar o professor e os outros alunos se entrar agora.

O jeito foi eu ir me acalmando e caindo na real do ridículo da situação. Eu estava atrasada; a culpa era minha e o que eu estava tentando fazer era um belíssimo chantagem emocional em cima da chinesinha que, muito educadamente, não entubou. Será que é isso que eles chamam de não fazer a outra pessoa “perder a face”, traduzindo, ficar numa situação constrangedora?

Depois de beber um chá, reencontrar o meu equilíbrio emocional e juntar minha face estatelada no chão da academia, me dei conta de algo muito legal!

Há exatos 2 anos, eu relatei no post Universidade de Shenzhen ao seu Alcance uma situação em que fui pivô de uma discussão entre a recepcionista do dormitório dos alunos internacionais e uma aluna inglesa da universidade (cara, como a gente pode ser arrogante sem nem perceber!). Quando a discussão entre as duas acabou, eu pensei, “Meu Deus, será que um dia eu vou falar mandarim como essa inglesinha a ponto de conseguir bater boca com um chinês?”.

Pois bem, a resposta está aí: eu tive minha primeira discussão em chinês e acho que me saí muito bem! Aprender mandarim é possível, minha gente!

Agora vem o lado espiritual de que falei. Nada na vida é bom ou ruim. Tudo tem um motivo para acontecer. É só uma questão de prestar atenção nos recados externos. A gente precisa parar de enxergar a vida com um álbum de fotografia e começar a vê-la como um filme. Uma foto sozinha não conta uma história. Um filme tem começo, meio e fim.

E o fim desta pequena história é que, em vez de deixar o fato de ter sido barrada na aula estragar o meu dia inteiro, consegui transformá-lo num motivo de comemoração por ter, finalmente, admitido para mim mesma que eu falo chinês! Ops, menos Chris! Que eu falo um-pouquinho-de-chinês!

 

 Recepcionista Yogalife em Shenzhen (o chinelinho é obrigatório)!


Recepcionista Yogalife em Shenzhen (o chinelinho é obrigatório)!

 

再见

Zai jian!

christianedumont@hotmail.com

 

 

 

Enviado por christianedumont, 01/04/15 5:43:28 AM

你们好,

Ni men hao!

Eu já disse isso uma vez e repito: todo mundo que vem morar na China ou escolhe este país como destino turístico tem um ou mais parafusinhos frouxos dentro da cachola. Tão mais fácil ir para Orlando, passar as férias na Disney! Paris, Roma, Lisboa, Madrid! Tantos lugares lindos, a apenas 12 horas de distância do Brasil! Enfim, meus pais, cujos parafusos estão muito bem apertadinhos e que aos 80 anos de idade jamais incluiriam a China em seus roteiros de viagem, decidiram vir, pela primeira vez, nos visitar em Shenzhen. Chegaram no início de dezembro do ano passado, para poder me acompanhar na última sessão de quimioterapia e ficaram para o natal e réveillon! Maior presente do que esse, a Família Brasileira na China não poderia ter recebido.

Este post, em homenagem aos dias maravilhosos em que passamos juntos, vai contar o que seres humanos normais, com tudo dentro da caixinha, precisam se submeter para sobreviver do outro lado do mundo! Bom, antes de tudo, um breve perfil dos meus queridos progenitores.

Meu pai gosta de ter uma agenda organizada, saber com antecedência onde vai, o que fazer, como chegar, com quem falar e por aí vai. Em resumo, gosta de ter tudo sob controle. Tudo sob controle na China, pai? Missão quase impossível!

Minha mãe gosta de uma boa aventura, desde que não inclua duas coisas: comida feita no óleo e ter que subir escada. Comida sem gordura na China, mãe? Metrô sem escadaria? Missão mais impossível ainda!

Familia feliz!

Familia feliz!

Bom, como sempre faço com clientes e amigos que vêm nos visitar, imprimi cartões com o endereço de casa escrito em mandarim e coloquei-os junto da cópia dos passaportes dos meus pais, caso um deles se perdesse na rua. Em seguida, troquei os chips dos celulares brasileiros por chips chineses, o que, imediatamente, desencadeou uma enxurrada de mensagens da China Mobile, iniciando assim o doloroso processo de “perda total de controle” da situação.

_ O que eles estão dizendo? Vai ver o telefone está sem dinheiro. E se for algo urgente? Precisa responder?

Placar: China 1 x Brasil 0

Mensagem da China Mobile: moleza de ler!

Mensagem da China Mobile: moleza de ler!

No dia seguinte, precisávamos trocar os dólares que papai havia trazido para resgatar logo sua independência financeira. Como aqui ele estava “surdo, mudo e analfabeto” segundo ele mesmo, o jeito foi apelar para o Dudu como guia turístico (eu ainda estava na fase de não poder sair de casa). Parênteses: Quem conhece o Eduardo de outros posts, deve estar imaginado o quão poderoso ele se sentiu carregando vovô e vovó para cima e para baixo, falando inglês e mandarim fluentemente.

Mas o que ninguém contava aconteceu: os dólares de carinha pequena não foram aceitos pelas casas de câmbio e nem os de carinha grande que estavam um pouco sujinhos e mofados. Ou seja, grande parte do dinheiro que papai trouxe não tinha valor. E, para piorar um pouco mais a situação, seu cartão de credito Visa não era aceito em lugar nenhum. Aqui na China, a bandeira oficial é a UnionPay. Marquinhas desimportantes como Master, Visa ou American Express podem até ser aceitas, mas a confusão é grande!

Placar: China 2 x Brasil 0

 Notas de dólar nova e antiga e cartão UnionPay do Bank of Chin


Notas de dólar nova e antiga e cartão UnionPay do Bank of Chin

Continuando o jogo, no fim de semana levamos os avós para comer fora pela primeira vez. Existe uma rede de restaurantes de chineses muçulmanos que serve um macarrão delicioso. Pronto, é lá mesmo que nós vamos! Antes, porém, eu avisei a todo mundo que o restaurante era super simples, com banquinho em lugar de cadeira, papel higiênico em lugar de guardanapo, mas que a comida era deliciosa e muito, muito barata. Média de 15 RMB (8 reais) um pratão de macarrão com cogumelos, ovos, vegetais, carne de vaca, de carneiro… só não rola carne de porco por motivos religiosos.

Minha mãe entrou no restaurante e começou a respirar pela boca para não sentir cheiro de óleo. (Hummm, mau sinal). Tentou fingir que não estava com fome, suspirou dali, se mexeu daqui, mas acabou escolhendo um prato e, para felicidade geral da nação, gostando! Só que, provavelmente por conta dos temperos muito fortes e diferentes usados na comida chinesa, ela passou mal à noite toda e amanheceu, como diz ela, um trapinho.

Placar: China 3 x 0 Brasil

Restaurante muçulmano em Shenzhen

Restaurante muçulmano em Shenzhen. Que peruca é essa que eu estava usando? Pareço o Zacarias!!!!

Depois de a mamãe estar totalmente recuperada, levei-os para fazer os programas turísticos mais legais de Shenzhen que, para mim, são: comprar peixe vivo no Mercado Municipal, ver as miniaturas das principais atrações turísticas do mundo no parque Window of the World, passear no Shenzhen Bay, almoçar no OCT Loft, tomar um café no OCT, jantar no Sea World, comprar muamba no mercado de artigos falsificados de Luohu, visitar a vila dos pintores em Dafen e, como não podia deixar de ser, fazer uma boa massagem.

Além disso, como eu precisava ir ao consulado brasileiro resolver uns problemas burocráticos, levei-os também à cidade de Guangzhou cuja parte nova é linda! Quem nos levou foi o Lee, um dos motoristas que prestam serviços para os estrangeiros e que é também uma espécie de amigo da família. Lá pelas tantas, o Lee para puxar assunto no carro, disse que o pai dele era capitão de navio. Eu falei, “O meu também”. Ele muito orgulhoso complementou: “O meu transporta produtos pelo rio”. Eu retruquei: “O meu é almirante de esquadra da marinha brasileira”. Ponto para o Brasil!!! Num país comunista, onde as forças armadas são efetivamente respeitadas, meu pai era, na visão do Lee, o homem mais importante do Brasil. A partir daí, ele só o tratava de “my general” e batia continência toda vez que papai entrava ou saía do carro.

Placar: China 3 x Brasil 1

 

Lee e sua van.

Lee e sua van.

Depois de Guangzhou, fomos visitar Macau. Em Macau, num dos hotéis cassino mais famosos de lá, o The Venetian,  a China fez mais um ponto. Depois de comermos num restaurante chiquérrimo para comemorar o fim da quimioterapia, papai foi todo contente pagar a conta com seu cartão Visa. Precisa dizer o que aconteceu? O cartão não passou e pronto. Eu abri minha carteira e comecei a contar as patacas, mas não havia o suficiente nem para pagar a metade do jantar. Eu, nervosa, só conseguia resmungar baixinho: “I don’t have mataca, sorry, pacata, sorry, pataca.”

Bom, o jeito foi tentar trocar os dólares numa das bancas do cassino. E lá fui eu, com dólares de cara pequena, cara grande, mofados e sujinhos entre as mesas de blackjack e máquinas de caça-níqueis, rezando para eles aceitarem. O primeiro macauense que me atendeu rejeitou os dólares, mas em se tratando de um cassino, a gerente acabou trocando. Quando cheguei de volta ao restaurante, meus pais pareciam a Magnólia e o Severo da novela Império sendo monitorados de longe pelo maitre desconfiado.

Placar: China 4 x Brasil 1

 The Venetian hotel e seus canais de Veneza no 2o andar do edificio


The Venetian hotel e seus canais de Veneza no 2o andar do edificio

A próxima parada foi em Hong Kong. Depois de andar quilômetros dentro de uma das suas gigantescas estações de metrô e já vislumbrando a escadaria que nos aguardava para sairmos dela, avistei maravilhada um elevador. Minha mãe já estava tão cansada, que não dava para exigir dela mais nenhum esforço físico. Na frente do elevador, havia uma catraca para passar o cartão do metrô que eu tinha, mas meus pais não. No desespero, passamos os 3 juntos agarradinhos um no outro com uma única volta da roleta, usando o meu cartão. Pegamos o elevador e, em vez de subir, ele desceu. Ou seja, não adiantou de nada! Pegamos o elevador de volta e, na hora de passar novamente na catraca, a máquina começou a apitar e um supervisor do metrô veio ver o que estava acontecendo. My general foi pego em flagrante tentando dar o golpe no metrô de Hong Kong!!! No fim das contas, eu fiz cara de turista desinformada, tomei uma bronca e ficou por isso mesmo.

Placar: China 5 x Brasil 1

Buda gigante em Hong Kong. Para quem não gostava de escadaria....

Buda gigante em Hong Kong. Para quem não gostava de escadaria….

Meus pais ficaram em Shenzhen durante 30 dias e aprenderam a gostar daqui. Minha mãe, considerada a senhora de 80 anos mais linda do mundo por todas as minhas colegas chinesas, já até ia ao cabelereiro sozinha. Meu pai saía todos os dias para caminhar na orla em frente de casa e comprar guloseimas no mercadinho aqui de baixo, onde era tratado cheio de intimidade.

Mas onde o Brasil virou definitivamente o jogo foi na hora de estabelecer relações afetivas com os chineses. Meus pais, através de sorrisos, gestos, toques e todos os tipos de mímica possíveis conquistaram o coração de duas pessoas. A primeira atingida pelo calor brasileiro foi a Linda, a motorista que nos levou para cima e para baixo em Shenzhen, trocando declarações de amor com a minha mãe e trazendo presentinhos para ela. Linda não tem mãe e se apaixonou pela minha, mesmo não falando uma palavra de inglês.

Linda, nossa motorista particular em Shenzhen

Linda, nossa motorista particular em Shenzhen

Imperdoável não ter uma foto da Linda com meus pais!

A outra foi a minha ayi, a Aijiao. Antes dos meus pais chegarem, Aijiao já havia mandado fazer cobertores e lençóis novos para colocar na cama; tinha dado um jeito no banheiro para ficar mais confortável, enfim, já tinha tomado conta da situação. Quando meus pais chegaram, foi como se os pais dela tivessem vindo visitá-la. Aijiao se surpreendeu com a jovialidade da minha mãe e com o fato dela ter todos os dentes na boca. “Kelisi (Chris), os dentes dela são de verdade?”.

Placar: China 5 x Brasil 100!

Aijiao, minha ayi, enfermeira e principalmente amiga.

Aijiao, minha ayi, enfermeira e principalmente amiga.

Não foi fácil para ninguém se despedir dos meus pais depois de tanto tempo grudados com a gente. E a China, essa nunca mais será a mesma depois que my general e sua esposa estiveram aqui!

Pai e mãe, amo vocês!

Natal 2014 em Shenzhen, simplesmente inesquecível

Natal 2014 em Shenzhen, simplesmente inesquecível

Mercado municipal de Shenzhen

Mercado municipal de Shenzhen

Mulheres fazendo compras, homens entediados

Mulheres fazendo compras, homens entediados

Muro do OCT Loft

Muro do OCT Loft

My general no museu de arte moderna de Dafen

My general no museu de arte moderna de Dafen

Não é Paris, é o Window of the World em Shenzhen

Não é Paris, é o Window of the World em Shenzhen

OCT e sua decoracao de natal duvidosa

OCT e sua decoracao de natal duvidosa

Sea World e seu ícone principal, o navio

Sea World e seu ícone principal, o navio

Shenzhen bay com a ponte que liga a Hong Kong.

Shenzhen bay com a ponte que liga a Hong Kong.

 Templo do Chen Clã em Guangzhou


Templo do Chen Clã em Guangzhou

Reveillon na churrascaria Latina no Sea World

Reveillon na churrascaria Latina no Sea World

Zai jian!

再见!

christianedumont@hotmail.com

Enviado por christianedumont, 22/03/15 6:28:33 AM

你们好,

Nimen hao,

Há mais ou menos dois anos, eu estava procurando um curso de chinês onde Mariana e Marcos pudessem ter aula juntos. Acabei batendo à porta de um Centro de Artes para crianças chinesas aqui em Shekou. Pedi informações sobre os cursos disponíveis para a recepcionista que, não entendendo nada do meu mandarim ainda primitivo, me pediu para esperar. Minutos depois, uma menina parecendo ter uns 18 anos veio me receber.

Ela me fez sentar confortavelmente num sofá e me serviu chá, respeitando todo o ritual chinês de preparar, descartar a primeira infusão, servir novamente. Confesso que nunca sei muito bem como me comportar quando me servem chá num desses potinhos minúsculos: é para beber de uma vez só que nem cachaça e oferecer um gole para o Buda, ou ir molhando o bico devagarinho?

Enfim, a menina-professora de nome Nora, vendo que eu estava tentando falar com ela em mandarim, já foi de cara corrigindo meus erros e me estimulando a falar cada vez mais. Minutos depois, eu já estava tão à vontade, que me sentia praticamente três níveis de proficiência acima do meu.

Nora, professora de mandarim em Shenzhen

Nora, professora de mandarim em Shenzhen

Nora não é uma. São duas. A Nora que você vê na superfície é uma menina frágil, de um metro e meio (alguém mais baixo do que eu!), de olhar doce, sorriso aberto e com uma empolgação típica de uma adolescente. A Nora que não se vê é uma mulher de 35 anos, com longa experiência como professora de estrangeiros, com passagens pela Beijing University e outras instituições de ensino.

Nora, minha professora, parceira e às vezes, filha

Nora, minha professora, parceira e às vezes, filha

Marcos e Mari começaram a ter aula com a Nora e, na semana seguinte, já estavam envolvidos na inauguração de um curso de salsa. Eu tinha certeza absoluta que nem um dos dois iria se despencar de casa para dançar salsa num sábado à tarde, mas errei feio! E não foi só o Marcos que a Nora enfeitiçou. Seus colegas do high school também vivem dizendo que estão precisando de aula de chinês só para ficar ao lado da menina-mulher.

Aula de salsa na Shenzhen Mandarin

Aula de salsa na Shenzhen Mandarin

Nora é louca pela cultura chinesa. Seus alunos não têm um fim de semana de sossego! É aula de como fazer jiao zi, aula de caligrafia, encontros em cafés para troca de experiências, concurso de quem fala melhor os tons em mandarim. De domingo a domingo, lá está a Nora inventado alguma coisa!

Concurso de Talentos em Shenzhen

Concurso de Talentos em Shenzhen

 

Aulas de artes para criancinhas

Aulas de artes para criancinhas

Atualmente, além de ser minha professora e da Mari, Nora é minha parceira na missão de trazer brasileiros para estudar mandarim na China. Mais do que isso. Ela me “promoveu” a Diretora de Instrução num curso que dá gratuitamente para estrangeiros. São apenas 8 aulas, mas o suficiente para você sair falando seu nome, idade, onde mora, o que veio fazer na China e outras frases de sobrevivência. Deem uma olhadinha no vídeo abaixo que eu mesma gravei como diretora de instrução. Só para esclarecer, esse cargo é apenas uma brincadeira para justificar o fato de eu ajudar a Nora com alguns pensamentos ocidentais.

 

 

Como se não bastassem as aulas e os encontros culturais do fim de semana, a Nora ainda manda dicas de mandarim para seus alunos pelo Wechat toda segunda, do tipo da que você pode ver abaixo.

Como falar carne em mandarim

Como falar carne em mandarim

 

Agora, Nora por Nora:

“Adoro cultura tradicional chinesa, viajar, fazer amigos. Não gosto de esporte, mas gosto de meditar. Vegetariana, estou tentando aprender a nadar este ano. Estou atualmente encarregada do desenvolvimento do projeto “International Community Service”.

 

Aula de caligrafia

Aula de caligrafia

Momento Merchandising: Já que a Nora adora fazer novos amigos, é muito fácil vir até Shenzhen fazer um curso de mandarim com ela. Basta entrar no site da minha parceira aí no Brasil, a Márcia da Mapaei , ou no da SGBS e programar sua viagem. Ainda dá tempo de vir nas férias de Julho!

Eu e Nora estaremos aqui esperando por vocês!

Nora e Chris

Nora e Chris

 

Lai ba!

来吧!

Vem!

christianedumont@hotmail.com

Enviado por christianedumont, 15/03/15 11:36:32 AM

Hoje, dia 15 de março, o Brasil combinou de ir às ruas para se manifestar contra o governo Dilma. O movimento, que ganhou força nas redes sociais ao longo da semana, atingiu parte da comunidade brasileira aqui de Shenzhen. Às três da tarde de domingo, quatro da manhã no Brasil, um grupo de expatriados se reuniu num gesto de apoio aos brasileiros que estão saindo, neste momento, em protesto nas principais capitais do país.

A comunidade brasileira de Shenzhen é formada por famílias que decidiram deixar o país em busca de mais qualidade de vida, assim como de profissionais que não conseguiam mais se recolocar no Brasil. Diversos pilotos das falidas Varig, Rio Sul, Transbrasil e Vasp  trabalham, hoje, por salários muito melhores para as companhias aéreas chinesas como a Shenzhen Airlines.

Pouco importa se a vinda para China foi voluntária ou forçada. Todos, ao chegarem aqui, foram impactados pela mesma sensação de que a qualidade de vida no Brasil é muito ruim. “Quando se vive no Brasil, a gente não se toca de que as coisas estão tão problemáticas. A gente simplesmente se acostuma e segue em frente”, diz um dos participantes. “No entanto, ao chegar numa cidade como Shenzhen, com transporte público de qualidade, bons hospitais a preços acessíveis e, principalmente, muito seguro é que entendemos como o Brasil parou no tempo”.

Quem, aqui da China, faz negócios com o Brasil reclama dos impostos de importação altíssimos e do esquema de corrupção que acaba financiando a roubalheira generalizada.

Uma brasileira que morava nos Estados Unidos, mas está há 10 anos na China a trabalho, diz que para ser político naquele país é preciso estudar muito. No Brasil, palhaço se elege deputado e presidente se vangloria por ter chegado até onde chegou, sem precisar completar nem o ginasial.

Esta observação me fez lembrar a antiga China de Mao, onde os professores e intelectuais foram eliminados e os camponeses, sem instrução, eleitos os donos da nação. E o motivo é rigorosamente o mesmo: assim fica muito mais fácil governar.

“Os brasileiros estão mais unidos, mas não sabem muito bem o motivo. Nas redes sociais, se encontra todos os tipos de protesto, do preço do tomate ao impeachment da Dilma”, diz um profissional de trade que participou do evento.

Mas será mesmo que os brasileiros estão mais unidos? Tirando aqui por Shenzhen, o que se vê é um grupo de pessoas mais velhas que já perderam as esperanças, e outro de jovens que estão na China, mas querem muito voltar para o Brasil.

Independente dos sentimentos de revolta, decepção ou frustração que cada um de nós possa ter, a verdade é que somos todos brasileiros e que algo maior nos une: a vontade de ver o Brasil deixar de ser somente o país do carnaval, samba e futebol.

 

Brasileiros de Shenzhen em manifestação por um Brasil melhor

Brasileiros de Shenzhen em manifestação por um Brasil melhor

 

Brasileiros de Shenzhen em manifestação por um Brasil melhor

Brasileiros de Shenzhen em manifestação por um Brasil melhor

Brasileiros de Shenzhen em manifestação por um Brasil melhor

Brasileiros de Shenzhen em manifestação por um Brasil melhor

Enviado por christianedumont, 28/02/15 11:44:41 PM

你们好,

Ni men hao,

Amigos leitores, este blog é para ser um blog sobre a China e nossas aventuras por aqui. No entanto, o câncer que me achou em meados de 2014, me forçaram a mudar um pouco o tema dos meus posts.

Agora que estou totalmente curada, consegui tempo para realizar um projeto pessoal de compartilhar informações sobre o câncer com outras pessoas que não têm acesso a elas. Depois que li o livro Anticancer do Dr. David Servan, decidi fazer um resumo dos principais pontos e transformar tudo em vídeo para facilitar e democratizar o acesso a estas informações.

Anticâncer, o livro

Anticâncer, o livro

Dr. David, médico e pesquisador, teve um câncer de cérebro e decidiu pesquisar tudo que já tinha sido publicado nas revistas médicas do mundo sobre câncer. Foi assim que ele percebeu que essas pesquisas, quando analisadas separadamente, eram um bando de informações dispersas. Porém, quando analisadas juntas, faziam total sentido e reiteravam umas as outras.

O livro Anticâncer é, portanto, um compilado de dados sobre o câncer e sobre as ações que podemos adotar no nosso dia-a-dia para nos proteger dele. Afinal de contas, como diz o próprio Dr. Servan, todos nós temos um câncer dormindo dentro de nós.

 

Como está na moda, hoje em dia, transformar tudo em pergunta (vocês já wwwem ter recebido algum texto do tipo “10 maneiras de ser feliz”), também estou fazendo o mesmo. O video vai respoder 17 perguntas sobre o câncer, entre elas;

  • Por que uma pessoa tem câncer e outra não?
  • Existe realmente uma epidemia de câncer na Terra?
  • Gente deprimida tem mais risco de desenvolver câncer?
  • Por que não é bom comer proteina animal?
  • Por que na Asia, as pessoas têm menos câncer de mama, próstata e colon?

Os links dos vídeos estão abaixo e adoraria se vocês pudessem compartilhar com o máximo de pessoas. Informação nunca é demais e, como diz o ditado, é poder. E neste caso, poder de proteger a própria vida e das pessoas que você ama.

Prometo que este será o último post em que falo da doença!!!!

 

 

 

再见

zai jian

 

christianedumont@hotmail.com

 

谢谢你们!

Xiexie nimen!

Enviado por christianedumont, 13/02/15 1:35:17 PM

 

Ano do Carneiro

你们好,

Estamos a uma semana da virada do ano na China. Dia 19 de fevereiro, às 7:48 da manhã daqui (21:48 da noite do dia 18, no Brasil) começa o ano 4712. O ano do carneiro. Qualquer chinês sabe que o próximo signo é o do carneiro, mas estou para conhecer algum que consiga me dizer em que ano estamos. Nem as professoras da Shenzhen University conseguiram me responder isso.

“Segundo o horóscopo chinês, tudo indica que, depois do ano intenso do Cavalo, este será um ano mais calmo. Um ano para relaxar e fazer as pazes com tudo e todos. As coisas vão progredir lentamente e as pessoas tenderão a ser mais sentimentais e emocionais. A influência do Carneiro trará mais proximidade com o lar e com a família, fazendo com que as pessoas se importem mais com aqueles que estão perto e sejam mais liberais com o tempo e o dinheiro.” Fonte: site Delas 

Embora os chineses não gostem do ano do carneiro, por considerarem um animal submisso e pronto para o abate, para mim ele tem um significado muito especial. Acabo de terminar o tratamento para evitar a volta do câncer que me apareceu, a galope, no ano do cavalo.  Este será, certamente, o ano do meu renascimento! O foguetório, dioturno, que os chineses fazem durante a semana para afastar maus espíritos vai ter uma outra função: a de comemorar a minha vitória!

Obrigada a todos pelas orações, e-mails e mensagens que recebi ao longo deste ano! Sem vocês, teria sido muito mais dificil!

Até 4712!

Três mulheres começando a viver!

Três mulheres começando a viver!

Nesta foto, tirada terça-feira, estamos eu, uma professora da escola das crianças que está fazendo quimioterapia e a filha de uma outra professora. Um trio e tanto!

 

christiandumont@hotmail.com

Enviado por christianedumont, 31/12/14 8:17:08 AM

你们好,

Ni men hao,

Dizem que se Adão e Eva fossem chineses, o pecado original não existiria: o casalzinho teria comido a cobra e não a maçã. É, faz sentido.

O que também tem feito sentido para mim, depois da surpresinha de 2014, é um novo significado que descobri para o pecado original. Acho que a grande maldição a qual o ser humano, de qualquer raça, está condenado é a de só entender a vida através da comparação. O famoso “take for granted”, ou como diz a letra da música “ Let Her Go” do Passanger:

“Bem, você só precisa da luz quando está escurecendo
Só sente falta do sol quando começa a nevar
Só sabe que a ama quando a deixa ir
Só sabe que estava bem quando se sente mal
Só odeia a estrada quando sente saudade de casa
Só sabe que a ama quando a deixa ir
E você a deixou ir”

(Tradução)

É por este motivo que eu acredito que o câncer que tive (verbo wwwidamente conjugado no Pretérito Perfeito) me trouxe mais coisas boas do que ruins. Não, leitores, a quimioterapia não afetou meus neurônios. Obviamente, que os efeitos colaterais do tratamento não são nada agradáveis, mas os ganhos emocionais foram imensos!

Se eu pudesse acrescentar alguns versos à música “Let Her Go”, eles seriam mais ou menos assim

* Você só dá valor à liberdade quando não tem forças para acompanhar a família num passeio de fim de semana;

* Você só dá valor ao arroz com feijão de todos os dias quando o gosto amargo na sua boca transforma tudo numa prato de fel;

* Você só vê o real valor das redes sociais quando consegue, através delas, levar/receber uma palavra de incentivo a/de desconhecidas que não estão conseguindo lidar tão bem com o câncer;

* Você só entende o quão crítico e egoísta vinha sendo quando recebe palavras de apoio das pessoas que você julgava tão desimportantes;

* Você só dá real valor às amizades quando sua amiga de infância fica enviando mensagens, ao longo do dia, lembrando que você precisa beber muita água para diminuir os efeitos da quimio;

* Você só entende o poder da oração quando ela passa a ser o único remédio possível para amenizar suas dores;

* Você só sente a força do sentimento maternal quando tem plena convicção de que “mil vezes você com câncer, do que qualquer um dos seus filhos (e, no meu caso, enteado também)”;

* Você só entende o real sentido do casamento, quando seu marido continua ao seu lado dizendo “você está linda”, apesar de estar jogada à frente da TV num sábado à noite, magra, com olheiras e totalmente careca;

* Você só sente a força dos laços familiares quando seus pais, aos 80 anos de idade, viajam 36 horas do Brasil até a China só para passar o natal ao seu lado;

* Você só dá valor à saúde quando a perde.

 

Felizmente, no meu caso, uma perda apenas momentânea, mas muito, muito, muito esclarecedora. As 6 sessões de quimioterapia já terminaram e agora vem a parte mais leve do tratamento.

Leitores e amigos, eu desejo que em 2015 consigamos enxergar o valor das pequenas coisas boas da vida e a real importância daquelas as quais nos acostumamos por conta da rotina, sem precisar perdê-las por um só minuto.

E vamos à contagem regressiva, ou melhor, progressiva!

 

 

Primeira Quimio

Primeira Quimio

 

Segunda Quimio

Segunda Quimio

 

Terceira Quimio

Terceira Quimio

 

Quarta Quimio

Quarta Quimio

 

Quinta Quimio

Quinta Quimio

 

Sexta Quimio

Sexta Quimio

 

FELIZ 2015! SAÚDE!

 christiandumont@hotmail.com

Enviado por christianedumont, 19/12/14 4:45:40 AM
Feliz Natal

Feliz Natal

Enviado por christianedumont, 23/11/14 10:15:13 PM

Nimen Hao,

你们好,

Como já falei antes, minha vida caminha atualmente de 3 em 3 semanas, que são os intervalos entre as quimioterapias. Desses 21 dias, tenho passado uns 14 me recuperando dos efeitos colaterais e 7 correndo atrás do prejuízo: compras, leituras, escritos, etc.

Ontem, em um desses 7 dias, fui à festa de aniversário da minha querida amiga Gabriela, uma mineirinha daquelas que fala “uai” e ”trem”, sobre quem já escrevi. Na festa, acabei encontrando leitores do blog que eu não conhecia, mas que se já sentiam super íntimos da “Família Brasileira na China”.

Minha gente, o que é isso? Fiquei famosa? Logo agora que estou careca e com olheiras? Mas o ponto não é este, por que de famosa eu não tenho nada. O ponto é que percebi que, ao divulgar o câncer no blog, estou deixando muita gente preocupada quando não escrevo por muito tempo. As pessoas acham que estou “perdendo a luta” e outras fantasias do gênero.

Leitores, não se preocupem por que a luta já está 70% ganha. Agora só faltam 2 sessões de químio e mais a radioterapia e estarei pronta para voltar à vida normal.

Vou aproveitar, então, este último domingo antes da quinta sessão para escrever sobre os eventos que marcaram nosso último mês em Shenzhen e mostrar mais um pouco da nossa querida China.

 

Rapidinha 1 – Tem Chinês no Samba

A festa da Gabi foi o maior sucesso! Ela fechou um barzinho ao lado da churrascaria Gaúcho, cujo dono é chinês e que vai ter que dançar um dobrado depois que a mega concorrente Latina abrir no Sea World.  Ela pediu ao seu amigo inglês, que é DJ, para só tocar música brasileira e emprestou um USB de samba, axé e pagode. Muito engraçado ver o inglesinho todo mauricinho balançando os ombros ao som de “Ai, que bom você chegou, bem-vindo a Salvador, coração do Brasil!”.

Os convidados eram de todos os lugares do planeta fazendo da pista de dança uma grande torre de Babel: inglês, escocês, croata, espanhol, polonês, georgiano, português, libanês e, obviamente, chinês. Dá para imaginar que rolou samba no pé, mas também na mão, na cabeça, no ombro… o importante era se divertir! Gabi, amiga, zhu ni sheng ri kuai le! 祝你生日快乐

 

Festa da Gabi

Festa da Gabi

Na foto abaixo, minhas amigas Luciana, Gabriela e seu namorado Cadu, que liam o blog antes de vir morar na China; eu, na fantasia de sempre, e Luiz que nunca cabe nas fotos.

 

Rapidinha 2 – Os gêmeos

Ontem, antes da festa da Gabi, Luiz foi a um jantar em comemoração dos 100 dias dos bebês de uma colega de trabalho, o que me deu a chance de apontar três diferenças culturais entre brasileiros e chineses:

1. Eu não fui convidada.

2. Na China é costume fazer uma festa quando o bebê completa 100 dias

3. Num país sob a política do filho único, que sorte ter filhos gêmeos, hein?

 

Gêmeos chineses comemorando 100 dias.

Gêmeos chineses comemorando 100 dias.

Olhem a diferença de tamanho entre a menina e o menino!!!! 

Nossa, acabei de perceber que eu também estou comemorando 100 dias de tratamento. Vai ver que é por isso que os gêmeos se parecem comigo: carequinhas!

 

Rapidinha 3 – Remédios na China

Mariana ainda está tratando dos dentes por conta do acidente de 2 anos atrás. Hoje, ela voltou de uma cirurgia com uma bolsinha cheia de remédios. Na hora de dar o analgésico, começou a confusão. Qual era mesmo o analgésico? O jeito foi mandar uma foto numerada para a dentista e pedir Socorro!

 

Remedios na China

Remedios na China

 Socorro!

Rapidinha 4 – Christiane White está de volta

Existe um seriado americano chamado Breaking Bad que conta a história de um professor de química que, ao descobrir que estava com câncer de pulmão, virou o maior produtor de cristais de metanfetamina do Novo México, para sustentar a família. Além de “virar do mal”, o Mr. White também ficou careca por causa da químio.

Semana passada, minha colega de universidade e amiga iraniana, Sara, me trouxe de presente do Irã amêndoas e cristais de açúcar que ajudam na cura do câncer, segundo a cultura do país. Não deu outra. Cada um que abriu a geladeira esta semana me perguntou a mesmíssima coisa:

_ O que é isso? Metanfetamina?

 

Chris is breaking bad!

Chris is breaking bad!

Deve ser tão bom ser “do mal” vez em quando!

 

Rapidinha 5 – Milagre de Natal

Dudu cismou de comprar uma bicicleta nova. Para comprar a nova bike, tivemos que ampliar nosso vocabulário em mandarim e acrescentar palavrinhas como alumínio e ferro as quais, obviamente, já não tenho mais a menor ideia de como se fala. O chinesinho da Baixaria, que sempre nos atende com o maior carinho, vendia uma bicicleta igual a da Decathlon, pela metade do preço. Depois de muita discussão com o Dudu para tentar convencê-lo a economizar seu próprio dinheiro, ele concordou em comprar a bicicleta do chinês e abrir mão da marca Decathlon.

Ontem Dudu me ligou da porta do mercadinho dizendo que entrou para comprar uma bebida e roubaram a bike novinha dele. Quase chorei de pena. Felizmente, 5 minutos depois, Dudu ligou de novo, desta vez para dizer que um chinês voltou para wwwolver a bicicleta que foi pega por engano! Considero isso um verdadeiro milagre por que, apesar da violência em Shenzhen ser mínima, é comum o roubo de bicicletas.

 

Dudu e sua bike

Dudu e sua bike

Nossas bicicletas ficam estacionadas na porta de casa por que já roubaram uma delas na garagem.

 

Rapidinha 6 – Por do Sol

E para terminar este post em astral, deixo vocês com o por do sol do outono de Shenzhen, visto da varanda aqui de casa, para inspirar, iluminar e abençoar  nossas próximas 3 semanas!

Vista da varanda aqui de casa

Vista da varanda aqui de casa

 

Todas as tardes somos premiados com esta vista. 

 

再见

Zai Jian

 

christianedumont@hotmail.com

 

 

 

Enviado por christianedumont, 02/11/14 2:16:12 AM

你们好,

Este blog nasceu em outubro de 2011 com o propósito de contar nossas aventuras na China. Confesso que está sendo difícil não falar do câncer que me pegou de surpresa, em vez de continuar relatando nossos “causos” orientais. Até criei a página “Câncer, Rindo juntos Desta Fase no Facebook para concentrar todos os assuntos relacionados ao câncer num só lugar.

No entanto, leitores, como viver esta doença na China está sendo uma das nossas maiores aventuras além-mar, inevitável não falar dela.

Então vamos lá!

Como eu tenho a sorte de ter os melhores amigos do mundo, passei as 3 últimas semanas na companhia de uma amiga de infância. Infância, mesmo! Nos conhecemos quando tínhamos por volta de 8 anos e conseguimos nos manter em contato durante toooooooooodo este tempo. Além de ser uma pessoa maravilhosa, que conhece alguns segredinhos meus que nem eu mesma lembrava mais, a Andrea é enfermeira, dona de uma clínica de vacinação em Joinville e esposa de um grande oncologista. Oncologista pediatra, o que em minha opinião, equivale a ser quase um deus. Ou seja, eu não poderia estar em melhor companhia!

Isso acabou fazendo toda a diferença na minha terceira sessão de quimio. Ela me fez beber 4 litros de água por dia, nos 3 dias subsequentes à aplicação, limpando meu organismo mais rapidamente e, consequentemente, reduzindo as dores de cabeça e mal estar. Confesso que ainda tenho pesadelos com a Andrea tentando me afogar, mas foi para o meu bem!

Para compensar minha amiga por tanta paciência, aproveitei os dias em que estava me sentindo melhor para levá-la a Macau e Hong Kong. E foi lá, em sua companhia ou por causa dela, que eu tive coragem de SAIR SEM PERUCA!!!!

Jamais pensei que ia me sentir, de novo, como uma adolescente que acabou de colocar aparelho nos dentes. Ainda mais por que o povo chinês não tem muito o conceito de privacidade. Por exemplo, nos hospitais, enquanto você está sendo examinada, há sempre alguém à porta do consultório tentando dar uma palavrinha com o médico. Um menino que acabou de chegar aqui em casa para entregar uma encomenda (exatamente quando eu estava escrevendo sobre isso) entrou sala a dentro, elogiou a vista do apartamento e, como era de se esperar, perguntou quanto eu pagava de aluguel.

Imaginem, então, o que eles não fariam diante de uma ocidental completamente careca andando pelas ruas!!! Sabe o que? Nada! Absolutamente nada. Raríssimas pessoas arriscaram uma segunda olhada para minha carequinha cheia de penugem branca. Socorro! Meu cabelo está todo branco!

 

Para que servem os amigos

Para que servem os amigos

Hotel Beverly em Macau

 

Ocean Park em Hong Kong

Ocean Park em Hong Kong

Descobri que sou um panda: cabeça branca e olheiras negras.

 

Os dois principais pontos turísticos de Macau

Os dois principais pontos turísticos de Macau

Ruínas de São Paulo e templo de A Ma, por que não importa o deus, o importante é ter fé!

Hotel-Cassino The Venetian em Macau

Hotel-Cassino The Venetian em Macau

Hotel The Venetian em Macau, embora pareça um museu na Europa.

Vista do Ocean Parke em Hong Kong

Vista do Ocean Parke em Hong Kong

 

Vista do Pão de Açucar no Rio de Janeiro? Não, vista do Ocean Park em Hong Kong.

 

Depois desta viagem tão especial e por conta dos chineses terem me deixado tão à vontade com minha carequisse, me senti inspirada a escrever sobre as vantagens de perder os cabelos por causa da quimioterapia. Vamos lá!

 

A mais óbvia de todas

Não preciso mais pintar os cabelos, fazer progressivas, hidratação, depilação e todos esses tratamentos que roubam um tempo precioso de nossas vidas.

Inesperada

Por conta da menopausa induzida pela quimioterapia, tenho calorões enormes. Algo que eu ouvia falar, mas não acreditava que pudesse acontecer comigo. Mas, quando acontece, é só pegar uma latinha de refrigerante bem gelada e passar na cabeça para sincronizar o termômetro interno novamente!

Calmante

Tomar banho e sentir a água batendo diretamente no couro cabeludo não tem preço! Todos os dias, anseio pelo momento da massagem capilar, de preferência com água fria para acalmar os calorões!

Refrescante

Meu amigo Hera, que é careca por opção, me disse “Quando você tiver que raspar a cabeça, vai poder sentir o prazer do vento passando pelo topo da sua cabeça aliviando este calor insuportável de Shenzhen”. Pensei “O que não faz um amigo para aliviar a dor do outro!”. Mas sabe que ele tinha to-da-ra-zão?!

Versátil

Lenços podem ser muito interessantes e eficazes para retratar seu humor do dia. Aqui em Shenzhen, cidade globalizada por natureza, já me perguntaram se eu era iraniana e indiana

Inocente

Quando alguém acha um fio de cabelo na comida, você está automaticamente eximida de culpa.

Fashion

Você está sempre “cool”. Querendo ou não, ao sair careca sem cara de doente (o que se consegue com maquiagem, brincões, óculos de aros enormes, echarpes e outros truques), você acaba sendo considerada super fashion! Na minha viagem com a Andrea, eu fiquei com a sensação inclusive de que fomos consideradas fashion demais, tipo, casal gay assumido.  E daí, né? Quem é que já não se sentiu meio esposa de uma grande amiga?

 

 

Breakfast em Macau com minha parceira

Breakfast em Macau com minha parceira

Amiga, obrigada por tornar meu tratamento mais leve durante os dias em que esteve na China comigo! Você foi demais!!!

 

Zai Jian

christianedumont@hotmail.com

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