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Uma família brasileira na China

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Enviado por christianedumont, 28/02/15 11:44:41 PM

你们好,

Ni men hao,

Amigos leitores, este blog é para ser um blog sobre a China e nossas aventuras por aqui. No entanto, o câncer que me achou em meados de 2014, me forçaram a mudar um pouco o tema dos meus posts.

Agora que estou totalmente curada, consegui tempo para realizar um projeto pessoal de compartilhar informações sobre o câncer com outras pessoas que não têm acesso a elas. Depois que li o livro Anticancer do Dr. David Servan, decidi fazer um resumo dos principais pontos e transformar tudo em vídeo para facilitar e democratizar o acesso a estas informações.

Anticâncer, o livro

Anticâncer, o livro

Dr. David, médico e pesquisador, teve um câncer de cérebro e decidiu pesquisar tudo que já tinha sido publicado nas revistas médicas do mundo sobre câncer. Foi assim que ele percebeu que essas pesquisas, quando analisadas separadamente, eram um bando de informações dispersas. Porém, quando analisadas juntas, faziam total sentido e reiteravam umas as outras.

O livro Anticâncer é, portanto, um compilado de dados sobre o câncer e sobre as ações que podemos adotar no nosso dia-a-dia para nos proteger dele. Afinal de contas, como diz o próprio Dr. Servan, todos nós temos um câncer dormindo dentro de nós.

 

Como está na moda, hoje em dia, transformar tudo em pergunta (vocês já devem ter recebido algum texto do tipo “10 maneiras de ser feliz”), também estou fazendo o mesmo. O video vai respoder 17 perguntas sobre o câncer, entre elas;

  • Por que uma pessoa tem câncer e outra não?
  • Existe realmente uma epidemia de câncer na Terra?
  • Gente deprimida tem mais risco de desenvolver câncer?
  • Por que não é bom comer proteina animal?
  • Por que na Asia, as pessoas têm menos câncer de mama, próstata e colon?

Os links dos vídeos estão abaixo e adoraria se vocês pudessem compartilhar com o máximo de pessoas. Informação nunca é demais e, como diz o ditado, é poder. E neste caso, poder de proteger a própria vida e das pessoas que você ama.

Prometo que este será o último post em que falo da doença!!!!

 

 

 

再见

zai jian

 

christianedumont@hotmail.com

 

谢谢你们!

Xiexie nimen!

Enviado por christianedumont, 13/02/15 1:35:17 PM

 

Ano do Carneiro

你们好,

Estamos a uma semana da virada do ano na China. Dia 19 de fevereiro, às 7:48 da manhã daqui (21:48 da noite do dia 18, no Brasil) começa o ano 4712. O ano do carneiro. Qualquer chinês sabe que o próximo signo é o do carneiro, mas estou para conhecer algum que consiga me dizer em que ano estamos. Nem as professoras da Shenzhen University conseguiram me responder isso.

“Segundo o horóscopo chinês, tudo indica que, depois do ano intenso do Cavalo, este será um ano mais calmo. Um ano para relaxar e fazer as pazes com tudo e todos. As coisas vão progredir lentamente e as pessoas tenderão a ser mais sentimentais e emocionais. A influência do Carneiro trará mais proximidade com o lar e com a família, fazendo com que as pessoas se importem mais com aqueles que estão perto e sejam mais liberais com o tempo e o dinheiro.” Fonte: site Delas 

Embora os chineses não gostem do ano do carneiro, por considerarem um animal submisso e pronto para o abate, para mim ele tem um significado muito especial. Acabo de terminar o tratamento para evitar a volta do câncer que me apareceu, a galope, no ano do cavalo.  Este será, certamente, o ano do meu renascimento! O foguetório, dioturno, que os chineses fazem durante a semana para afastar maus espíritos vai ter uma outra função: a de comemorar a minha vitória!

Obrigada a todos pelas orações, e-mails e mensagens que recebi ao longo deste ano! Sem vocês, teria sido muito mais dificil!

Até 4712!

Três mulheres começando a viver!

Três mulheres começando a viver!

Nesta foto, tirada terça-feira, estamos eu, uma professora da escola das crianças que está fazendo quimioterapia e a filha de uma outra professora. Um trio e tanto!

 

christiandumont@hotmail.com

Enviado por christianedumont, 31/12/14 8:17:08 AM

你们好,

Ni men hao,

Dizem que se Adão e Eva fossem chineses, o pecado original não existiria: o casalzinho teria comido a cobra e não a maçã. É, faz sentido.

O que também tem feito sentido para mim, depois da surpresinha de 2014, é um novo significado que descobri para o pecado original. Acho que a grande maldição a qual o ser humano, de qualquer raça, está condenado é a de só entender a vida através da comparação. O famoso “take for granted”, ou como diz a letra da música “ Let Her Go” do Passanger:

“Bem, você só precisa da luz quando está escurecendo
Só sente falta do sol quando começa a nevar
Só sabe que a ama quando a deixa ir
Só sabe que estava bem quando se sente mal
Só odeia a estrada quando sente saudade de casa
Só sabe que a ama quando a deixa ir
E você a deixou ir”

(Tradução)

É por este motivo que eu acredito que o câncer que tive (verbo devidamente conjugado no Pretérito Perfeito) me trouxe mais coisas boas do que ruins. Não, leitores, a quimioterapia não afetou meus neurônios. Obviamente, que os efeitos colaterais do tratamento não são nada agradáveis, mas os ganhos emocionais foram imensos!

Se eu pudesse acrescentar alguns versos à música “Let Her Go”, eles seriam mais ou menos assim

* Você só dá valor à liberdade quando não tem forças para acompanhar a família num passeio de fim de semana;

* Você só dá valor ao arroz com feijão de todos os dias quando o gosto amargo na sua boca transforma tudo numa prato de fel;

* Você só vê o real valor das redes sociais quando consegue, através delas, levar/receber uma palavra de incentivo a/de desconhecidas que não estão conseguindo lidar tão bem com o câncer;

* Você só entende o quão crítico e egoísta vinha sendo quando recebe palavras de apoio das pessoas que você julgava tão desimportantes;

* Você só dá real valor às amizades quando sua amiga de infância fica enviando mensagens, ao longo do dia, lembrando que você precisa beber muita água para diminuir os efeitos da quimio;

* Você só entende o poder da oração quando ela passa a ser o único remédio possível para amenizar suas dores;

* Você só sente a força do sentimento maternal quando tem plena convicção de que “mil vezes você com câncer, do que qualquer um dos seus filhos (e, no meu caso, enteado também)”;

* Você só entende o real sentido do casamento, quando seu marido continua ao seu lado dizendo “você está linda”, apesar de estar jogada à frente da TV num sábado à noite, magra, com olheiras e totalmente careca;

* Você só sente a força dos laços familiares quando seus pais, aos 80 anos de idade, viajam 36 horas do Brasil até a China só para passar o natal ao seu lado;

* Você só dá valor à saúde quando a perde.

 

Felizmente, no meu caso, uma perda apenas momentânea, mas muito, muito, muito esclarecedora. As 6 sessões de quimioterapia já terminaram e agora vem a parte mais leve do tratamento.

Leitores e amigos, eu desejo que em 2015 consigamos enxergar o valor das pequenas coisas boas da vida e a real importância daquelas as quais nos acostumamos por conta da rotina, sem precisar perdê-las por um só minuto.

E vamos à contagem regressiva, ou melhor, progressiva!

 

 

Primeira Quimio

Primeira Quimio

 

Segunda Quimio

Segunda Quimio

 

Terceira Quimio

Terceira Quimio

 

Quarta Quimio

Quarta Quimio

 

Quinta Quimio

Quinta Quimio

 

Sexta Quimio

Sexta Quimio

 

FELIZ 2015! SAÚDE!

 christiandumont@hotmail.com

Enviado por christianedumont, 19/12/14 4:45:40 AM
Feliz Natal

Feliz Natal

Enviado por christianedumont, 23/11/14 10:15:13 PM

Nimen Hao,

你们好,

Como já falei antes, minha vida caminha atualmente de 3 em 3 semanas, que são os intervalos entre as quimioterapias. Desses 21 dias, tenho passado uns 14 me recuperando dos efeitos colaterais e 7 correndo atrás do prejuízo: compras, leituras, escritos, etc.

Ontem, em um desses 7 dias, fui à festa de aniversário da minha querida amiga Gabriela, uma mineirinha daquelas que fala “uai” e ”trem”, sobre quem já escrevi. Na festa, acabei encontrando leitores do blog que eu não conhecia, mas que se já sentiam super íntimos da “Família Brasileira na China”.

Minha gente, o que é isso? Fiquei famosa? Logo agora que estou careca e com olheiras? Mas o ponto não é este, por que de famosa eu não tenho nada. O ponto é que percebi que, ao divulgar o câncer no blog, estou deixando muita gente preocupada quando não escrevo por muito tempo. As pessoas acham que estou “perdendo a luta” e outras fantasias do gênero.

Leitores, não se preocupem por que a luta já está 70% ganha. Agora só faltam 2 sessões de químio e mais a radioterapia e estarei pronta para voltar à vida normal.

Vou aproveitar, então, este último domingo antes da quinta sessão para escrever sobre os eventos que marcaram nosso último mês em Shenzhen e mostrar mais um pouco da nossa querida China.

 

Rapidinha 1 – Tem Chinês no Samba

A festa da Gabi foi o maior sucesso! Ela fechou um barzinho ao lado da churrascaria Gaúcho, cujo dono é chinês e que vai ter que dançar um dobrado depois que a mega concorrente Latina abrir no Sea World.  Ela pediu ao seu amigo inglês, que é DJ, para só tocar música brasileira e emprestou um USB de samba, axé e pagode. Muito engraçado ver o inglesinho todo mauricinho balançando os ombros ao som de “Ai, que bom você chegou, bem-vindo a Salvador, coração do Brasil!”.

Os convidados eram de todos os lugares do planeta fazendo da pista de dança uma grande torre de Babel: inglês, escocês, croata, espanhol, polonês, georgiano, português, libanês e, obviamente, chinês. Dá para imaginar que rolou samba no pé, mas também na mão, na cabeça, no ombro… o importante era se divertir! Gabi, amiga, zhu ni sheng ri kuai le! 祝你生日快乐

 

Festa da Gabi

Festa da Gabi

Na foto abaixo, minhas amigas Luciana, Gabriela e seu namorado Cadu, que liam o blog antes de vir morar na China; eu, na fantasia de sempre, e Luiz que nunca cabe nas fotos.

 

Rapidinha 2 – Os gêmeos

Ontem, antes da festa da Gabi, Luiz foi a um jantar em comemoração dos 100 dias dos bebês de uma colega de trabalho, o que me deu a chance de apontar três diferenças culturais entre brasileiros e chineses:

1. Eu não fui convidada.

2. Na China é costume fazer uma festa quando o bebê completa 100 dias

3. Num país sob a política do filho único, que sorte ter filhos gêmeos, hein?

 

Gêmeos chineses comemorando 100 dias.

Gêmeos chineses comemorando 100 dias.

Olhem a diferença de tamanho entre a menina e o menino!!!! 

Nossa, acabei de perceber que eu também estou comemorando 100 dias de tratamento. Vai ver que é por isso que os gêmeos se parecem comigo: carequinhas!

 

Rapidinha 3 – Remédios na China

Mariana ainda está tratando dos dentes por conta do acidente de 2 anos atrás. Hoje, ela voltou de uma cirurgia com uma bolsinha cheia de remédios. Na hora de dar o analgésico, começou a confusão. Qual era mesmo o analgésico? O jeito foi mandar uma foto numerada para a dentista e pedir Socorro!

 

Remedios na China

Remedios na China

 Socorro!

Rapidinha 4 – Christiane White está de volta

Existe um seriado americano chamado Breaking Bad que conta a história de um professor de química que, ao descobrir que estava com câncer de pulmão, virou o maior produtor de cristais de metanfetamina do Novo México, para sustentar a família. Além de “virar do mal”, o Mr. White também ficou careca por causa da químio.

Semana passada, minha colega de universidade e amiga iraniana, Sara, me trouxe de presente do Irã amêndoas e cristais de açúcar que ajudam na cura do câncer, segundo a cultura do país. Não deu outra. Cada um que abriu a geladeira esta semana me perguntou a mesmíssima coisa:

_ O que é isso? Metanfetamina?

 

Chris is breaking bad!

Chris is breaking bad!

Deve ser tão bom ser “do mal” vez em quando!

 

Rapidinha 5 – Milagre de Natal

Dudu cismou de comprar uma bicicleta nova. Para comprar a nova bike, tivemos que ampliar nosso vocabulário em mandarim e acrescentar palavrinhas como alumínio e ferro as quais, obviamente, já não tenho mais a menor ideia de como se fala. O chinesinho da Baixaria, que sempre nos atende com o maior carinho, vendia uma bicicleta igual a da Decathlon, pela metade do preço. Depois de muita discussão com o Dudu para tentar convencê-lo a economizar seu próprio dinheiro, ele concordou em comprar a bicicleta do chinês e abrir mão da marca Decathlon.

Ontem Dudu me ligou da porta do mercadinho dizendo que entrou para comprar uma bebida e roubaram a bike novinha dele. Quase chorei de pena. Felizmente, 5 minutos depois, Dudu ligou de novo, desta vez para dizer que um chinês voltou para devolver a bicicleta que foi pega por engano! Considero isso um verdadeiro milagre por que, apesar da violência em Shenzhen ser mínima, é comum o roubo de bicicletas.

 

Dudu e sua bike

Dudu e sua bike

Nossas bicicletas ficam estacionadas na porta de casa por que já roubaram uma delas na garagem.

 

Rapidinha 6 – Por do Sol

E para terminar este post em astral, deixo vocês com o por do sol do outono de Shenzhen, visto da varanda aqui de casa, para inspirar, iluminar e abençoar  nossas próximas 3 semanas!

Vista da varanda aqui de casa

Vista da varanda aqui de casa

 

Todas as tardes somos premiados com esta vista. 

 

再见

Zai Jian

 

christianedumont@hotmail.com

 

 

 

Enviado por christianedumont, 02/11/14 2:16:12 AM

你们好,

Este blog nasceu em outubro de 2011 com o propósito de contar nossas aventuras na China. Confesso que está sendo difícil não falar do câncer que me pegou de surpresa, em vez de continuar relatando nossos “causos” orientais. Até criei a página “Câncer, Rindo juntos Desta Fase no Facebook para concentrar todos os assuntos relacionados ao câncer num só lugar.

No entanto, leitores, como viver esta doença na China está sendo uma das nossas maiores aventuras além-mar, inevitável não falar dela.

Então vamos lá!

Como eu tenho a sorte de ter os melhores amigos do mundo, passei as 3 últimas semanas na companhia de uma amiga de infância. Infância, mesmo! Nos conhecemos quando tínhamos por volta de 8 anos e conseguimos nos manter em contato durante toooooooooodo este tempo. Além de ser uma pessoa maravilhosa, que conhece alguns segredinhos meus que nem eu mesma lembrava mais, a Andrea é enfermeira, dona de uma clínica de vacinação em Joinville e esposa de um grande oncologista. Oncologista pediatra, o que em minha opinião, equivale a ser quase um deus. Ou seja, eu não poderia estar em melhor companhia!

Isso acabou fazendo toda a diferença na minha terceira sessão de quimio. Ela me fez beber 4 litros de água por dia, nos 3 dias subsequentes à aplicação, limpando meu organismo mais rapidamente e, consequentemente, reduzindo as dores de cabeça e mal estar. Confesso que ainda tenho pesadelos com a Andrea tentando me afogar, mas foi para o meu bem!

Para compensar minha amiga por tanta paciência, aproveitei os dias em que estava me sentindo melhor para levá-la a Macau e Hong Kong. E foi lá, em sua companhia ou por causa dela, que eu tive coragem de SAIR SEM PERUCA!!!!

Jamais pensei que ia me sentir, de novo, como uma adolescente que acabou de colocar aparelho nos dentes. Ainda mais por que o povo chinês não tem muito o conceito de privacidade. Por exemplo, nos hospitais, enquanto você está sendo examinada, há sempre alguém à porta do consultório tentando dar uma palavrinha com o médico. Um menino que acabou de chegar aqui em casa para entregar uma encomenda (exatamente quando eu estava escrevendo sobre isso) entrou sala a dentro, elogiou a vista do apartamento e, como era de se esperar, perguntou quanto eu pagava de aluguel.

Imaginem, então, o que eles não fariam diante de uma ocidental completamente careca andando pelas ruas!!! Sabe o que? Nada! Absolutamente nada. Raríssimas pessoas arriscaram uma segunda olhada para minha carequinha cheia de penugem branca. Socorro! Meu cabelo está todo branco!

 

Para que servem os amigos

Para que servem os amigos

Hotel Beverly em Macau

 

Ocean Park em Hong Kong

Ocean Park em Hong Kong

Descobri que sou um panda: cabeça branca e olheiras negras.

 

Os dois principais pontos turísticos de Macau

Os dois principais pontos turísticos de Macau

Ruínas de São Paulo e templo de A Ma, por que não importa o deus, o importante é ter fé!

Hotel-Cassino The Venetian em Macau

Hotel-Cassino The Venetian em Macau

Hotel The Venetian em Macau, embora pareça um museu na Europa.

Vista do Ocean Parke em Hong Kong

Vista do Ocean Parke em Hong Kong

 

Vista do Pão de Açucar no Rio de Janeiro? Não, vista do Ocean Park em Hong Kong.

 

Depois desta viagem tão especial e por conta dos chineses terem me deixado tão à vontade com minha carequisse, me senti inspirada a escrever sobre as vantagens de perder os cabelos por causa da quimioterapia. Vamos lá!

 

A mais óbvia de todas

Não preciso mais pintar os cabelos, fazer progressivas, hidratação, depilação e todos esses tratamentos que roubam um tempo precioso de nossas vidas.

Inesperada

Por conta da menopausa induzida pela quimioterapia, tenho calorões enormes. Algo que eu ouvia falar, mas não acreditava que pudesse acontecer comigo. Mas, quando acontece, é só pegar uma latinha de refrigerante bem gelada e passar na cabeça para sincronizar o termômetro interno novamente!

Calmante

Tomar banho e sentir a água batendo diretamente no couro cabeludo não tem preço! Todos os dias, anseio pelo momento da massagem capilar, de preferência com água fria para acalmar os calorões!

Refrescante

Meu amigo Hera, que é careca por opção, me disse “Quando você tiver que raspar a cabeça, vai poder sentir o prazer do vento passando pelo topo da sua cabeça aliviando este calor insuportável de Shenzhen”. Pensei “O que não faz um amigo para aliviar a dor do outro!”. Mas sabe que ele tinha to-da-ra-zão?!

Versátil

Lenços podem ser muito interessantes e eficazes para retratar seu humor do dia. Aqui em Shenzhen, cidade globalizada por natureza, já me perguntaram se eu era iraniana e indiana

Inocente

Quando alguém acha um fio de cabelo na comida, você está automaticamente eximida de culpa.

Fashion

Você está sempre “cool”. Querendo ou não, ao sair careca sem cara de doente (o que se consegue com maquiagem, brincões, óculos de aros enormes, echarpes e outros truques), você acaba sendo considerada super fashion! Na minha viagem com a Andrea, eu fiquei com a sensação inclusive de que fomos consideradas fashion demais, tipo, casal gay assumido.  E daí, né? Quem é que já não se sentiu meio esposa de uma grande amiga?

 

 

Breakfast em Macau com minha parceira

Breakfast em Macau com minha parceira

Amiga, obrigada por tornar meu tratamento mais leve durante os dias em que esteve na China comigo! Você foi demais!!!

 

Zai Jian

christianedumont@hotmail.com

Enviado por christianedumont, 22/10/14 8:44:49 AM

你好

Ni hao,

Fazer quimioterapia sistêmica equivale a saber que você ficará “doente” de 3 em 3 semanas, no meu caso, pelo menos. A gente faz a quimio, passa 3 dias bem, começa a piorar, passa 3 dias mal e começa a melhorar de novo. Aí, quando a gente se sente super bem de novo, lá vem outra dedetização. Por isso, esse blog está ficando meio sem data para acontecer, o que vem assustando alguns leitores que enviam e-mails me perguntado se estou bem.

Leitores, estou super bem. Estou aprendendo alguns truques e a cada nova sessão, consigo me recuperar cada vez mais rápido. E com o tempo que me sobra entre uma quimio e outra, tento dividir essa experiência com outras pessoas que estão passando pelo mesmo problema.

Li uma frase do Gilberto Dimenstein outro dia que diz “Há pessoas que transformam uma dor individual numa solução coletiva”. Sei que é pretensão da minha parte me considerar uma dessas pessoas, mas é este o significado que enxergo no câncer. Naquele câncer que eu tive, já tirei e agora me trato para não voltar.

Por conta disso, fiz um novo perfil no Face chamado “Câncer, rindo juntos desta fase” onde coloco tudo que venho recebendo de amigos, leitores e de gente que nunca me viu, mas teve a generosidade de me apoiar neste momento. Tenho descoberto um mar de solidariedade nas redes sociais e, sinceramente, não consigo entender quem ainda se recusa a participar deste novo universo virtual.

Enfim, uma das pessoas que entrou em contato comigo foi um rapaz de 21 anos que trabalha num hospital ajudando a cuidar de crianças em tratamento de câncer. Ele contou para as criancinhas que havia uma princesa na China que também estava doente e pediu para as crianças fazerem desenhos bonitos para mim. Está tudo lá no Face!

Esse menino e sua generosidade me inspiraram tanto, que resolvi escrever uma historia passada na China como agradecimento a estas criancinhas. A história se chama A Luta de Xiao Ling. Precisa dizer mais?

História para criancinhas em tratamento de câncer

História para criancinhas em tratamento de câncer

Clique aqui para acessar o video no Youtube:  A Luta de Xiao Ling

Zai Jian

 

christianedumont@hotmail.com

 

Enviado por christianedumont, 23/09/14 7:31:20 AM

你们好,

Nimen hao,

Quando a mulher engravida, ela é alçada a um status diferente dos outros seres humanos. As pessoas passam a nos olhar de uma forma mais terna; oferecem-nos os melhores lugares onde quer que entremos; não precisamos mais encarar filas; nossas barrigas viram domínio público: todo mundo dá uma passadinha de mão.

Reparei que com o câncer acontece algo similar, mas menos fofinho. Ao falarmos a palavra maligna “câncer”, as pessoas também passam a nos olhar de uma forma diferente e também nos são oferecidos os melhores lugares. Mas não por que suscitamos sentimentos alegres por haver um milagre acontecendo dentro de nós. Mas por que acabamos provocando piedade diante dessa “coisa ruim” que tomou conta do nosso corpo.

Ao contrário da gravidez, o câncer não é visível. Até a cirurgia de seio, na maioria das vezes, não deixa sequelas. O câncer só se torna real, palpável, visível e impossível de esconder na hora de raspar a cabeça.

Como é que você chega ao salão de cabelereiro, com as longas madeixas pintadas, escovadas e brilhantes e pede: _ Raspa tudo, por favor?

De duas uma: ou você ficou maluca ou está doente.

E é no momento de assumir o câncer publicamente, que se corre o risco de confundir tratamento com doença. Ficar careca é sinal de que a quimioterapia está cumprindo com o seu papel direitinho, e não de que se está com câncer no cérebro a ponto de perder os cabelos.

Esta semana, mais precisamente no D14, meu cabelo começou a cair. As amigas diziam: _ O meu também cai para caramba!

Não, amigas, vocês não estão entendendo. Eu passo a mão e sai um monte de cabelos. Passo de novo, sai mais e mais e mais. Se eu ficasse um dia inteiro passando a mão nos cabelos, terminaria careca.

No D15, tomei coragem e fui ao salão. Para cumprir a penosa tarefa de cortar meus cabelos bem curtinhos, escolhi uma cabelereira chinesa que conheci logo que cheguei à China, em 2011. Ela é meio andrógina, tem sempre um lado da cabeça raspado e outro pintado de vermelho, enfim, a mente aberta que eu precisava.

Falei em chinês a palavra maligna, depois “quimioterapia” e mostrei os cabelos caindo. Sem nenhuma cara de pena, ela olhou a foto que selecionei na Internet, me sentou na cadeira e passou 40 minutos cortando meu cabelo, a tesoura, com todo o cuidado. Com direito a lavagem e tudo.

 

Dudu, Jane e Chris

Dudu, Jane e Chris

A primeira tesourada a gente nunca esquece.

No final das contas, até que não ficou muito ruim. Tirei literalmente um peso dos ombros, comecei a pousar de mulher moderna, autêntica e descolada.

 

Me achando! Mal sabia eu...

Me achando! Mal sabia eu…

Mas não durou muito. Os fios curtinhos começaram a aparecer no chão do banheiro, nos lençóis, na mesa da sala, no chão da cozinha… e eu varrendo, aspirando, soprando. Cinco dias depois, fui a outro salão mais baratinho para raspar geral.

Selecionei nova foto na Internet e fiquei me imaginando toda linda! Careca como a Britney Spears. Mas a realidade era outra. O cabelo não sai todo com a maquininha. A cor do couro cabeludo é diferente da do rosto. E, mesmo levando tudo na brincadeira, me deu uma vontade enorme de chorar.

 

Raspando os cabelos

Raspando os cabelos

 

Só que esta semana recebi um e-mail de uma leitora que já teve câncer de mama e que me tocou profundamente. Nele havia uma frase que virou meu lema:

“A doença vai ter o tamanho que você permitir!”

Por isso, apesar de eu estar levando o tratamento de forma absolutamente séria, a doença não vai se transformar no centro da minha vida. E, se depender da Família Brasileira na China, ela vai ter que tomar muito Biotônico Fontoura!

 

Mariana e eu, eu e Mariana

Mariana e eu, eu e Mariana

 

 

alibi.com

alibi.com

 

famososnaweb.com.br

famososnaweb.com.br

 

 

monstruoteca.blogspot

monstruoteca.blogspot

 

 

Familia Brasileira Palhaca na China

Familia Brasileira Palhaca na China

Na saúde e na doença, amando, respeitando e fazendo rir!

 

Amanhã tenho nova sessão de quimio, então, até daqui a 15 dias!

Ah! Já ia me esquecendo: careca em chinês é GuangTou (光头)。

再见

Zaijian

Christianedumont@hotmail.com

Shenzhen Global Business Services (por que eu continuo trabalhando!)

Enviado por christianedumont, 13/09/14 8:55:31 AM

你们好

Nimen hao,

Eu sei que este título parece uma daquelas estratégias para chamar audiência para os blogs. Algo típico de Téo (tenho assistido a todos os capítulos de Império, minha grande companhia nesses dias turbulentos). Mas foi exatamente assim que me senti antes de ontem, dia 11 de setembro. O dia da queda das minhas torres gêmeas.

Preciso começar explicando que o calendário das pessoas em processo de quimioterapia muda um pouco. Em vez de segunda, terça, quarta e assim por diante, nós passamos a ter D1, D2, D3, D4, sendo o D1 o dia em que você recebe a dedetização.

Bom, meu D1, como vocês sabem, foi na quarta-feira, dia 3 de setembro. O D2 e D3 foram maravilhosos! Recados lindos no Facebook, e-mails cheios de carinho, orações por todos os lados foram suficientes para eu ter certeza de que “comigo vai ser diferente”.

Até que comecei a tomar umas injeções para aumentar as células brancas e combater o pior efeito colateral da quimioterapia que é jogar sua imunidade na privada e dar descarga. Só que, o que eu não previa, é que os efeitos colaterais dessas injeçõezinhas seriam simplesmente insuportáveis para mim.

Sabe, lembro de uma amiga (Fabíola, essa história é sua) que tinha um Doberman super querido, daqueles de lamber a sua cara e tirar a comida da sua boca sem encostar em você. Um dia, o cachorro enlouqueceu, furou a cerca da casa do vizinho e atacou sua cadela que estava grávida, mastigando e atirando ao ar todos os embriões de cachorrinhos. E por quê? Dizem que os Dobermans possuem a caixa craniana pequena demais e que, de vez em quando, o cérebro fica muito apertado lá dentro e o cão enlouquece.

Verdade ou mentira, foi assim que me senti no D5,D6,D7, D8 e D9. Uma Doberman enlouquecida dentro de um avião despressurizado em queda livre!

http://www.petinsurance.com/healthzone/pet-articles/pet-breeds/Doberman-Pinschers.aspx

http://www.petinsurance.com/healthzone/pet-articles/pet-breeds/Doberman-Pinschers.aspx

Uma dor de cabeça absurda, pressão nos dois ouvidos, dor nas costas… agora eu não era só uma geleca. Era uma geleca doendo.

No D8, fui fazer o exame de sangue para saber a quantas andavam minhas células brancas e saber se poderia parar de tomar as injeções malévolas. Mais uma vez, a invencível e super poderosa Christiane caiu do cavalo. Minha contagem de neutrófilos (se você pretende continuar a ler este blog, melhor ir se acostumando à nova terminologia) apareceu estupidamente abaixo do mínimo aceitável o que queria dizer que eu teria que continuar tomando as injeções de “explode-crânio”.

Resignada, engoli em seco e entreguei minha barriguinha para o Luiz me espetar mais uma noite. Ontem, D9, me arrastei até o hospital andando bem devagarinho para que o contato do pé no chão não repercutisse no meu cérebro apertado e fiz mais uma contagem de células brancas. E foi aí, leitores, que o resultado apareceu:

 

Neutrofilos, traço. Morri.

Neutrofilos, traço. Morri.

O sublinhado em vermelho está embaixo dos neutrófilos. O certo é estar entre 2.01 – 7.42. No exame do D8 deu 0,57 e no D9 traço! Morri!

Pronto! Ferrou de vez! Não tenho mais neutrófilos! E eu aqui no meio de um hospital, cheio de crianças doentes, pessoas tossindo, pacientes passeando pelos corredores e meu médico láááááááá em Hong Kong. E além de tudo com o band-aid do exame vazando sangue, o que nunca havia acontecido antes! D9 ou 11 de setembro, o dia em que um avião me derrubou. Um não, dois!

O Luiz, infinitamente mais calmo do que eu, falou:

_ Esta conta não está batendo. Tem que fechar 100%.

_ Luiz, você é engenheiro e não médico! Quem disse que a conta tem que fechar? Vamos procurar um oncologista aqui mesmo neste hospital!

Luiz, para quem não existe missão impossível, conseguiu marcar uma consulta para meia hora depois e, por vias dúvidas, pediu nova cópia do exame de sangue. Levamos tudo para o oncologista chinês que leu uma cartinha de recomendação do Dr. Law em voz alta, em chinglês, bem de-va-ga-ri-nho (lê logo essa droga!) e depois analisou o exame de sangue.

_A senhora está ótima! Sua contagem está perfeita! Por que vocês estão aqui? Como posso ajudar?

_ Meu ouvido está explodindo como seu eu estivesse num avião aterrissando muito rapidamente!

_Da próxima vez, a senhora não vem de avião, pega o ferry.

O que? Ele não entendeu que era uma analogia? Ou entendeu? Eu sabia, eu sabia que não dava para contar com médico chinês. O cara não sabe nem ler contagem de neutro… ops, como assim? A contagem do novo exame é outra? Estou viva? Viva! Muito viva! Mais do que viva! Minhas células brancas quintuplicaram de um dia para o outro!!!!!

Exame certo.

Exame certo.

5,33! Vivinha da silva. E o WBC (células brancas) foi de 2 para 22! Voltei a ser uma super mulher!

Bom, leitores, como há males que vem para o bem (este é meu lema depois que a barata apareceu na cozinha), descobri que o Centro Oncológico do Hong Kong University Shenzhen Hospital é excelente! O supervisor do médico que nos atendeu falava inglês fluente e leu a cartinha do Dr. Law bem mais rápido. Além disso, saí de lá com dois remédios tarja preta para dor de cabeça e para dormir. Ah, eu amo esses dois médicos! E isso tudo por isso por menos de R$ 100.00! Ah, eu também adoro o comunismo!

Enfim, resolvi transferir meu tratamento de Hong Kong para cá e morder a língua toda vez que falar mal da medicina chinesa, como fiz no primeiro post da série “Barata na Cozinha”.

Ficou faltando apresentar meu novo hospital, também conhecido aqui em casa como Zumbilândia.

Explico. O hospital é de primeiríssimo mundo! Amplo e arejado, parece um shopping center ultra moderno.

Hong Kong University Shenzhen Hospital 1

Hong Kong University Shenzhen Hospital 1

 

Hong Kong University Shenzhen Hospital 2

Hong Kong University Shenzhen Hospital 2

 

Hong Kong University Shenzhen Hospital 3

Hong Kong University Shenzhen Hospital 3

 

Eu na China!

Eu na China!

 Adoro esta foto!

Só que, a partir das 10 da manhã, ele é invadido pelos pacientes que saem para passear pelos corredores com seus pijaminhas listrados. Alguns sozinhos, outros acompanhados e alguns deles aproveitam para dar uma passadinha na loja de conveniência e comprar uma guloseima. O mais engraçado é ver paciente de pijaminha listrado, sapato de salto alto e bolsa Louis Vuitton indo às compras. Uma verdadeira Zumbilândia.!

 

Zumbilândia

Zumbilândia

 

No mais, continuo esperando meu cabelo cair. Sabe adolescente com medo de estar grávida e que vai ao banheiro toda hora para checar se as regras desceram? Parece eu penteando os cabelos de dois em dois minutos.

Aguardando o resultado do exame

Aguardando o resultado do exame

Eu esperando o resultado do exame de sangue na Zumbilândia. Os cabelos estão intactos! Mas, que mão é essa? Pelo visto, meu cérebro estava mais exprimido do que eu imaginava!

 

Zai Jian ou melhor até o D17!

 

Agradecimentos Especiais da Semana (tirando obviamente o Luiz, as crianças, meu pai e minha mãe e meu sogro e sogra):

Andrea e Dr. Túlio Malburg, meus consultores para assuntos oncológicos no Brasil. Melhor enfermeira, melhor médico e melhores amigos do mundo!

Dra. Ângela Moser, minha tia, ginecologista e consultora para qualquer assunto médico, sempre do meu lado desde o início.

Cleide dos Santos, minha amiga e aplicadora em domicílio de Reike.

christianedumont@hotmai.com

 

 

 

Enviado por christianedumont, 07/09/14 6:29:58 AM

你们好

Nimen hao,

Primeiramente, queria agradecer muito, muito, muito por todo carinho que recebi de vocês pelo Facebook e pelos e-mails que estão me dando a maior força para seguir confiante no meu tratamento. Galera, muito obrigada de coração!!!

Chris agracendo

Valeu!!!

Em segundo lugar, criei uma analogia meio mambembe sobre o câncer que apareceu no meu corpo, mas que acho que ajuda a entender e clarear um pouco os pensamentos e sentimentos de todos. Como diria Arnaldo César Coelho: “A regra é clara!” E a regra é: alto astral leva a sistema imunológico funcionando a todo vapor que leva à doença perdendo a força. Então vamos à analogia. O que aconteceu comigo foi mais ou menos assim.

Uma barata entrou na cozinha da minha casa (cozinha = comida; seio = amamentação) e eu dei de cara com ela, assim numa daquelas noites em que você vai sozinha buscar um copo d’agua.   Gritei e pedi ajuda. Matamos a barata e a levamos para ser estudada: sim, ela era do tipo de barata que colocava ovos. Buscamos por ovos: sim, havia unzinho pequenininho escondido perto da cozinha. Vasculhamos a casa toda: não, nenhum outro ovo à vista. Mas, como seguro morreu de velho, vamos dedetizar tudo para ter certeza de que não há nem haverá nenhum outro ovinho escondido por aí e muito menos um filhote de barata querendo se criar neste lar sino-brasileiro.

Então, leitores, esta é a hora de dedetizar a casa! Tirar a comida da geladeira, cobrir a louça e os móveis, separar as gatinhas e as plantinhas… Ih, as plantinhas (cabelos), essas não têm jeito, vão morrer mesmo. Mas, daqui a 6 meses, tudo renascerá de novo e aí é só ir fazendo as manutenções.

E por que surgiu uma barata cascuda logo na cozinha da minha casa? Eu achava que ela era tão limpinha, tão bem cuidada…Que papo é esse de que eu é que fui responsável por ela aparecer? Bom, aí a gente começa a entrar numa outra área que vai da medicina ao esoterismo e vamos fugir por completo da China. Portanto, leitores, vamos ao que interessa: a dedetização.

 

Quimioterapia Adventist Hospital

Quimioterapia Adventist Hospital

Socorro!!!

Esta é a sala onde fiz a primeira sessão de quimioterapia e farei as próximas cinco. São no máximo 3 pacientes por vez, sendo que eu inaugurei o tratamento ao estilo VIP: só eu! Aliás, eu, o Luiz que se “fundiu” comigo depois que soubemos da barata, as “Três Enfermeiras”, meu livro e minha TV particular.

 

Quimioterapia Adventist Hospital

Quimioterapia Adventist Hospital

Ah! se nossas viagens de Hong Kong para o Rio fossem neste conforto todo!

As “Três Enfermeiras” são uma história a parte. Parecem umas fadinhas elétricas, tipo “Salagadula” da Cinderela tirando minha pressão, me pesando, me cobrindo. Cada uma delas faz uma rechecagem do que a outra está fazendo, então, por exemplo, eu fui perguntada se havia tomado os remédios preparatórios pelo menos umas 6 vezes: duas vezes de cada uma. O problema é que, de vez em quando, elas se juntam para confabular sobre sei lá o que, e a gente fica imaginando se elas estão falando do meu tratamento, da novela da TV ou da altura do Luiz.

 

As 3 enfermeiras

As 3 enfermeiras

Em Hong Kong, o dialeto é o Cantonês, então não adianta ficar prestando atenção para ver se pescamos alguma coisa.

Uma das enfermeiras acabou criando mais intimidade conosco. Ela tem 3 filhos, sendo 2 na universidade: um cursando ciência e outro gastronomia. Como nasceu e estudou quando Hong Kong ainda era colônia inglesa, ela fala inglês fluente e mandarim pior do que o meu, segundo ela.

Quando a sessão acabou, ela me deu vários conselhos sobre alimentação e disse que queria me ver mais cheinha da próxima vez. Ai que saudades da minha mãe!

 

Para variar, não sei o nome dela.

Para variar, não sei o nome dela.

Tive que fazer charminho brasileiro para ela tirar uma foto sem máscara comigo.

O Dr. Law é uma peça rara. Apareceu no meio da quimio para ver se estava tudo rolando direitinho. Ele parece um cientista maluco, careca em cima e cabeludo dos lados, e não faz rodeio sobre nada. Só que tudo sem perder o bom humor. Eu perguntei:

_ Dr. Law, tenho um cliente que quer eu o acompanhe à Feira do Cantão.

- Feira do que?

_ Feira do Cantão! Aquela feira que acontece há mais de 100 anos na China e reúne empresários e comerciantes do mundo inteiro!

_Ah, sei! Empresários, comerciantes e germes do mundo inteiro! Muito bom!

_Ok, Dr. Law, já entendi!

 

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Leitores, hoje é o quarto dia depois da primeira dedetização e preciso confessar: uma jamanta chinesa passou por cima de mim. Ou o mosquito da dengue apareceu por essas bandas. Virei uma geleca humana, me arrastando pela casa e parando nos cantinhos para dormir. Pensando bem, nada muito diferente da rotina das minhas gatinhas. Hoje, pelo menos, consegui sentar o rabo aqui e terminar de escrever este post.

 

Gatinha Geleca

Gatinha Geleca

Zai Jian

 

christianedumont@hotmail.com

 

 

 

 

 

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