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Suspeito de ataques em Toulouse chegou a ser preso no Afeganistão

O crime não foi divulgado, mas não teria relação com atos terroristas. Ele teria saído da prisão durante uma fuga coletiva, sem cumprir sua pena de três anos

Mohammed Merah, o homem apontado como o autor dos ataques que mataram quatro pessoas em uma escola judaica na última segunda-feira (19) e três soldados do Exército na semana passada, é um cidadão francês de origem argelina de 24 anos. O ministro do Interior da França, Claude Guéant, disse que Merah afirmou ter cometido os assassinatos para vingar a morte de crianças palestinas e para atacar a França em resposta a suas intervenções estrangeiras.

Antes dos episódios em que teria atirado contra a cabeça das vítimas de uma scooter, Merah já tinha passagem na polícia francesa (seus crimes não foram revelados, mas não têm ligações com ações terroristas, dizem as autoridades) e era vigiado por causa de recentes viagens ao Afeganistão e ao Paquistão, aonde foi em 2010 e 2011.

Após os dois primeiros ataques a militares, o serviço de inteligência francesa teria reforçado sua atenção sobre ele, assim como sobre outros suspeitos - inclusive seu irmão, que também foi preso.

Graças à sua aproximação com a primeira vítima, um soldado do regimento de paraquedistas de Toulouse, a polícia conseguiu achá-lo. Como o contato foi feito através de um anúncio na internet, foi possível rastrear seu endereço de IP, que na verdade era de sua mãe. Os telefones de Mohammed e de seus familiares foram grampeados na segunda-feira.

A mãe de Mohammed, moradora de Toulouse, foi presa e se recusou a participar das negociações com o filho. Ela alegou ter pouca influência sobre ele. Sua namorada e outros familiares também foram presos.

Merah teria dito a repórter que vai divulgar vídeos de ataques Mohammed Merah teria ainda se descrito como um guerreiro islamista e como membro da al-Qaeda.

A rede de TV francesa BFM afirmou que Merah possui ligações com a Forsane Alizza, um grupo islamista que foi banido no mês passado da França.

No Afeganistão, ele chegou a ser preso no fim de 2010, na cidade de Kandahar, a mesma onde um soldado americano matou 16 pessoas há alguns dias e uma das mais radicais do país. Seu crime não foi divulgado, mas não teria relação com atos terroristas. Ele teria saído da prisão durante uma fuga coletiva, sem cumprir sua pena de três anos. Autoridades afegãs notificaram a França sobre o caso.

Após testemunhas afirmarem que o atirador carregava uma câmera durante a ação da última segunda-feira, uma jornalista francesa da rede France 24 teria conversado com Mohammed Merah durante a noite. Ele teria confirmado que filmou todas as mortes e teria dito que os vídeos "serão postados na internet".

A foto do suspeito não foi divulgada, mas há informações de que ele teria uma barba. Um vizinho de prédio na rua Sergent Vigne descreveu Mohammed como um "homem de barba quieto" que "nunca fez nada de especial", segundo a BBC.

Um outro vizinho, mais próximo de Merah, ficou surpreso com o desdobramento do caso. "Mohammed vivia aqui há um ano e meio. Nos víamos. Conversávamos sobre futebol e música. Era uma pessoa normal. Fui amigo do inimigo público número 1 e nem acredito. Ele não era o tipo que falava de religião, nem era praticante. E se ele disser isso, está mentindo", contou o vizinho ao jornal espanhol "El Mundo".

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