No Brasil, são produzidos anualmente 40 bilhões de ovos | Albari Rosa/Gazeta do Povo
No Brasil, são produzidos anualmente 40 bilhões de ovos| Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo

Em um escândalo alimentar de dimensões continentais, redes de supermercados da Alemanha, Bélgica e Holanda anunciaram o recolhimento e a destruição de milhões de ovos de galinha contaminados com um inseticida altamente tóxico, usado para tratamento de piolhos e pulgas em animais domésticos, mas proibido em produtos destinados ao consumo humano.

A crise estourou na quinta-feira (4), após as autoridades de saúde da Holanda emitirem um alerta de segurança alimentar, ao mesmo tempo em que determinavam o fechamento de 180 granjas de galinhas poedeiras. Testes nos dejetos, no sangue e nos ovos das galinhas acusaram índices elevados do inseticida Fipronil. Depois de novas análises, manteve-se a interdição de 138 unidades avícolas.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, a exposição prolongada ao Fipronil pode causar danos aos rins, fígado e tireóide. A suspeita é de que fabricantes belgas de produtos de limpeza tenham acrescentado o Fipronil à fórmula do Dega 16, para aumentar a eficiência deste agente desinfetante bastante usado nas granjas.

A rede de notícias Deutsche Welle informou que o Instituto Federal Alemão para Controle de Riscos estima que os níveis de Fipronil encontrados nos ovos holandeses não chegam a ser uma ameaça mais séria à saúde de um adulto de 65 kg, que teria de comer 7 ovos antes de chegar ao ponto em que os níveis da substância pudessem ser considerados perigosos. No entanto, para uma criança que pese 16 kg, este limite prudencial seria de apenas 1,7 ovo por dia. Assim, o conselho é para que os pais não permitam às crianças ingerir ovos dos lotes suspeitos.

Segundo o jornal britânico The Guardian, pelo menos três milhões de ovos provenientes da Holanda e contaminados com Fipronil já foram vendidos na Alemanha. A cadeia supermercadista alemã Aldi anunciou que, por precaução, irá banir todos os ovos holandeses de suas lojas, enquanto não for determinada a origem do problema. O bloqueio foi decretado também pelas redes Lidl e REWE, o que poderá comprometer o abastecimento de ovos em grande parte da maior economia europeia.

Principal exportador de ovos do continente europeu, a Holanda se vê agora diante de uma preocupação crescente com o tamanho e a duração do prejuízo que o escândalo trará à cadeia produtiva. Promotores públicos da Bélgica e da Holanda começaram investigações para apurar responsabilidades.

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