
Em uma aliança inédita, a CUT e montadoras tradicionais pressionaram o governo federal para encerrar isenções fiscais a carros elétricos chineses. Apesar da mobilização, o Gecex prorrogou as cotas de importação com alíquota zero, beneficiando empresas como a BYD.
O que motivou a união entre a CUT e as montadoras tradicionais?
A Confederação Única dos Trabalhadores (CUT) e a Anfavea (que representa os fabricantes nacionais) se uniram para barrar a continuidade de impostos zerados para veículos eletrificados importados. Ambos os grupos argumentam que esses benefícios prejudicam a produção local, o fortalecimento da cadeia produtiva brasileira e a manutenção de empregos qualificados no país, já que as empresas estrangeiras estariam trazendo peças pré-montadas em vez de fabricar integralmente aqui.
Qual foi a decisão do governo diante dessa pressão?
Mesmo com o pedido conjunto de sindicatos e indústrias, o governo federal, por meio da Câmara de Comércio Exterior (Gecex), decidiu manter os incentivos. Foi aprovada a prorrogação por mais seis meses das cotas de importação para veículos elétricos desmontados ou semidesmontados com alíquota zero. Ao todo, o valor desses benefícios chega a R$ 2,4 bilhões, o que contrariou as expectativas das fabricantes já instaladas há mais tempo no Brasil.
Como essa medida favorece especificamente a chinesa BYD?
A BYD é a principal beneficiada porque utiliza o modelo de montagem conhecido como SKD. Nesse sistema, o carro chega ao Brasil parcialmente montado e é finalizado na fábrica de Camaçari, na Bahia. Com a manutenção da alíquota zero para esses kits semidesmontados, a marca chinesa consegue manter preços competitivos e expandir sua operação local enquanto ainda não realiza a fabricação completa de todos os componentes em solo brasileiro.
Qual é a reação das fabricantes tradicionais após a prorrogação?
A indústria reagiu com indignação e ameaça rever investimentos que somam R$ 140 bilhões planeados até 2033. Entidades como a Anfavea e o Sindipeças (de autopeças) afirmam que a mudança repentina nas regras que haviam sido pactuadas gera falta de previsibilidade e afasta a confiança dos investidores. Eles alegam que o governo está criando um tratamento desigual, favorecendo quem importa em detrimento de quem investe em fábricas completas no Brasil.
Qual é o atual cenário das montadoras chinesas no mercado nacional?
As marcas chinesas vivem um salto histórico no Brasil. Entre janeiro e maio de 2026, as cinco maiores — BYD, GWM, Geely, Omoda/Jaecoo e GAC — conquistaram 15% de todo o mercado de carros novos. O interesse do consumidor também explodiu: a Geely, por exemplo, teve um aumento de 450% nas buscas na internet. O país tem recebido bilhões em investimentos chineses, incluindo a compra de participações em marcas tradicionais e a reabertura de antigas unidades industriais.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.









