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memórias

A broa de Dona Elza

Padaria America faz 98 anos fiel à produção de pães e bolachas tradicionais como a cracknel e a zampironi Rosy de Sá Cardoso

por matheus Publicado em 17/02/2011 às 00h
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Antonio Costa/Gazeta do Povo
Eduardo Henrique, bisneto do fundador, com o maquinário centenário para fazer pães

 

Sua história começa em 1882. Quan­do, incentivados pelo presidente da Província do Paraná, Lamenha Lins, muitos imigrantes aqui chegavam, vindos da Europa. Entre eles, o alemão Frie­drich Philipp Ludwig Eduard En­­gelhardt que, como tantos, trabalhou na construção da catedral de Curitiba.

Muitos procuravam o meio rural; outros, citadinos, buscaram fazer trabalhos que já conheciam: eram pedreiros, marceneiros, ferreiros e funileiros. Os que se radicaram no campo, desenvolveram o cultivo do centeio e da cevada. A cevada era (e é) usada na fabricação da cerveja; o centeio, misturado à farinha de trigo, deu vida às broas. O primeiro Engelhardt “curitibano” sofreu um acidente, quebrou um braço e algumas costelas, deixando o trabalho na catedral. E foi um dos primeiros imigrantes alemães a tornar-se dono de uma cervejaria – em 1885 montou a Cervejaria Glória.

Seu filho Eduardo Engelhardt, com apenas 14 anos, deixou a cervejaria e foi aprender o ofício de padeiro na Padaria Batel, de Guilherme Bürgel. Foram os primeiros passos para ter sua própria padaria, que era também armazém de secos e molhados, e foi aberta em l913, na esquina das ruas Sete de Setembro e Alferes Poli – ao lado da cervejaria do pai, de onde saía o fermento para o pão. Em 1915, a Cervejaria Glória fe­­chou e o padeiro Engelhardt saiu à procura de outro fermento. Como exigia qualidade, montou um pequeno laboratório e nele desenvolveu seu fermento: feito de um misto de cevada e de batata. Na década de 1930, o fermento industrializado Fleischmann foi lá experimentado e lançado nacionalmente.

De lá para cá, Ewaldo Ernesto (Bru­da), o neto Alfonso Eduardo e, hoje, o bisneto Eduardo Henrique, assumiram o trabalho na padaria. O estabelecimento ganhou em 1914 o nome de Padaria America quando houve a mudança de endereço para a então Rua América, hoje Rua Trajano Reis.

Em recente publicação nacional celebrando o pão e a indústria da panificação, a curitibana Padaria América foi considerada a mais antiga do país, ainda nas mãos da mesma família.

Broa de centeio

Dona Elza, a bisavó do atual En­­gelhardt não criou a famosa broa de centeio, mas era ela quem a vendia à fiel freguesia; décadas depois, ainda há quem chegue no balcão e a peça pelo nome. Aliás, a maioria das receitas são originais, e lá, entre mais de 200 itens, dezenas de pães e biscoitos são encontradas as tradicionais bolachas cracknel e zampironi. A primeira – feita com massa sovada, cozida e depois assada –, é bem leve e tem baixo teor calórico. Dois ingredientes garantem o sabor: água ardente e bicarbonato de amônia. O zampironi, que também é muito procurado pelos clientes, é de massa de mel com cobertura de glazura de açúcar com chocolate. Eduardo Henrique conta que, de todos os produtos da padaria, apenas dois são elaborados com pré-mistura e prevalece a mistura “caseira”.

A indústria passou por grandes modificações – como a substituição da lenha pelo gás (1995) e a adoção de máquinas e fornos modernos, embora uma amassadeira e uma divisora, de manejo manual, vindas da Europa, estejam funcionando há mais de 100 anos.

Serviço:

Padaria America (matriz) – Rua Pres. Carlos Cavalcanti, 942, esquina com a Rua Trajano Reis, São Francisco – (41) 3223-4825. Outras unidades no Bacacheri, Água Verde e Juvevê.

Tags: história pão
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