Restaurantes

Inclusão alimentar

Sem glúten: Curitiba tem 14 restaurantes aptos para celíacos, veja lista

Cafés, buffets e até pizzaria oferecem opções saborosas e inclusivas

por Marina Mori Publicado em 02/07/2019 às 09h
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Só quem é celíaco ou convive com alguém assim sabe o quão difícil é encontrar algum restaurante livre de glúten. Muitas vezes, a procura se torna uma saga sem fim ou termina com opções que mal cabem nos dedos de uma mão. Mas pouco a pouco o cenário tem mudado, especialmente em Curitiba. Neste ano, a capital paranaense conta com o registro de 14 estabelecimentos que podem ser frequentados sem medo por pessoas com intolerância ou alergia ao glúten.

Estas opções, inclusive, viraram categoria na etapa Especialidades da 10ª edição do Prêmio Bom Gourmet. O que significa que, em 2019, jurados convidados vão escolher também os melhores pratos sem glúten e sem lactose da cidade. Veja mais sobre o Prêmio clicando aqui.

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De cafés a restaurantes e pizzarias, crescem as opções de estabelecimentos aptos aos celíacos. Foto: Reprodução / Instagram Lola Li Doceria

Todos os locais passaram por uma vistoria feita pela Associação dos Celíacos do Paraná (Acelpar). O processo de averiguação começou em 2016 e, agora, cafés, restaurantes a la carte e por quilo, uma churrascaria e uma pizzaria de Curitiba receberão um selo de aptidão disponibilizado em três cores.

O verde significa que o ambiente é 100% livre de glúten; o laranja representa os locais que têm pratos com glúten, mas que podem atender aos celíacos sem risco algum; e o azul se refere aos estabelecimentos onde os alimentos sem glúten são vendidos embalados – caso de quiosques de shoppings, por exemplo.

Segundo Ana Claudia Cendofanti, auditora e presidente da Acelpar, a oficialização dos estabelecimentos aptos aos celíacos é uma conquista que traz alívio para o público. “Quando você descobre a doença, reaprende a cozinhar, troca os utensílios em casa e se acostuma. O problema é a exclusão social que você sofre, porque é inevitável sair de casa em um compromisso que não seja associado à comida”.

Suas duas filhas (uma de 12 e outra de 9 anos) são celíacas e fazem parte do 1% da população mundial que sofre com a condição, segundo a Organização Mundial da Saúde.

Sem glúten e sem preconceito: o mito de que a comida “gluten free” é fit

Nhoque de batata, lasanha, feijoada, coxinha. Estas são só algumas das opções 100% sem glúten que o restaurante Capim Santo oferece no almoço de segunda a sábado a partir de R$ 15,90. “A gente queria quebrar o paradigma de que comer sem glúten é caro e tem que ser sempre fit”, conta Juliana Nogueira. Depois de uma carreira como economistas, ela e o marido decidiram abrir o negócio há dois anos no bairro Juvevê, em Curitiba.

Quando um prato passa pelo crivo das duas filhas adolescentes do casal, também celíacas, eles sabem que estão no caminho certo. “Elas são muito exigentes, então eu tento preparar o mais próximo do convencional. A coxinha é o maior exemplo”, brinca Juliana, que comanda a cozinha com receitas que aprendeu com a mãe e em cursos livres de gastronomia.

Este também é o objetivo de Flávia Retamal, proprietária do Lola Li café e doceria. Se um cliente desatento pedir uma xícara de espresso e uma fatia de brownie no local, provavelmente nem perceberá que o doce não contém traços de leite, glúten ou ingredientes animais na receita.

Todos os itens do cardápio de sua loja, inaugurada há um ano e meio, são liberados para restrições alimentares: do brigadeiro à cheesecake Romeu e Julieta, um dos carros-chefes da casa. “Quem tem restrição não necessariamente quer esse estilo de vida e sim voltar a se sentir incluído”, conta Flávia.

 

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Foi pensando nessa inclusão que o empresário Edvaldo Andrade Dias Júnior assumiu a administração da pizzaria Rigani há um ano. “Não sou celíaco, mas aderi à causa porque as pessoas que são têm direito de se sentirem acolhidas. Esse é um problema muito sério”, diz.

Todos os 74 sabores de pizza de seu estabelecimento são feitos com massa de mandioca cozida e fécula de batata. Há também opções com queijos veganos para quem tem intolerância ou alergia ao leite. “Até a cerveja não tem glúten”, garante Júnior.

Como é feita a adaptação de um restaurante para receber celíacos

O maior desafio de um estabelecimento em se tornar apto para atender celíacos é evitar a contaminação cruzada. Qualquer resquício de glúten é suficiente para prejudicar a saúde de quem tem alergia ou intolerância à proteína – para se ter ideia, são permitidos no máximo 20 miligramas de glúten por quilo de alimento. “Basta ter migalhas na roupa de um funcionário para que a comida se contamine“, explica Ana Claudia Cendofanti, presidente da Acelpar.

“Muitas pessoas não entendem a gravidade da doença, então é difícil cuidar desses traços quando você não sabe o que isso faz com o celíaco”. Uma das etapas da vistoria, comenta Ana, é educar os funcionários dos estabelecimentos. Entre as lições, não consumir alimentos que não forem produzidos no local e trocar de roupa sempre que entrar na cozinha.

Depois, o restaurante deve listar todos os fornecedores de matéria-prima. A Acelpar faz a verificação de cada empresa e solicita mapas com o teor de glúten dos produtos. “A gente sistematizou todas as perguntas que o celíaco faz quando vai comer em um restaurante que ele não conhece. É como a validação feita na Itália, na Espanha e na Alemanha”, diz Ana.

O próximo passo para facilitar a inclusão dos celíacos é investir no atendimento especializado em restaurantes comuns, indica a auditora. “Em alguns locais da Europa, existe um garçom que é totalmente preparado para atender a essas pessoas. A comida do celíaco então é feita em um ambiente segregado, mas todos podem comer juntos na mesma mesa. No Brasil isso ainda não faz parte da cultura”.

Confira a lista dos restaurantes sem glúten aptos para celíacos em Curitiba:

Café, confeitaria e bistrô

Baby Cake (vegan)

Endereço: Av. Sete de Setembro, 5811, loja 4, Batel. Telefone: (41) 3085-9747

Borogodó Bistrô sem glúten (almoço e lanche)

Endereço: Av. Vicente Machado, 333, Centro. Telefone: (41) 9 9599-9304

Café da Villa

Endereço: Rua Pe. Germano Mayer, 679, loja 3, Shopping Cristo Rei. Telefone: (41) 3023-1010

Doces e Cores (vegan)

Endereço: Rua Albino Silva, 501, Bom Retiro. Telefone: (41) 9 9222-5011

Lola Li

Endereço: Alameda Prudente de Moraes, 1225, Centro. Telefone: (41) 3221-2882

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Refeições principais

Churrascaria Tempero do Titio

Endereço: Rua Mateus Leme, 3162, São Francisco. Telefone: (41) 3014-8323

Capim Santo (almoço)

Endereço: Rua Augusto Stresser, 826, Juvevê. Telefone: (41) 3042-5972 / 9 9216-7997

Libéri Gastronomia (restaurante sem glúten, lácteos e ovos; tem produtos congelados)

Endereço: Alameda Pres. Taunay, 991, Batel. Telefone: (41) 3408-5644

Pizzaria Riganni (atendimento local, delivery e opção para assar em casa)

Endereço: Av. Vicente Machado, 2089, Batel. Telefone: (41) 3343-7777 / 3077-9777

Sem Culpa (almoço, lanches e pizza)

Endereço: Av. Desembargador Hugo Simas, 1249, loja 1, Bom Retiro. Telefone: (41) 3015-1575

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Empórios e refeições para levar

Dieta e Sabor (loja com produtos para consumir)

Endereço: Rua Brigadeiro Franco, 2666, Água Verde. Telefone: (41) 3077-2026

Empório da Terra (restaurante, loja e refeições congeladas)

Endereço: Rua Desembargador Otávio do Amaral, 668, Bigorrilho. Telefone: (41) 3336-4944

Quinoa Casa de Massas (produtos frescos e congelados para viagem)

Endereço: Rua Mauá, 29, loja 4, Alto da XV. Telefone: 3308-0924 / 9 9601-9550

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Ambiente compartilhado apto ao celíaco

Petit Chateau (fondue)

Endereço: Rua Manoel Ribas, 5039, Santa Felicidade. Telefone: (41) 3372-0003

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