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Uma esmeralda de 142 quilos encontrada na Serra da Carnaíba, na Bahia, irá a leilão na próxima quinta-feira (28) com lance inicial de R$ 79,8 milhões. Batizada de “Selena”, a pedra recebeu o nome em referência à deusa grega da Lua por causa do brilho e da coloração prateada do exemplar.
Especialistas classificam a peça como uma “raridade absoluta”. A formação consiste em um conglomerado de berilo verde que preserva a estrutura geológica original. O gemólogo e perito da Bid Leilão, César Augusto Maia, define a pedra como um “testemunho geológico” singular.
Segundo Maia, a esmeralda reúne condições raras no mercado internacional. “Selena reúne características geológicas, dimensão e integridade que a colocam em um patamar único no mundo. Não é apenas um ativo mineral, é uma peça de valor científico, histórico e colecionável”, afirma.
A pedra mede 94 centímetros de largura, 67 centímetros de altura e 28 centímetros de profundidade. A descrição divulgada pela casa responsável pelo leilão informa que o exemplar consiste em uma “canga de esmeralda, conglomerado composto de berilo e xisto, apresentando um corpo horizontal de xisto salpicado com cristais hexagonais de berilo, esmeraldas, bem preservados”.

Esmeraldas podem ser guardadas em custódia ou pela leiloeira
De acordo com a Bid Leilão, a guarda da esmeralda no processo de leilão pode ocorrer de três formas. A primeira prevê armazenamento em empresas especializadas em custódia de materiais, com documentação registrada em cartório e acompanhamento de perito, proprietário e responsável pela guarda. Além da segurança, a casa de custódia deverá manter a conservação do material.
A segunda possibilidade permite que o comprador mantenha a pedra em propriedade particular, mas também há o processo de revisão pericial, para garantir o leilão do bem como anunciado.
A terceira opção envolve a própria casa de leilão, que oferece serviço de guarda sem cobrança adicional. O armazenamento também passa por avaliação pericial e segue os mesmos critérios de conservação e segurança.
"Estamos tratando de uma pedra de 2 bilhões de anos, extremamente resistente. Ainda assim é necessário que a guarda preveja não apenas a segurança, mas também a conservação do material", afirma Maia.
Leilão de esmeralda exige pagamento à vista e análise de compliance
O processo de compra da esmeralda “Selena” prevê pagamento por depósito. A Bid Leilão exige pagamento à vista e cobra taxa adicional de 5% referente aos honorários do leiloeiro.
O regulamento estabelece multa de 30% sobre o valor do bem, caso o vencedor do leilão não conclua o pagamento. O procedimento também inclui análise de compliance para verificar a origem dos recursos utilizados na compra.
“Em um leilão bem administrado, o pagamento vai para a conta do leiloeiro, que é o agente público registrado. Ele bate o martelo do pregão, recebe sua porcentagem diretamente do proprietário”, explica Maia.
De acordo com a Bid Leilão, o pagamento de imposto sobre a transação vai variar de acordo com o regime em que o proprietário da pedra está enquadrado. "Se o bem for de pessoa jurídica, pode chegar a pelo menos 15%. Já a pessoa física paga Imposto de Renda sobre o ganho de capital — que é o lucro obtido na operação, calculado pela diferença entre o valor de venda e o custo de aquisição do ativo. A alíquota varia progressivamente entre 15% e 22,5%", explica Maia.

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De acordo com a Cooperativa Mineral da Bahia (CMB), a Serra da Carnaíba já registrou outras descobertas de grande porte. Uma delas recebeu o nome de “Constelação”. A pedra pesa 351 quilos, contém mais de 10 mil esmeraldas e possui 1,35 metro de altura. O exemplar pertence a um empresário do ramo da mineração que vive em Salvador e possui avaliação estimada em R$ 3 bilhões.
Uma esmeralda de 69 quilos, avaliada inicialmente em R$ 1 bilhão, foi vendida em Salvador, em dezembro de 2024, por R$ 50 milhões para um grupo árabe. Outra pedra de 137 quilos alcançou R$ 175 milhões em leilão promovido pela Receita Federal.
Dados do Instituto Brasileiro Gemas e Metais Preciosos (IBGM) apontam que o Brasil movimentou US$ 18 milhões em exportações de gemas apenas no primeiro trimestre de 2026. O mercado interno de pedras brutas amplia esse volume financeiro com negociações realizadas em leilões especializados.
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