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Crime organizado

Estudo aponta presença de mais de 30 facções criminosas na Amazônia Legal

Rios contaminados por garimpo ilegal na região do Surucucu, dentro da Terra Indígena Yanomami, Oeste de Roraima. (Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil)

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A Amazônia Legal, uma área que abrange o Brasil e mais cinco países, deixou de ser encarada apenas como rota transitória do narcotráfico para se consolidar como uma das fronteiras econômicas criminosas mais complexas do mundo, com a presença de ao menos 30 grupos criminosos armados. É o que aponta um estudo do Instituto Igarapé.

O relatório From Narco Cartels to Criminal Networks: The Structural Transformation of Organized Crime in Latin America and the Caribbean mostra que mais de dois terços dos municípios amazônicos de países como Brasil, Equador, Colômbia, Peru, Venezuela e Bolívia registram a presença de ao menos um grupo criminoso.

"As evidências demonstram que o crime organizado na região é muito mais do que um problema de aplicação da lei, mas engloba negócios, desenvolvimento e a própria democracia", diz Robert Muggah, coordenador do estudo.

CV e PCC lideram

O levantamento cita, no caso do Brasil, o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), que exploram, além do tráfico de drogas, o garimpo ilegal, a cobrança de taxas em territórios mineradores e a grilagem de terras, na liderança do maior território amazônico, o do Brasil.

São citadas também dissidências das FARC colombianas, como o Estado Mayor Central e a Segunda Marquetalia, além do Exército de Libertação Nacional (ELN). A Venezuela contribui especialmente com o Tren de Aragua e outros “sindicatos mineiros”.

Os produtos extraídos de forma criminosa — como madeira, ouro, carne, soja e minerais — são integrados às cadeias de suprimento legais globais, diz o levantamento. Isso ocorre por meio da falsificação de documentos de origem, fraude de títulos de propriedade e lavagem de ouro em refinarias intermediárias antes da exportação para mercados internacionais, como os da Europa e da América do Norte. A prática emula a lavagem de dinheiro, conforme o exemplo de organizações mafiosas clássicas.

O relatório recomenda fortalecer a inteligência transnacional e rastrear a propriedade efetiva de empresas ao longo das cadeias de suprimento globais.

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