Dos murais em concreto aos painéis em azulejos | Divulgação
Dos murais em concreto aos painéis em azulejos| Foto: Divulgação

Serviço

Pelos Traços de Poty

Estreia hoje, às 20 horas, na Cinemateca de Curitiba (R. Carlos Cavalcânti, 1.174 – São Francisco). Entrada franca.

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A diretora curitibana Karla Nascimento é sincera: ela diz buscar o belo em seus trabalhos. Por conta desse "fraco", que a faz querer escapar de temas mais perturbadores, ela diz ter tentado fazer do documentário em curta-metragem Pelos Traços de Poty, que tem estreia hoje, às 20 horas, na Cinemateca de Curitiba, uma homenagem ao que há de sublime no trabalho do artista plástico, cuja obra está atavicamente ligada à imagem da capital paranaense. Mas evita, de propósito, explorar sua vida pessoal, ou aspectos mais polêmicos de sua obra (veja as informações do filme no Guia Gazeta do Povo) .

Aprovado pela Lei Mu­nicipal de Incentivo à Cultura (Mecenato), e patrocinado pelo Banco do Brasil, o curta busca resgatar, em seus 15 minutos de duração, um pouco do gênio e um tanto da importância histórica de Napoleon Potyguara Lazzarotto (1924-1998), que já na adolescência, na Curitiba do fim dos anos 1930, dava amostras de seu talento – e vocação – para as artes, as mais diversas, a começar pelo desenho.

Aos 29 anos, a cineasta se diz uma apaixonada pelo tema patrimônio histórico, já presente em seu primeiro documentário As Pedras o Vento Não Leva (2006), sobre a Igreja da Ordem. Portanto, ter chegado à figura de Poty, cujos murais e painéis se confundem com a identidade curitibana, foi um caminho natural, em seu processo de mergulho na memória artística e cultural da cidade.

O curta se ocupa, assim, de retraçar a trajetória de Poty, a partir de sua infância e adolescência em Curitiba. Fala de sua partida, em 1946, para estudar no Rio de Janeiro, onde trabalhou com nomes consagrados do modernismo, como Cândido Portinari e Di Cavalcanti e foi ilustrador da lendária Editora José Olympio. Depois, foi estudar em Paris, onde chegou pouco depois do término da Segunda Guerra Mundial e conheceu Célia Neves, com quem se casaria e que se tornaria sua grande companheira de vida até ela morrer, em 1985.

Vale lembrar que, em 1946, o escritor Dalton Trevisan cria a revista Joaquim, e Poty participa de todos os números, seja com ilustrações, notícias do mundo das artes visuais ou comentários sobre arte enviados da Europa. A publicação dura até 1948, quando retorna ao Brasil e colabora com o jornal A Manhã, de Samuel Wainer, e outros veículos diários, fazendo ilustrações.

O filme conta com depoimentos, entre outros, do irmão de Poty, João Lazzarotto, da historiadora da arte e galerista Regina Casillo, do artista plástico Adoaldo Lenzi, responsável pela execução de muitos dos painéis e murais do artista, do escritor e artista Carlos Dala Stella e da arte-educadora Daniela Pedroso.

As obras mais conhecidas por aqui são mesmo os murais – como os das fachadas em concreto do Teatro Guaíra e do Palácio Iguaçu – e dos painéis, feitos em azulejos, como o da Praça 19 de Dezembro, em homenagem aos 100 Anos de Emancipação Política do Paraná, inaugurado em 1953. Mas Karla disse que, durante o processo de pesquisa para o documentário, que durou, ao todo, em torno de cinco anos, ela se surpreendeu, e se deslumbrou, com a habilidade de Poty para o desenho em nanquim. "Ele desenhava, criava o tempo todo, até para se comunicar, em bilhetes, com a mulher. Nunca parava de criar."

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