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Fachada da Casa Romário Martins: único remanescente colonial do século 18 no centro de Curitiba |
Fachada da Casa Romário Martins: único remanescente colonial do século 18 no centro de Curitiba| Foto:

A paisagem de prédios históricos e calçada de pedra do Largo da Ordem ficou incompleta durante um ano inteiro. Escondido por tapumes, a Casa Andrade Muricy, última sobrevivente da arquitetura colonial no centro histórico de Curitiba, passou por uma reforma "do piso ao teto", como descreve Dóris Regina Teixeira, arquiteta da Fundação Cultural de Curitiba.

Na última terça-feira, quando a reportagem do Caderno G visitou o espaço, reaberto desde o dia 26 de março, funcionários trocavam o sistema de telefonia – última etapa do restauro de R$ 383 mil provenientes do Fundo Municipal da Cultural.

O espaço, que volta a receber exposições organizadas pela FCC relacionadas à memória da cidade, também recebeu novo sistema elétrico e iluminação. "As luzes foram pensadas inclusive para receber mostras que façam uso de novas tecnologias", explica Dóris.

Por fora, o que se vê após a reforma é a mesma casa construída no século 18, com grossas paredes caiadas de branco, janelas e portas de madeira pintadas de verde e telhado de barro. "As telhas foram lavadas uma a uma na tina", diz a arquiteta. Algumas tiveram que ser substituídas, assim como uma ou outra peça. Quase tudo, no entanto, pôde ser preservado devido à boa manutenção da casa desde a sua primeira reforma, em 1973.

Em dezembro daquele ano, ela seria intitulada Casa Romário Martins – uma homenagem da prefeitura ao centenário de nascimento do célebre historiador paranaense. "Como a casa passou quase o tempo todo ativa, não estava tão deteriorada", conta a arquiteta. Ela lista, entre outros procedimentos, o tratamento de trincas, fissuras e do assoalho de madeira e a reconstrução do revestimento das paredes com 50 a 70 centímetros de espessura.

"Foi um trabalho delicado, por isso, demorou um ano para ser feito", diz Dóris. A escolha em manter as paredes caiadas, dentro e fora da casa, segue o projeto original e facilita a manutenção. "É mais prático, mais barato e o efeito é bonito", opina Dóris.

Armazém da memória

Antes de ser tombada pelo estado, em 1971, e incorporada ao patrimônio histórico de Curitiba, a casa já teve inúmeros usos: foi moradia até o início do século 20, abrigou um armazém de secos e molhados de propriedade de Guilherme Etzel e, a partir de 1930, o armazém do Roque. Desapropriada pela prefeitura, em 1970, foi restaurada com projeto do arquiteto Cyro Ilídio Corrêa d’Oliveira Lyra.

O trabalho manteve as principais características da casa de 321,19 metros quadrados, com pavimento único (uma das características das casas luso-brasileiras): a planta quadrada, o telhado em quatro águas e a moldura das janelas e portas em arco abatido. "Na época, foi preciso retirar as paredes internas, de pau-a-pique, que estavam danificadas", conta Dóris. Desde então, há um "miolo", com parte das exposições em cartaz, ao redor do qual os visitantes circulam. Também há um sótão, para manutenção, e uma área ao ar livre que liga o espaço à Casa da Memória, onde se realizam as vernissagens.

O projeto de restauração atual foi feito pela Albatroz Arquitetura, Construção e Restauro e a execução pela ArquiBrasil Arquitetura e Restauração.

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