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Os atores de Sillicon Valley: ambiente corporativo instável | Divulgação
Os atores de Sillicon Valley: ambiente corporativo instável| Foto: Divulgação

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Sillicon Valley.

Reprise às segundas-feiras, às 22h30, na HBO (canal 171 da NET).

O Vale do Silício, na Califórnia, é uma espécie de Wall Street do século 21. Lá, jovens empreendedores e ambiciosos se arriscam com projetos de informática sob a constante promessa de se tornarem milionários. Com inspiração na própria experiência na região, o produtor Mike Judge criou Sillicon Valley, seriado que encerrou sua primeira temporada na HBO.

A trama acompanha o programador Richard Hendriks (Thomas Middleditch, de O Lobo de Wall Street), que tenta alavancar um programa de compressão de MP3 quando descobre um algoritmo que pode revolucionar a transferência de arquivos via web. A invenção o torna o alvo de disputas de magnatas da informática.

O argumento de Judge apresenta ao público alguns dos dilemas dessa geração, cujo estereótipo de Steve Jobs (1955-2011) os associou a uma imagem de sucesso e confiança. Em Sillicon Valley, os personagens são absolutamente inseguros e tentam ocupar lugar em um mundo corporativo predatório e instável. Mesmo o budismo do maior nome da Apple e sua constante positividade soam amargos diante da quantidade de jovens com propostas de novos aplicativos, softwares e outros inventos nem sempre criativos.

Entre os personagens, o destaque fica para os sócios de Hendriks, interpretados por T. J. Miller, Martin Starr, Kumail Nanjiani e Zach Woods (que repete aqui seu papel de The Office). Juntos, os personagens formam um cosmos padrão dentro do Vale do Silício, com ­nerds inseguros, indianos, aspirantes a Bill Gates e adeptos a novas tendências religiosas. Nenhum deles com potencial para se tornar um novo milionário.

Judge, conhecido pelas animações Beavis and Butt-Head e O Rei do Pedaço, cria um retrato bastante cínico ao longo dos oito episódios que compõem a primeira temporada. As reuniões de executivos em bicicleta, o estímulo a um ambiente de trabalho criativo e as políticas de não demissão parecem sufocantes ao público. Afinal, a leveza das práticas desse novo mundo corporativo, acostumado com rotinas flexíveis e videogames nos escritórios, não mascara a pressão vivida pelos funcionários.

Em Sillicon Valley, o produtor também retorna a discutir sua percepção do homem mediano americano, que aqui aparece de forma mais suave do que no subestimado Idiocracia (2006). Na série, nenhuma decisão dos personagens parece fazer sentido. Em um dos episódios, por exemplo, o milionário CEO vivido por Christopher Evan Welch (1965-2013) compra todos os produtos do cardápio do Burger King para refletir sobre aquisições imobiliárias.

A morte de Welch durante as filmagens, aliás, se tornou um problema na série, que optou por deixá-lo com uma presença constante, mas invisível, na vida dos protagonistas. Seu personagem é quem se torna padrinho da recém-criada empresa de Hendriks. Além de ser responsável por uma das melhores palestras das conferências TED, em que defende que as pessoas deixem de ir à universidade para investir no aprendizado empírico. Exatamente como fez Jobs na década de 1970.

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