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 | Poty/ Acervo João Lazzarotto
| Foto: Poty/ Acervo João Lazzarotto

Quem levou a obra de Dalton Trevisan ao palco o fez com um temor compreensível: é sabido que o escritor não é adepto da teoria da “morte do autor”. Se Roland Barthes pregava em 1968 que uma obra literária serve para que possamos dela nos apropriar e servir à vontade, não é o desejo de Dalton que se saia por aí mudando vírgulas em seu texto.

É isso que atestam os diretores que já receberam autorização para montar seus contos no teatro.

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“Demorou para sair peça com a obra dele porque ele é muito perfeccionista, não pode mudar uma vírgula”, explica o diretor João Luiz Fiani, que atuou nas primeiras montagens e depois conseguiu montar mais quatro adaptações em seu teatro Lala Schneider.

Poty/ Acervo João Lazzarotto

As primeiras iniciativas ficaram como as mais célebres, lembradas com saudosismo por quem delas participou ou teve a fortuna de presenciar. Foram elas “Mistérios de Curitiba”, em 1990, e “O Vampiro e a Polaquinha”, que abriu o Teatro Novelas Curitibanas em 1992 e ficou sete anos em cartaz, no MiniGuaíra.

Veja fotos das adaptações de Dalton Trevisan para os palcos

O responsável por ambas foi Ademar Guerra (1933-2003), paulista convidado pelo Teatro de Comédia do Paraná a encenar com nossos elencos (incluindo “Colônia Cecília”, em 1984), com apoio de Constantino Viaro, Lucia Camargo e Jaime Lerner. O “Vampiro...” foi o último trabalho de Guerra.

Era muita gente em cena, por se tratar de um grupo de formação. “Mistérios...” tinha uns 25 atores, enquanto “O Vampiro e a Polaquinha” trazia Lala Schneider, Guta Stresser em seu début, Nena Inoue, Regina Bastos, Marisia Brüning “e grande elenco”.

A peça, que foi encenada também no Sesi da Avenida Paulista, em São Paulo, era dividida em esquetes ao sabor dos contos presentes em “O Vampiro de Curitiba” e outras obras, com título que agrega o único romance de Dalton, “A Polaquinha”, e falas ipsis literis conforme a obra literária.

“A gente enquanto curitibano se reconhecia na peça”, relembra a diretora e atriz Nena Inoue. “Mas, mesmo em São Paulo, as pessoas se identificaram e aplaudiram seis vezes em cena aberta”, conta.

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“Não pode ser adaptação. O Ademar foi o primeiro que entendeu isso. E agora o Dalton me escolheu porque eu respeito demais a obra dele”, gaba-se Fiani.

Ao longo dos anos 1990 e 2000 surgiram pérolas pelas mãos dos maiores nomes do nosso teatro.

Em 1998, o ator Mário Schoemberger (1952-2008) atuou no monólogo “O Ventre do Minotauro”, com direção de Marcelo Marchioro, disponível em vídeo pelo YouTube. O mesmo Marchioro trouxe “Pico da Veia”, um de seus últimos trabalhos, em 2005.

Cinema

Assista ao filme “Guerra Conjugal” (1976), de Joaquim Pedro de Andrade, disponível no YouTube.

E Felipe Hirsch fez “A Educação Sentimental do Vampiro” em 2006, com Guilherme Weber, Erika Migon e Leonardo Medeiros, também com temporada em São Paulo.

A última adaptação realizada pelo grupo Máscaras de Teatro, de Fiani, foi “Receita de Curitibana”, em 2014, dessa vez com um apanhado de 16 contos eróticos publicados em diversos livros.

Nas telas, “A Guerra Conjugal” (1969) rendeu a única adaptação de Dalton para o cinema, no filme homônimo de Joaquim Pedro de Andrade, de 1976, disponível na internet.

Veja os vídeos da peça “O Ventre do Minotauro” (1998), com o ator Mário Schoemberger (1952-2008):

  • Elenco de “O Vampiro e a Polaquinha”, de 1992. Direção de Ademar Guerra.
  • “O Vampiro e a Polaquinha”, de 1992, com Nena Inoue e Rogério Delle.
  • Guta Stresser debutou no teatro em “O Vampiro e a Polaquinha”, em 1992, como protagonista.
  • Guilherme Weber em “Educação Sentimental do Vampiro”, de 2006, com direção de Felipe Hirsch.
  • “Macho não Ganha Flor”, monólogo de Marino Jr. de 2008.
  • “Macho não Ganha Flor”, monólogo de Marino Jr. de 2008.
  • “Receita de Curitibana”, de 2014, de João Luiz Fiani.
  • “Receita de Curitibana”, de 2014, de João Luiz Fiani.
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