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Música

Fora do circuito curitibano

Como explicar que duas das artistas mais badaladas dos últimos dois anos não conseguem trazer suas turnês à cidade? E não são as únicas

  • PorLuciana Romagnolli
  • 16/05/2009 21:04
Roberta Sá não conseguiu trazer seu show a Curitiba. A bilheteria não pagaria o orçamento, dizem produtores | Ricardo Gama
Roberta Sá não conseguiu trazer seu show a Curitiba. A bilheteria não pagaria o orçamento, dizem produtores| Foto: Ricardo Gama

Peças daqui que nunca (ou pouco) vemos

A julgar por algumas ausências e atrasos, faltam mesmo espaços e apoio em Curitiba para produções de médio porte, sejam shows musicais ou espetáculos teatrais.

Leia a matéria completa

Ausentes

Veja alguns nomes que não vieram

Roberta Sá é a queridinha da nova safra da MPB, por conta do seu excelente segundo disco de carreira, Belo Estranho Dia de Amanhã. Não se apresenta na cidade desde que encerrou a turnê anterior no Teatro do HSBC.

Fernanda Takai cantou o repertório de Nara Leão em Londrina, durante o Festival Internacional de Teatro (Filo) do ano passado. Não há previsão de que venha a Curitiba.

Teresa Cristina tem viagem marcada, com o show Delicada, para Brasília e Teresina. O Sul não está em sua agenda.

Mariana Aydar e Thalma de Freitas são outras que não vieram, mas, essas, estão nos planos do Sesc para este ano. Mariana Baltar e Nina Becker seriam boas opções também.

Na ala masculina, Roberto Frejat é um exemplo de cantor que viajou por cidades menores, como Joinville, mas ainda não encontrou o caminho rumo a Curitiba.

2007 foi o ano de Roberta Sá e Fernanda Takai. A primeira ascendeu como um dos principais nomes da nova MPB ao lançar o CD Belo Estranho Dia de Amanhã, um casamento perfeito de repertório refinado e frescor vocal. A outra surpreendeu em carreira-solo que a elevou do posto de vocalista de banda pop ao patamar de sucessora de Nara Leão, com o álbum Onde Brilhem os Olhos Seus. Ambas, premiadas, venderam uma quantidade significativa de discos. Estão na estrada com seus shows desde então. Mas não vieram – e não há garantia de que venham – a Curitiba.

Intrigada por essa ausência, que se aplica também a outros artistas de "porte médio" – aqueles que não são um estouro de popularidade, tampouco desconhecidos em carreira independente –, a reportagem da Gazeta do Povo procurou empresários e produtores que pudessem esclarecer se a cidade apresenta algum empecilho que justifique o caso. A julgar pelas respostas, parece que sim. Uma questão de deficiência de estrutura, bilheteria pequena e inexistência de patrocínio.

"Há algum tempo noto uma certa dificuldade em chegar", diz Rafael Borges, empresário do cantor Roberto Frejat. A turnê-solo do vocalista do Barão Vermelho já esteve duas vezes em Porto Alegre e, recentemente, aportou em Joinville. "Somente Curitiba não conseguimos fazer."

Por quê? "Os produtores locais não têm conseguido assumir as despesas", diz Guacira Abreu, empresária da sambista Teresa Cristina, que não foi bem-sucedida, até agora, no intuito de incluir a capital paranaense na agenda dos shows do disco Delicada (2007). "A gente quer muito ir, fizemos vários contatos, mas as pessoas não têm como assumir a estrutura necessária. Nosso cachê é acessível, mas, para viajar com banda, precisamos de passagem e hospedagem." Mesmo de licença maternidade, a artista carioca se apresentará em Brasília e Teresina, acompanhada por menos músicos – um formato que poderia ser repetido em Curitiba, mas nunca foi proposto.

O Pato Fu, de Fernanda Takai, reconhecidamente tem sofrido para encontrar um espaço onde se apresentar na cidade. Deixou os fãs curitibanos sem ouvir ao vivo as canções de Toda Cura para Todo Mal e só veio com Daqui pro Futuro porque topou encarar uma boate sem estrutura adequada. Aluizer Malab, o empresário do grupo, tem saudades da época do Aeroanta, quando os mineiros vinham até duas vezes por ano. "Curitiba tem uma semelhança muito grande com Belo Horizonte, não tem casas de porte médio", opina.

E vai mais longe: "Pelo que acompanho daí, não me parece que a cidade está tão dentro do circuito de shows."

Contas

Nem Roberta nem Fernanda foram esquecidas pelos produtores locais. A intenção de trazê-las, no entanto, esbarrou na matemática: a impossibilidade de fechar as contas. "Posso falar da Roberta Sá", diz Verinha Walflor, uma das profissionais mais experientes e ativas na cena local. "O empresário dela me mandou o CD. Gostei demais, mas titubeei pensando que, em um espaço grande, ainda seria muito prematuro, e um espaço pequeno não cobriria o custo. Como nem todo mundo conhece o trabalho dela, não poderia cobrar um valor de ingresso como o do Ney Matogrosso", explica.

Preocupação semelhante adia seu desejo de produzir espetáculos da Mart’ nália e da precoce Mallu Magalhães. São investimentos de risco – argumenta Verinha – que rendem mais em formação de público para as cantoras do que financeiramente. A produtora lembra que foi a primeira a trazer Vanessa da Mata à cidade. A estreia no Paiol não tinha mais de 30 pessoas na plateia. No dia seguinte, lotou. Mas não evitou o prejuízo. Anos depois, a cantora retornaria ao Teatro Fernanda Montenegro e, finalmente, ao Positivo, desta vez diante de 1,5 mil pessoas. A produtora recuperou, então, a perda de capital do primeiro momento.

Outro vilão, e dos grandes, é a falta de patrocínio, queixa das mais ouvidas por aqui. Dita por Verinha e ecoada por Fábio Neves, produtor da Seven Shows. "Querem dar R$ 2 mil ou 5 mil e acham que é muito", reclama. "A mídia é cara. A praça é muito ruim. Temos de pagar hotel e restaurante, porque não fazem parceria." Mas não é só isso. "O público é muito ruim também", diz, citando o prejuízo de Marcelo Camelo no Teatro Positivo. "Se não é axé, sertanejo, modinha, acaba não dando para pagar o show".

A única vez que Roberta Sá subiu em um palco da cidade foi no encerramento de sua turnê anterior, no Teatro do HSBC, hoje fechado para reformas (leia mais em matéria nesta página). O Sesc da Esquina é outro espaço que poderia abrigar mais shows com seu perfil, mas tem se concentrado em atrações do estado.

Celise Helena Niero, gerente executiva do Paço da Liberdade e do Sesc Paraná, conta que Fernanda Takai foi um nome cogitado para a programação 2008, mas apenas como convidada do projeto Memória Musical (encontro de um artista local com um nacional para um tributo). Não aceitou, concentrada que estava no lançamento do disco.

O Sesc negocia para trazer, este ano, shows de Marcos Valle e Mariana Aydar, e promover os encontros do Trio Quintina com Thalma de Freitas, Nuvens e Marina de La Riva. Serão bem-vindos. Mas a cidade precisa de mais para não se sentir tão à parte do circuito musical.

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