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Indícios de uma boa fase para a música

Paraná foi o estado com o maior número de contemplados pelo Prêmio Funarte de Composição Clássica em 2012. Premiados sugerem razões

Felipe Ribeiro, Roseane Yampolschi, Mauricio Dottori e Daniel Vargas Coelho: crescimento | Jonathan Campos/Gazeta do Povo
Felipe Ribeiro, Roseane Yampolschi, Mauricio Dottori e Daniel Vargas Coelho: crescimento (Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo)

Oito compositores do Paraná foram contemplados pelo Prêmio Funarte de Composição Clássica em 2012 – quase um quarto das 33 obras inéditas selecionadas de dez estados do país para receber as premiações, que variam de R$ 8 mil a R$ 30 mil, e para a 20.ª Bienal de Música Brasileira Contemporânea, que acontece em outubro de 2013.

Além da boa notícia para os contemplados, que ganham reconhecimento do evento mais importante da música clássica no país, o resultado revelou uma impressionante concentração: o PR é estado com o maior número de premiações, à frente de RJ (seis), SP e BA (cinco), MG e RS (dois) e RN, SC, GO, PB e MT (uma). As obras foram selecionadas entre 535 peças de 378 compositores.

"É curioso para as pessoas de fora, porque o Paraná nunca foi muito reconhecido como um estado musical", diz o compositor e professor do curso de música da UFPR Mauricio Dottori. "Já tivemos uma cidade mais musical, como nos anos 1990. Mas, do ponto de vista da música contemporânea, temos feito bastante coisa, e temos tido alunos muito bons em Curitiba", diz o compositor, referindo-se a um "forte movimento" da chamada música nova na cidade.

Dottori é um dos quatro contemplados na capital. Foram premiados a também professora da UFPR Roseane Yampolschi, o ex-aluno da UFPR e atual professor da Belas Artes (Embap) Felipe Ribeiro e o aluno de violão da Embap Daniel Vargas Coelho.

Universidades

A análise dos trabalhos inscritos, é bom lembrar, é feita às cegas por uma comissão de especialistas. Mas há um elo que liga os premiados: as universidades.

"Não é coincidência. É o trabalho dos professores universitários do Paraná dando frutos", diz o compositor premiado e professor da Universidade Estadual de Maringá (UEM) Marcus Alessi Bittencourt.

Alessi foi professor de outro premiado de Maringá, o formando da UEM Caio Pierangeli –também contemplado na categoria Eletroacústica.

"O prêmio tem uma função social importante, porque mostra algo que estava lá, mas não estava visível: é a comprovação de que tem alguma coisa fermentando no meio universitário paranaense", diz o professor.

A Universidade Estadual de Londrina (UEL) exerce papel semelhante. Dois de seus professores foram premiados – Fernando Kozu e Tadeu Taffarello.

"Vejo um movimento recente nessa área de música contemporânea. Está se consolidando um núcleo de compositores aqui na UEL", diz Kozu.

Migração

O surgimento de um cenário favorável à música contemporânea no Paraná também teria a ver com uma época de intercâmbio musical – tanto o propiciado pela era digital quanto pela migração de músicos para o estado.

Basta perguntar pelas origens destas figuras de destaque da música paranaense: Dottori e Roseane Yampolschi são cariocas – ele radicado em Curitiba há 20 anos, ela, há 8. Coelho, mineiro de 27 anos, chegou à capital há menos de 2 anos. Alessi e Pierangeli são paulistas, ambos radicados em Maringá há cerca de 6 anos. E Taffarelo, de Jundiaí (SP), chegou a Londrina em fevereiro. Naturais do Paraná, só Ribeiro (Curitiba) e Kozu (Londrina).

"Eu e o Dottori não somos exceção. Há, de fato, um grupo de músicos que esta vindo para cá", diz Roseane, premiada pela sexta vez. "Mas há muito mais. Está havendo uma melhor formação, o contato com grupos nacionais e internacionais que estamos trazendo, os eventos de pesquisa, os congressos. Há um crescimento, e tudo isso influencia no resultado do prêmio, com certeza."

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