
O terremoto que atingiu a cidade de São Francisco, na Califórnia (EUA), em 1906, foi a primeira catástrofe natural retratada amplamente pela população civil desde o surgimento da fotografia na primeira metade do século 19. Isso se deu graças às primeiras câmeras populares, que a Kodak havia lançado no mercado seis anos antes e haviam se tornado um fenômeno de vendas. O sismo, de 7.8 graus na escala Richter, fez tremer a bela cidade da Costa Oeste no dia 18 de abril, às 5h12 da manhã. Foram 40 segundos que deixaram 3 mil mortos e 225 mil desabrigados.O fotógrafo alemão radicado nos Estados Unidos Arnold Genthe, assistiu a tudo de seu estúdio, mas o incêndio que se seguiu ao terremoto acabou por queimar todo seu equipamento; Ele, então, emprestou a câmera de um comerciante conhecido seu e fotografou o legado de destruição que viu nas ruas da cidade. As imagens foram publicadas pelo jornal San Francisco Examiner, para depois ganharem o mundo e entrarem para a história. Essas fotos, em provas de material gelatino-argêntico, estão hoje na coleção do Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), como marco inicial do moderno fotojornalismo.
Quando se fala em fotografia até 1950, no entanto, as imagens que vêm à cabeça da maioria são, quase sempre, em preto e branco, muito embora os registros em cor fossem possíveis, de alguma forma, desde o fim do século 19.
Entre os profissionais que fizeram experimentos em cor estava o norte-americano Frederick Eugene Ives, mais conhecido pela invenção da impressão de fotos em tom sépia nos anos 1880. Recentemente, o complexo museológico The Smithsonian, com sede em Washington D. C., fez uma descoberta importante: foram encontradas fotos em 3-D (isso mesmo, imagens tridimensionais), dos escombros do terremoto.
Segundo o Smithsonian, essas imagens de Ives seriam os primeiros registros coloridos do terremoto, que foi seguido por um incêndio devastador, resultante dos danos causados à estrutura de distribuição de gás de São Francisco.
Os seis conjuntos de fotos, encontradas na Coleção de História Fotográfica do Museu da História Americana, um dos integrantes do complexo Smithsonian, devem ter sido feitos alguns meses depois do sismo. Ives havia patenteado seu sistema de fotografia colorida no início da década de 90 do século 19 com o nome de Photochromoscope, mas nunca alcançou sucesso comercial. As imagens em 3-D, contudo, só podiam ser vistas em sua tridimensionalidade por meio de um visor e eram chamadas Krömgramas.
Já em 1907, os irmãos Louis e Auguste Lumière, na França, simplificaram bastante o processo de seleção de cores por filtros, tornando viável comercialmente a exploração comercial da fotografia colorida, por meio das chapas Autochrome. O sistema consistia de uma placa de vidro coberta com grãos de amido tingidos (que agiam como filtros para as cores primárias) e de poeira preta (capazes de bloquear a luz não filtrada pelo amido).
Sobre a placa preparada, era colocada uma fina camada de emulsão pancromática (sensível a todas as cores), obtendo-se uma chapa positiva colorida.
Filmes documentais
A Biblioteca do Congresso norte-americano, em Washington D.C., tem em seu acervo vários filmes documentais que mostram a cidade de São Francisco pouco depois do terremoto e do incêndio de 1906. Esses filmes podem ser vistos no site da instituição (www.loc.gov) e incluem desde tomadas panorâmicas de várias regiões da cidade atingidas pelo tremor até valiosos registros das condições precárias nas quais ficaram as centenas de milhares de desabrigados nos primeiros dias após o sismo.
O National Film Registry, divisão da Biblioteca do Congresso que se ocupa da preservação de filmes, acrescentou, em 2005, o documentário San Francisco Earthquake and Fire, April 18, 1906, que compila imagens da tragédia, à sua lista de filmes, que conta com 500 títulos, a serem preservados como patrimônio nacional.





