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José Cechin aprendeu a fazer as guitarras de caixas de charuto assistindo a tutoriais na internet. | Jonathan Campos/Gazeta do Povo
José Cechin aprendeu a fazer as guitarras de caixas de charuto assistindo a tutoriais na internet.| Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo

Um artesão curitibano vem se dedicando desde 2013 a construir guitarras feitas com caixas de charuto em uma pequena oficina em Colombo.

Conhecedor de técnicas de madeira como a marchetaria e a pirogravura, José Cechin foi apresentado ao instrumento por um amigo.

As cigar box guitars eram comuns nos Estados Unidos entre a segunda metade do século 19 e a primeira do 20, e agora passam por uma espécie de redescoberta.

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Então Cechin viu um dos muitos vídeos produzidos pela entusiasmada subcultura que promove o revival das guitarras em território norte-americano, ensinando a construção dos instrumentos.

Sem conhecimentos técnicos de luteria, cujos princípios milimétricos aprendeu na marra, produziu sua guitarra “001” e gostou do ofício. Hoje, está fazendo o 28.º instrumento, um baixo cigar box de três cordas.

Veja imagens de José Cechin produzindo as guitarras

Pedaço de pau

“A primeira saiu ruim, um pedaço de pau com cordas”, diz o artesão, enquanto lixa um braço de cedrinho. “Acho que minhas guitarras tiveram um salto evolutivo muito grande.”

Cechin leva entre uma semana e dez dias para fazer cada guitarra, que logo vai embora mesmo sem ter sido encomendada.

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O artesão, que também produz lambrequins e arranhadores para gatos, vende cada instrumento por cerca de R$ 650. O valor pode subir conforme a imaginação do freguês.

Além da sonoridade rudimentar, que remete diretamente às antigas gravações de blues, o artesão (e músico amador) se encantou pelo ar de resistência à cultura do consumismo que envolve o resgate das cigar box guitars.

“É uma atitude”, diz Cechin, que também cultiva sua própria horta no amplo quintal de sua casa às margens da Rodovia da Uva. “É uma volta à inocência, ao pegar, ao fazer.”

Guerra Civil

A guitarra cigar box, conforme lembra o professor do curso de Luteria da UFPR Rodrigo Mateus Pereira, nasceu mesmo da necessidade, numa época em que instrumentos feitos por construtores tradicionais era inacessível – os primeiros registros remontam à Guerra Civil Americana (1861-1865), mesma época em que as caixas de charuto se tornaram comuns.

Contato

Você pode falar com José Cechin pelo telefone (41) 9873-9935.

“Consideraria mais uma adaptação que uma construção. Hoje em dia, as pessoas constroem braços de guitarra para as cigar box, mas tradicionalmente ela era feita com um pedaço de pau qualquer”, conta o luthier, lembrando a marca de improviso que esses instrumentos mantêm até hoje – daí haver quem os faça com cabo de vassoura, latas, garrafas, muletas, pregos.

Vale tudo, desde que o princípio de esticar uma corda e ter uma caixa de ressonância seja mantida.

Foi assim que começaram nomes como George Benson e Jimi Hendrix.

“Vejo esses instrumentos como uma manifestação da luteria popular, que sempre existiu”, diz Pereira. “Essa coisa autodidata, de adaptação, é extremamente bem-vinda. E cria interesse nas pessoas por construir instrumentos”, diz. “Tomara que façam muitas cigar boxes.”

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