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A cultura pop vive hoje um surto vampiresco. Da bem-comportada e romântica saga de livros (e filmes) Crepúsculo, de Stephenie Meyer, ao mais apimentado seriado da HBO True Blood, as criaturas da noite, alimentadas à base de hemoglobina, invadiram o imaginário de adolescentes e adultos do mundo inteiro. É talvez por causa dessa febre que tomou conta do universo do entretenimento que Deixa Ela Entrar (veja trailer e fotos), do sueco Tomas Alfredson, tenha impacto tão dissonante.Um dos títulos mais premiados de 2008 pela crítica dos Estados Unidos, o filme, embora seja a rigor uma obra de terror, transcende as convenções do gênero. É um poderoso e hipnótico estudo sobre a solidão. Fala do encontro entre dois pré-adolescentes unidos pela incapacidade de serem aceitos pelos rígidos (e cruéis) padrões de normalidade.
Oskar (Kare Hedebrant) tem 12 anos, é filho único de pais separados e vive com a mãe em um prédio de classe média no subúrbio de Estocolmo. Introspectivo e com baixa autoestima, o garoto é alvo de um grupo de colegas que, ao perceber sua fragilidade, transforma sua vida num inferno de abusos. No abandono de seu quarto, ele fantasia vinganças, fermentando um ressentimento que aos poucos o envenena.
No mesmo edifício, vive Eli (Lina Leandersson), que aparenta ter a mesma idade de Oskar. E, como ele, ela é solitária, dividindo o teto apenas com um homem adulto que pode ou não ser seu pai. Mas, ao contrário de seu vizinho, a garota não é comum. Guarda um segredo: é vampira e o senhor com quem vive se ocupa de "caçar" suas presas.
O encontro entre o ordinário, representado por Oskar, e o extraordinário, corporificado por Eli, gera uma das mais tocantes e perturbadoras fábulas de terror dos últimos anos no cinema. E o fato de um dos dois protagonistas ter características monstruosas, apesar de essencial à história, não resume ou reduz a trama.Há, é claro, assustadoras cenas nas quais a anomalia de Eli se manifesta, mas a personagem é bem mais do que um ser imortal que se alimenta de sangue e não pode ser exposto à luz solar. Ela redescobre em Oskar a quase esquecida dimensão humana que guardava e, ironicamente, também faz com que ele se sinta menos anormal.
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