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Nesta foto de arquivo tirada em 23 de abril de 2010, o escritor israelense Amos Oz ouve a pergunta de um jornalista durante o 17º Festival Internacional do Livro (IBF) no Centro de Cultura Millenaris de Budapeste. | ATTILA KISBENEDEK/AFP
Nesta foto de arquivo tirada em 23 de abril de 2010, o escritor israelense Amos Oz ouve a pergunta de um jornalista durante o 17º Festival Internacional do Livro (IBF) no Centro de Cultura Millenaris de Budapeste.| Foto: ATTILA KISBENEDEK/AFP

O escritor israelense Amos Oz morreu nesta sexta-feira (28) em decorrência de um câncer, aos 79 anos, em Tel-Aviv. A informação foi confirmada por sua filha, Fania Oz-Salzberger, em seu perfil no Twitter.

Nascido em Jerusalém, em 1939, Oz era autor de livros como "Caixa-Preta", "Judas" e "Como Curar um Fanático". O autor esteve em São Paulo no ano passado para uma palestra na Casa do Povo e no Fronteiras do Pensamento. Ele, que recebeu diversos prêmios literários, era com frequência apontado como um dos candidatos a ganhar o prêmio Nobel de literatura.

Oz, uma das principais vozes da literatura israelense, foi criado em um kibutz e estudou filosofia e literatura na Universidade Hebraica de Jerusalém. Ele publicou cerca de 18 livros em hebraico, entre ficção e não ficção, e centenas artigos na imprensa ao longo da vida.

Em 1967, lutou na Guerra dos Seis Dias e, em 1973, na Guerra do Yom Kippur. Sua experiência no front ajudou a transformá-lo em uma das principais vozes em defesa do diálogo entre israelenses e seus vizinhos árabes.

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Ano passado, em entrevista à Folha de S.Paulo, Oz mostrava-se preocupado com a ascensão do populismo e do fanatismo pelo mundo —e culpava a indústria cultural pelo que via como uma crise democrática internacional. 

"Há muitas diferenças [desde a publicação do texto original]. Vivemos uma crise muito profunda do sistema democrático. As características que alguém precisa ter para ser eleito são quase o oposto daquelas necessárias para se liderar uma nação", disse o autor na ocasião.

Mesmo assumindo o papel de um intelectual público, Oz nunca transformou sua obra em um panfleto para mensagens políticas.

"Não escrevo ficção para enviar mensagens ideológicas. Seria um desperdício. Quando quero fazer isso, por exemplo, escrevo um artigo dizendo para o governo [israelense] ir para o diabo que o carregue. Mas eles leem e, por algum motivo que não entendo, não vão", disse ele na mesma entrevista.

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Em nota, o editor Luiz Schwarcz, presidente do Grupo Companhia das Letras, que publica as obras de Oz no Brasil, lamentou a morte do amigo.

"Amoz Oz é um homem de generosidade ímpar. Me recuso a proferir o verbo no passado, pois ele estará comigo por toda a vida. É dos grandes amigos que fiz, com quem aprendi tanto. Não sabia do recrudescimento da doença contra a qual lutou tanto", disse Schwarcz. "Na última vez em que falamos, ele estava celebrando os bons resultados do tratamento. O mundo de hoje precisa de mais homens como ele. Mas não é fácil encontrá-los."

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