Como você se sentiu com essa matéria?

  • Carregando...
Personagens do filme “Liga da Justiça” que será lançado em 2018 | Divulgação
Personagens do filme “Liga da Justiça” que será lançado em 2018| Foto: Divulgação

A Marvel e a Disney criaram uma espécie de moto perpétuo, produzindo em série e filmes intelectualmente simplórios, mas crítica e comercialmente bem-sucedidos, baseados em histórias adoradas. Mas a DC foi além, criando um universo cinematográfico moralmente sério, devotado a pensar sobre uma questão interessante: como a humanidade reagiria à descoberta de que deuses caminham entre nós? 

Tanto “Mulher- Maravilha”, como “O Homem de Aço” abordam essa questão, sobretudo do ponto de vista dos deuses. Diana (Gal Gadot), uma semi-deusa Amazona vinda da ilha de Themyscira, foi criada para acreditar que a humanidade é inerentemente boa, até que o Deus da guerra Lokiesco, Ares, se corrompeu em um esforço de fazer com que Zeus se ressentisse de sua criação inferior. Diana, treinada na arte da guerra com o propósito de acabar de uma vez por todas com as maldades de Ares, entra na briga depois que a luta chega à Ilha do Paraíso, na forma de Primeira Guerra Mundial e Steve Trevor (Chris Pine), um espião americano tentando trazer notícias de um super-veneno alemão aos britânicos. 

Leia também: Quais os motivos do sucesso mundial de “Mulher Maravilha”?

Mulher Maravilha

Ao longo de todo o filme, Diana é definida por sua ingenuidade, sua falta de familiaridade com o “Mundo do Homem”. Isso serve a um propósito cômico - as cenas de Diana vestindo trajes Eduardianos enquanto comenta sobre sua conveniência com roupa de combate e tentando passar por uma porta giratória com uma espada e escudo geraram muitas risadas, ganhando a boa vontade de críticos desconfiados do tom supostamente demasiado sério que o idealizador do Universo Estendido da DC, Zack Snyder, adotou. 

Mas, isso serve também a um propósito temático: Diana simplesmente não entende esse mundo ou as pessoas que nele habitam. Ela é incorrigivelmente ingênua, cultivando uma fábula infantil sobre a natureza do homem. Steve Trevor a ajuda a entender sua insensatez, ao ver que talvez os humanos, em larga escala, não se inclinam à violência ou ao mal por causa de forças exteriores mas por causa das escolhas que fazem. "Mulher Maravilha," então, é uma análise da ideia de que deuses podem ser capazes de salvar homens - de balas, de bombas - mas de que são inteiramente incapazes de redimir os homens. 

Leia também: “Mulher Maravilha” está recebendo menos publicidade que Batman, Superman e companhia?

Mas o homem quer ser salvo?

A questão mais ampla, é claro, é se o homem quer ser salvo ou não, uma questão também considerada em " O Homem de Aço" de Snyder. Embora bastante ridicularizado por aqueles que buscam uma encarnação mais afetada do último filho de Krypton, o filme de Snyder levou a sério a ideia de que um alien com poderes de deus teria um efeito radicalmente desestabilizador sobre a humanidade. 

Pa Kent (comoventemente retratado pelo Pai da América Kevin Costner) entendeu os perigos que uma tal revelação representaria ao seu filho, àqueles que o temeriam e tentariam machucá-lo. Se Clark seria "bom" ou "mau" era irrelevante ao fato fundamental de que ele existia, de que provou não somente que o homem não estava sozinho no universo mas também que ele era inferior. 

É por isso que, no prólogo de "Batman vs. Superman: A Origem da Justiça" um intertítulo nos informa que estamos presenciando a chegada do "Super-Homem",  e não “super-homem”. Embora fôssemos talvez tentados a descartar isso como mera bobagem pseudo-intelectual, estaríamos enganados: é a grande questão do filme. "Batman vs. Super-Homem" é uma análise de como os homens mais poderosos do mundo reagiriam a seu deslocamento no topo da cadeia alimentar. 

Batman vs Superman

Bruce Wayne (Ben Affleck) é um bilionário psicótico preso no corpo de J. J. Watt; Lex Luthor (Jesse Eisenberg) é outro psicótico bilionário preso no corpo de Mark Zuckerberg. Um é movido pela necessidade generalizada de proteger a humanidade, um impulso forjado quando seus pais foram brutalmente assassinados na sua frente ; o outro, por uma necessidade mais pessoal de manter seu próprio lugar no mundo, para assegurar que ninguém jamais poderá machucá-lo novamente. Nenhum deles pode ser criticado por querer que uma bala de prata destrua o alien cuja aparição coincidiu com a destruição de Metrópolis e as mortes de milhares, ainda que eles estejam, em última instância, equivocados. 

Outros filmes da DC

Leia também: 'Mulher-Maravilha' é líder de bilheteria no Brasil e nos EUA

Falando em equívoco, finalmente chegamos ao "Esquadrão Suicida." Apesar de ser um desastre cinematográfico, o filme de David Ayer tinha em seu cerne uma ideia interessante: Como o governo responderia à aparição do Super-homem? A resposta, surpreendentemente, foi "de uma maneira que tornaria as coisas piores": a agente federal Amanda Waller (Viola Davis) esperava responder à ameaça super-humana estabelecendo um time de vilões super-poderosos sob seu controle. O tiro sai pela culatra quando uma antiga deusa azteca que Waller pensava estar sob seu controle arrasa uma grande cidade americana. 

É verdade, uma ideia interessante não pode compensar pela maneira bizarramente incompetente com a qual "Esquadrão Suicida" se desdobrou. Mas um fracasso interessante é sempre mais memorável que a competência insossa, como em "Homem-Formiga" ou "Guardiões da Galáxia, Vol. II" - mesmo que com competência insossa pareça ser o que os críticos preferem.

Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]