O reitor da UFRJ, Roberto Leher | Tomaz Silva/Agência Brasil
O reitor da UFRJ, Roberto Leher| Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A atual gestão da UFRJ foi nomeada em 2015, com mandato até 2019. Professor titular da faculdade de educação e filiado ao PSOL, o reitor Roberto Leher assumiu com críticas à política de educação federal.

Em 2017, chegou a ser acusado pelo Ministério Público Federal de improbidade administrativa por promover evento de caráter político-partidário na universidade, mas a ação foi rejeitada pela Justiça.

Leia mais: 15 textos que ajudam a entender a tragédia do Museu Nacional

Além de Leher, outros três dos dez membros da reitoria são filiados ao PSOL: a vice-reitora Denise Fernandes da Rocha Santos, o pró-reitor de pessoal, Agnaldo Fernandes da Silva, e a pró-reitora de extensão, Maria Mello de Malta.

Nesta terça (4), ao falar sobre o incêndio no Museu Nacional, o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) criticou a filiação política na cúpula da universidade. "A administração toda é de gente filiada ao PSOL e ao PC do B. A indicação política leva a isso. Os partidos se aproveitam, vendem seu voto aqui dentro como regra para que a administração seja deficitária e lucrativa para eles individualmente."

  • O crânio de Luzia, o fóssil humano mais antigo já encontrado nas Américas, e a reconstituição de seu rosto
  • O objeto vindo do espaço foi descoberto no sertão da Bahia no fim do século 18
  • Réplica do dinossauro de 13 metros de comprimento
  • Animais da fauna brasileira do Pleistoceno, preguiças gigantes e tigres-dente-de-sabre que viveram 12 mil anos atrás no Brasil
  • Máscara funerária do Período Prolomaico, 304 a.C.
  • Gato mumificado do Período Romano, I séc. a.C.
  • Tampa do caixão de Harsiese, XXVI dinastia, cerca de 650 a 600 a.C.
  • Hori era alto funcionário da hierarquia egípcia, durante a XXI dinastia (cerca de 1000 a.C.). Seu corpo mumificado estava em exposição
  • Coifa de penas do Grupo Mundurukú
  • Almofariz com representações de figuras humanas, encontrada na Ilha de São João (PA)
  • Detalhe de afresco de Pompeia, séc. I d.C.
  • Detalhe de afresco de Pompeia, séc. I d.C.
  • Paleontóloga trabalha com o esqueleto de um dinossauro Angaturama limai
  • No Brasil, os Mesosauridae foram registrados na Bacia do Paraná em sedimentos datados de 299 a 331 milhões de anos, sendo esse exemplar proveniente de rochas do Estado de São Paulo.
  • A peça estava no acervo do museu desde 1818

Orçamento em alta 

Responsável pela gestão do Museu Nacional, destruído por um incêndio na noite de domingo(2), a universidade prevê chegar ao fim do ano com déficit de R$ 160 milhões — incluindo débitos de anos anteriores.

A UFRJ gere 15 prédios tombados pelo patrimônio histórico, como o palacete do Museu Nacional. Entre eles, estão o palacete de 1879, no centro da cidade, onde está o Hospital Escola São Francisco de Assis, a casa de shows abandonada Canecão, na zona sul, e edifícios da cidade universitária.

Leia mais: OPINIÃO: Fracassa um projeto de Brasil

Nos últimos anos, enfrentou outros incêndios: na Capela São Pedro de Alcântara, no campus da Praia Vermelha (zona sul), em 2011; nas faculdades de letras e ciências contábeis, em 2012 e 2014; e no alojamento estudantil, em 2017.

A universidade alega que a falta de manutenção é reflexo de restrições orçamentárias.

Os gastos públicos gerais com a UFRJ, incluindo servidores, tiveram leve alta desde 2013. Mas os recursos vão cada vez mais para despesas carimbadas, como salários.

Leia maisMuseu Nacional nega ter rejeitado proposta de US$ 80 milhões do Banco Mundial para reformas

A universidade diz que, por isso, tem cada vez menos verba discricionária, tanto para custeio como investimentos.

O Ministério da Fazenda diz que os gastos com a UFRJ em 2017 chegaram a R$ 3,1 bilhões. Mas a maior parte (R$ 2,6 bilhões) foi para pagar salários dos cerca de 14 mil servidores.

Leia maisCulpa pela destruição do Museu Nacional também é um pouquinho do servidor

A UFRJ diz que a verba que ela própria pode gerenciar este ano se limita a R$ 388 milhões, com chance de contingenciamentos. Afirma serem necessários R$ 460 milhões.

É daí que saem os recursos para a operação do Museu Nacional, que em 2017 recebeu R$ 452,5 mil da UFRJ. É também dessa rubrica que a universidade tira verba para serviços de segurança, transporte e assistência estudantil.

Leia maisMuseus brasileiros convivem com cupins, goteiras e reformas intermináveis

Para fechar as contas, a gestão da universidade propôs cortes de gastos com energia, telecomunicações e combustíveis, redução da frequência de ônibus no campus e renegociação com fornecedores.

Com a queda de investimento nos últimos anos, foram paralisadas obras de novos edifícios, hoje inacabados, na cidade universitária. A má gestão também contribuiu: planejada para receber estudantes de direito, uma das construções foi suspensa por problemas na fundação.

Leia mais: Antigos manuscritos da Torá escapam de incêndio no Museu Nacional

"As restrições orçamentárias estão afetando o cotidiano de professores, alunos e a própria estrutura física da universidade", diz a professora Maria Lúcia Werneck Vianna, que preside a associação dos docentes da UFRJ.

Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]