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O que a ACP propõe para que comércio não essencial não feche em novos decretos
| Foto: Lineu Filho /Tribuna do Paraná

A Associação Comercial do Paraná (ACP) protocolou na Câmara Municipal de Curitiba uma sugestão de projeto de lei que garante a abertura de todos os setores do comércio mesmo sob medidas mais restritivas, como a bandeira vermelha, na forma de rodízio. Depois de ter sido acolhida pelo presidente da CMC, o vereador Tico Kuzma (PROS), a sugestão agora segue para a Comissão de Participação Legislativa, que vai deliberar sobre a admissibilidade do pedido.

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Segundo o proponente da ideia, o presidente da ACP, Camilo Turmina, o rodízio de abertura do comércio impactaria de forma positiva na redução da taxa de transmissão da Covid-19. Para tanto, seria necessário acabar com a definição de atividades essenciais e não essenciais atualmente em uso pelo poder público.

“Caso haja uma nova bandeira vermelha, nós queremos descaracterizar a ideia do essencial e não essencial. A área médica é importante, além dos hospitais e outros setores envolvidos na Saúde, e precisa sim ficar disponível o tempo todo. Os demais, mesmo as farmácias, poderiam abrir em rodízio. Não existe mais essa de se eleger meia dúzia de segmentos da economia e dizer ‘estes são essenciais, vão trabalhar o ano todo, mesmo que haja uma pandemia vão continuar ganhando dinheiro, os outros que se virem’. Todo trabalho é essencial”, explicou, em entrevista à Gazeta do Povo.

Ao apresentar o projeto na CMC, no começo de abril, Turmina deu um exemplo de como o rodízio de abertura do comércio poderia ser usado nas fases mais críticas da pandemia. “Quantos por cento da população queremos que fique em isolamento em casa? Se for 50% é bem simples. Um dia abre uma atividade econômica, no dia seguinte abre outra. Ninguém precisa de 800 farmácias abertas ou de todos os petshops abertos ao mesmo tempo”, destacou.

Tal medida, na avaliação de Turmina, acabaria com o que ele chama de “agonia” pela qual os comerciantes passam a cada decretação de bandeira vermelha. A abertura do comércio em rodízio, para o presidente da ACP, seria uma forma de a economia se manter aquecida sem depender de ajuda ou auxílios do governo.

“O governo não tem dinheiro suficiente para bancar medidas como suspensão de contratos de trabalho ou redução de jornadas. Como o governo e a prefeitura não têm caixa para bancar a pandemia, eles que permitam que todos se movimentem. A ideia é simples: uma parte trabalha com as portas abertas em um dia e fecha as portas no outro, e assim vai de forma alternada. Quando estiver com as portas fechadas, trabalha com delivery. Quando estiver com as portas abertas, atende normalmente. Tem que ser criado esse mecanismo para que todo o comércio possa se movimentar, porque não vai vir ajuda de ninguém, de lado nenhum”, declarou.

A reportagem procurou o Sindicato dos Comerciários de Curitiba (Sindicom), que representa os trabalhadores no comércio da cidade, mas a diretoria da entidade preferiu não se manifestar sobre a proposta neste momento.

E nos shoppings?

A presidente do Sindicato dos Lojistas de Shopping de Curitiba, Carolina Assis, confirmou à Gazeta do Povo que aprova a ideia do rodízio para a abertura do comércio durante a bandeira vermelha, mas disse não saber como essa medida seria aplicada na prática às lojas de shopping. Ela sugere que, caso o projeto seja aprovado, seja acompanhado de uma maior fiscalização no transporte coletivo, para ela uma das maiores fontes de disseminação da Covid-19.

“Os shoppings não são o ponto de contaminação dessa doença. Nas nossas lojas temos gente limpando as superfícies o tempo todo, todos os funcionários de máscara. Às vezes as pessoas esperam nos corredores quando a loja está com sua capacidade máxima, para ficar em um ambiente com maior circulação de ar. Temos seguranças que orientam os consumidores quanto ao uso de máscaras. As pessoas podem se sentir seguras, porque todos estamos nos cuidando. O rodízio de abertura é uma medida que só terá efetividade se houver um aumento na frota do transporte coletivo. Porque não adianta nada ter essa possibilidade de abrir o comércio de forma alternada no lockdown se a circulação dos ônibus for reduzida”, comentou.

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